O que se conta é que a expressão foi cunhada em homenagem ao pai de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, criador do mais famoso dicionário brasileiro, lançado em 1975. O pai de Aurélio, carpinteiro, fabricava carroças puxadas por burros. Essas carroças eram tão especiais que garantiam o conforto dos passageiros e o bem-estar dos animais. Quem comprava as carroças dizia não ter palavras suficientes para elogiá-las. O que fez Aurélio? Ele listou uma série de palavras que poderiam ser usadas como elogios ao pai, nascendo daí o seu primeiro dicionário.
Esse episódio teria dado ao pai de Aurélio o apelido de “pai dos burros”, depois estendido ao dicionário do filho. Que história bacana, né? Eu já acreditei nela. Só que ela não é verdadeira. Em seu livro “Por trás das palavras”, o jornalista Cezar Mota acabou com essa lenda. Manuel Hermelindo Ferreira, pai de Aurélio, era comerciante no interior de Alagoas, nunca fabricou carroças. Adorava ler e transmitiu essa paixão ao filho. A expressão “pai dos burros” para se referir a dicionários, conforme apurou Cezar, já existia desde os anos 1950, muito antes de Aurélio ter lançado o seu. Mas nunca se soube quem foi o pai dessa ideia.
