James Bond não morreu, mas o escritor Ian Fleming fez seus fãs sofrerem com a falsa – e trágica – notícia durante um ano inteiro. No final de “From Russia With Love” (1957), quinto livro da série 007, Bond caiu no chão esfaqueado pela espiã russa Rosa Klebb, que usava um sapato munido de uma pequena lâmina envenenada.

Apesar da alta potência e rápida ação do veneno utilizado, apenas no livro seguinte (“007 Contra o Satânico Dr. No”), publicado um ano depois, soube-se que James Bond havia sobrevivido.

LIVRO JAMES BOND

O falso assassinato pode ter sido uma forma de provocação de Fleming contra Raymond Chandler, escritor especializado em romances policiais. Isso porque Chandler havia revisado o livro anterior da série – “Os Diamantes são Eternos” (1956) –, e seu retorno não foi dos mais favoráveis. “Você pode fazer melhor”, disse Chandler.

A ideia para o livro seguinte, “From Russia With Love”, era fazer com que Bond e a cabo Tatiana Romanova acabassem juntos. No entanto, de última hora, Fleming inspirou-se na crítica de Chandler e surpreendeu a todos com o final trágico. Na época, circularam boatos de que o autor só voltou atrás da morte de Bond quando Raymond Chandler o convenceu a desistir da ideia.

FROM RUSSIA WITH LOVE FILME

A suposta morte de Bond, no entanto, não passou de um recurso de roteiro explorado por Ian Fleming para aumentar a popularidade do personagem. Consta na biografia do autor (escrita pelo jornalista Andrew Lycett) que, na mesma época em que os detalhes finais da capa de “From Russia With Love” estavam sendo finalizados, Ian mandou uma carta para Geoffrey Boothroyd – seu consultor de armas – prometendo incluir as recentes ideias dele no seguinte livro da série, “O Satânico Dr. No”, lançado em 1958.

 

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“From Russia With Love” foi publicado pela primeira vez no Brasil só em 1965, mas se tratava de uma segunda edição. A mesma história já tinha sido publicada em 1963 sob o título “Espionagem”. Segundo o livro, James Bond teria sido assassinado no quarto 204 do Ritz Hotel em Paris. Outros personagens da trama também foram fulminantemente executados pela assassina Rosa Klebb.

Apesar de a história já ter sido adaptada para o cinema, a morte de James Bond nunca apareceu na telona. No filme “Moscou contra 007” (1963), quem morre é o vilão Kronsteen, agente russo encarregado de acabar com a vida do espião britânico. O agente 007 acaba com Tatiana Romanova, do jeito que Ian Fleming tinha planejado.