Em outubro de 1985, uma revista em quadrinhos ousada e original se materializou nas bancas: “Chiclete Com Banana”. Criada pelo quadrinista Angeli, a revista deu o empurrão para o sucesso definitivo da Circo Editorial, dirigida pelo jornalista Toninho Mendes, amigo de infância de Angeli. O nome “Chiclete com Banana” foi uma referência à música de mesmo nome, famosa na voz de Jackson do Pandeiro e transformada pelos tropicalistas em símbolo de miscigenação de ideias, que unia arte pop à música popular. Angeli achou a crítica aos costumes presentes na canção perfeita para nomear seu trabalho.

Criada no momento em que o país passava pelo processo de redemocratização e de Diretas Já, a “Chiclete com Banana” trazia quadrinhos, matérias de comportamento, crítica política, fotonovelas e ideias incômodas. Apresentava uma nova geração de artistas que retratava os anos 1980, satirizando personagens da política, tanto de partidos de esquerda quanto de direita.

Outra revista da Circo foi “Geraldão“, de Glauco Villas Boas. Geraldão queria transar com a própria mãe, usava drogas injetáveis e andava nu. No alvorecer da Nova República, o personagem testava os limites da liberdade de expressão. Considerado um dos mais ousados cartunistas de sua geração, Glauco também participou de “Los 3 Amigos”, ao lado de Angeli e Laerte, uma sátira da política e da realidade social do país, com violência, sexo e drogas.

Com a revista Circo”, Toninho Mendes fez uma aposta ousada: publicar grandes quadrinistas europeus e mistura-los com os brasileiros que não tinham espaço para uma publicação regular. Foi uma revolução. Só que a revista durou apenas oito edições, pois Luiz Gê mudou-se para Londres para estudar e a revista ficou sem seu editor. “Piratas do Tietê” foi o título individual de Laerte. Acompanhava piratas saqueadores, que navegavam pelo rio paulistano Tietê, em busca de vítimas para roubos ou para torturar por mera diversão. Com ironia e sarcasmo, a revista contestava o modo de vida cosmopolita da maior cidade do Brasil.