O diálogo a seguir aconteceu pelo WhatsApp na semana passada:

Escritório de advocacia: “Conseguimos recolher a documentação que ficou pendente”.
Eu: “Que ótima notícia. Pensei que eu teria que fazer isso”.
Escritório de advocacia: “Estou te perguntando se você conseguiu recolher”.
Eu: “Seu texto está sem o ponto de interrogação, então não entendi que era uma pergunta”.
Escritório de advocacia: “Me desculpe”.

Não sei se você já percebeu, mas o ponto de interrogação está morrendo nas conversas virtuais. Cada vez mais vejo perguntas escritas como afirmações: “Você vem amanhã”, “Não existe outra maneira de fazer isso”, “Pode me enviar o relatório”.

A pontuação vem sumindo porque a tecnologia entende a intenção mesmo sem o sinal gráfico. Numa pesquisa no Google, digitamos palavras soltas e recebemos respostas precisas (ou quase precisas). Na era da IA, o sistema reconhece a pergunta pelo contexto, não pelo ponto de interrogação. Como a máquina compreende, nós simplificamos.

Ao abrir mão da pontuação, estamos empobrecendo a clareza e o cuidado com a linguagem.

Ah, isso era para ser uma pergunta… Faltou a interrogação.