O escritor Ignácio de Loyola Brandão é duplamente imortal. Desde 2019, ele ocupa a cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras. Há dois anos, é também titular da cadeira 1 da Academia Brasileira de Letras do Futebol, que tem como patrono Armando Nogueira. Torcedor do Corinthians e da Ferroviária, de Araraquara (SP), sua cidade natal, Ignácio se lembrou de uma história bastante curiosa ao receber seu exemplar de “Letras da bola – Os primeiros passos da Academia Brasileira de Letras do Futebol”, de Severino Filho, o Buim, ocupante da cadeira 19.
No terceiro ano do científico (correspondente hoje ao último ano do Ensino Médio), no Ginásio Estadual Bento de Abreu, em Araraquara, sua classe conquistou o título do campeonato de futebol de campo. Quando foi escalado como goleiro da equipe, Ignácio não gostou. Ele se achava baixo demais para proteger uma trave tão grande.
“Se a bola vier para cá, vai entrar”, vaticinou o camisa 1 para um dos meias da equipe.
“Não se preocupe”, respondeu ele. “A bola nem vai chegar aí”.
E não chegou mesmo. Ignácio comemorou, assim, seu primeiro e único título como jogador. Para a alegria do goleiro, o meio-campista da turma era Bazzani, que se tornaria depois o maior ídolo e o maior artilheiro da história da Ferroviária (244 gols). Atuou também pelo Corinthians entre 1963 e 1965. O nome oficial da Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, é Olivério Bazzani Filho.
