Tinha 14 anos quando comecei, vamos dizer assim, a minha carreira jornalística. Lancei o BEM (Boletim Esportivo Mensal), jornalzinho do time de futebol dos amigos da escola, o Teodoro Sampaio Esporte Clube. Os textos eram datilografados e os títulos feitos com letraset. Recortava as fotos e os escudos dos times de edições antigas da revista “Placar”. Eu já me arriscava em fazer algumas reportagens. Um dos primeiros entrevistados foi o jornalista Flávio Adauto, então presidente da ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo).
A entrevista aconteceu na sede da entidade, na Avenida Paulista. Flávio foi extremamente gentil e conversou “com aquele garoto” por meia hora. Saí de lá exultante. Até que, no ônibus, voltando para casa, descobri que havia colocado a fita cassete do lado errado no gravador. Resultado: nada tinha sido gravado. Desesperado, abri meu caderno e comecei a escrever tudo o que conseguia lembrar da entrevista.
Jornalista formado, encontrei Flávio Adauto inúmeras vezes. Mas contei essa história para ele pela primeira vez no encontro que tivemos no último dia 28 de novembro, na abertura da nova exposição temporária do Museu do Futebol, “Vozes da Várzea”. Depois daquele dia, passei a testar o gravador sempre antes de começar as entrevistas e a tomar nota simultaneamente das principais respostas. A entrevista com Flávio (pelo menos tudo o que lembrei dela) foi publicada na edição número 17 do BEM, em setembro de 1979, com direito a chamada na capa.
