Raymond Whelan, executivo da Match Services, acusado de liderar a máfia da venda de ingressos da Copa do Mundo desde 2002, entregou-se à Polícia Civil do Rio de Janeiro e foi encaminhado para o presídio de Bangu 8. O nome dele constava da lista da Difusão Azul da Interpol, que impedia sua fuga do Brasil para 190 países do mundo.  Outro peixe graúdo que está preso é o franco-argelino Lamine Fofana. “Este foi apenas o primeiro tempo da investigação”, assegura Fábio Barucke, delegado do caso.  Das 22 mil horas de ligações feitas por membros da quadrilha, aproximadamente 15 mil horas foram ouvidas até agora. Existem ainda 7 mil horas que podem revelar outros nomes do esquema. “Whelan é o maior peixe já pescado. Ele sabe de tudo. Se a polícia conseguir que ele abra a boca, Joseph Blatter [presidente da Fifa] nunca estará tão ameaçado em toda sua vida”, afirma o jornalista britânico Andrew Jennings, autor dos livros “Jogo Sujo” e “Um Jogo Cada Vez Mais Sujo”, que revelam os métodos de atuação dos irmãos mexicanos Byrom à frente da Match. Whelan é cunhado de um dos Byrom.

Para continuar a investigação, a Polícia e a Promotoria enfrentam agora um curioso problema: a falta de tradutores de alemão.  “Em inglês e francês, muitas já foram feitas”, explica o promotor Marcos Kac. “Mas não encontramos um tradutor  de alemão, língua chave para revelarmos mais delitos, já que o país foi à final e muitos alemães buscaram ingressos”. Uma alternativa seria requisitar ajuda de outras instituições policiais. Até agora essa ajuda não veio. Em casos internacionais, a Interpol pode assumir essa função e cooperar, garante Luiz Eduardo Navajas, chefe da divisão brasileira da entidade. “Atuamos pouco no caso, que está concentrado no Rio de Janeiro.  Se a Polícia Federal pedir, nós podemos ceder tradutores.” Para Navajas, que cuida das divisas brasileiras, o maior temor era a fuga de Whelan. “Se ele realmente escapasse e fosse pra Inglaterra, já tínhamos a Difusão Vermelha (lista de maiores procurados pela Interpol) pronta e pediríamos a extradição aos ingleses, mas duvido que eles cederiam”, diz. Cerca de 50 mil ligações estão armazenadas na Secretária de Segurança do Rio de Janeiro. Dali, elas são enviadas aos computadores da 18ª DP e somente 10 pessoas têm autorização para escutá-las e transcrevê-las.  “Ouvimos 10 vezes cada ligação, depois passamos para o papel”, detalha o promotor Kac. “É um trabalho muito árduo. Nós sempre reclamamos da falta de material humano. Mas, nesse caso especialmente, necessitamos de muita colaboração. Podemos chegar ainda mais longe, sinto isso. Ainda não temos comprovações de outros nomes, mas estamos perto, bem perto.”