Ano após ano, os números do mercado editorial são menos animadores. As políticas de fomento à leitura derrapam. As redes sociais roubam o tempo dos leitores. Daí a pergunta: existirão livros em 2114? A Deichman Bjorvika, principal biblioteca pública de Oslo, capital da Noruega, inaugurou em 2022 um espaço chamado “Silent Room” [Sala do Silêncio]. Os textos que estão guardados ali não podem ser lidos. Pelo menos não agora. Eles fazem parte do projeto “Future Library” [Biblioteca do Futuro].
Cada ano, um autor ou uma autora de um diferente país recebe o convite para escrever um conto, um poema ou uma novela, que ficará guardado em absoluto sigilo até 2114, quando será publicada uma antologia com cem textos. A primeira convidada foi a canadense Margaret Atwood (“O Conto de Aia”) em 2014. Depois dela já entregaram seus textos a turca Elif Shafak, o islandês Sjoh, a sul-coreana Han Kang e a zimbabueana Tsitsi Dangarembga, entre outros.
A ideia da “Future Library” foi da artista escocesa Katie Paterson, que conseguiu em 2022 uma parceria com a Prefeitura de Oslo. Foi criada uma pequena floresta com 100 árvores, que serão preservadas até 2114 e depois transformadas em papel para a publicação dos livros. Portanto, teremos garantidamente, pelo menos, um livro em 2114. Então mudo a pergunta inicial: até lá teremos leitores para ele?
https://www.futurelibrary.no/
