O hotel do milésimo gol do Rei Pelé

O Hotel Novo Mundo foi fundado em 1950 e, daquela época até os dias de hoje, é considerado um dos mais tradicionais da cidade do Rio de Janeiro. Localizado no coração da Praia do Flamengo, o Novo Mundo já hospedou célebres brasileiros, como o ex-presidente Lula, a apresentadora  Angélica, o cantor Cauby Peixoto e o Rei Pelé.

Clássico por fora e moderno por dentro, o hotel guarda, quase escondido em um lounge da recepção, uma grande história: foi lá que o rei do futebol dormiu na noite em que marcou seu milésimo gol, contra o Vasco, no Maracanã, em 19 de novembro de 1969. Mais do que isso:  Pelé sempre se hospedava no Novo Mundo quando ia ao Rio de Janeiro. Por isso, o hotel mandou produzir uma placa de bronze com a caricatura do jogador – de coroa e tudo! Presa em uma parede ao lado da máquina de café, a obra está exposta aos hóspedes mais observadores.

Fachada do Hotel Novo Mundo

Interior moderno do Hotel Novo Mundo

Lounge com homenagem a Pelé

Placa de bronze em homenagem ao milésimo gol de Pelé

Há hoje apenas um funcionário que está trabalhando no Novo Mundo desde aquela época. O barman Antonio Martins, um senhor português de 76 anos, chegou ainda jovem ao Rio, em 1957. Nesse mesmo ano, Pelé, um adolescente de apenas 17 anos, começou a se hospedar lá. O rapaz tinha acabado de ingressar no time do Santos, que se concentrava no Novo Mundo quando ia à cidade disputar o Torneio Rio–São Paulo.

Pelé com 17 anos

Pelé costumava ficar no quarto 1005, no 10° andar, que tinha um terraço com a vista para a praia. De 1967 a 1968, quem dividia o espaço com o Rei era o meia-atacante mineiro Buglê, seu companheiro no time do Santos. O hotel, que ficou famoso por hospedar o craque, juntava  em sua porta fãs e repórteres sedentos por uma foto. Pelé era discreto, e só de vez em quando aparecia na sacada, para, com um aceno, arrancar gritos do público. Foi em uma dessas muvucas que surgiu seu apelido mais famoso. Em 1958, logo depois que o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, jornalistas franceses chegaram ao hotel gritando: “Onde está o rei”? O apelido pegou.

Até o fim de sua carreira no Santos, em 1974, o Hotel Novo Mundo abrigou o craque. Nesse ano, ele foi para Nova York jogar no Cosmos, mas, quando visitava a Cidade Maravilhosa, ainda se hospedava no Novo Mundo. Martins não se lembra ao certo quando foi a última vez que recebeu Pelé no restaurante, mas tem certeza de que ele não era mais jogador de futebol – já atuava como empresário.

Quanto aos mimos, o experiente barman jura que o craque não recebia tratamento especial: “Ele comia o mesmo que todo mundo. Na cozinha, a gente seguia as ordens dos diretores da equipe”. Prezando pela discrição, Pelé nunca foi visto consumindo bebida alcoólica no hotel. Segundo Martins, a exceção não foi quebrada nem na noite de seu milésimo gol: “Só servi drinques aos amigos de Pelé – a ele, nunca!”.

(com colaboração e fotos de Julia Bezerra)

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Posted in Esporte at fevereiro 3rd, 2012. No Comments.

O Futebol e a Segunda Guerra Mundial

A Copa do Mundo foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928. Ele foi o terceiro presidente da FIFA e teve um mandato de 33 anos (1921-1954). A primeira competição foi disputada em 1930 no Uruguai e deveria ser repetida a cada quatro anos.  Uma década depois do primeiro confronto, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o evento foi interrompido. A edição de 1942, que seria realizada no Brasil, e a de 1946 oficialmente não existiram. Porém, a guerra não impediu que campeonatos de futebol fossem disputados nesse período. Sobre isso o jornalista Luciano Pires, editor do Bauru Ilustrado, me escreveu certa vez, relatando algumas fatos curiosos daquele período.

Este foi o que mais me chamou a atenção. Na fase final do combate, entre o fim de 1944 e o início de 1945, quando a guerra estava praticamente definida e já não havia tantas batalhas com as quais se preocupar, os comandos dos exércitos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética), que lutavam contra a Alemanha nazista, se juntaram para bater bola, organizando um campeonato entre os países do grupo. A Força Expedicionária Brasileira (FEB), integrante do 5º Exército Americano, não ficou de fora, cedendo soldados jogadores ao time.

Soldados da FEB

Destacou-se o lateral Bidon, que tinha sido titular do São Cristóvão, time carioca da Primeira Divisão, que disputava na época o título com os grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Foi também convocado o meia-esquerda Perácio, um dos maiores ídolos da história do Botafogo (RJ), que havia sido titular da Seleção Brasileira na Copa de 1938, na França. Walter, ponta-esquerda da categoria de base do Corinthians, também teve a chance de participar do campeonato. Há registros de que o goleiro reserva do time também tinha sangue brasileiro. O time do 5ª Exército Americano reforçado foi o campeão.

Perácio, em 1938, na Copa da França

A participação do futebol na 2ª Grande Guerra não para por aí. A nação ucraniana, que em sua história sofreu abusos tanto da ocupação stalinista quanto da nazista, fez uso do esporte para tentar amenizar a situação. Em 1942, as autoridades nazistas permitiram a realização de um campeonato de futebol no país para ganhar a simpatia do povo. A população faminta e em processo de dizimação viu no esporte um momento raro de alegria, quando o time Start FC, antigo Dínamo de Kiev, ganhou todos os jogos. Dois deles foram disputados contra equipes alemãs: no dia 17 de julho, os ucranianos venceram o time de uma unidade militar por 6  x 0 e, em 6 de agosto, o da Luftwaffe SV Hamburg (da Força Aérea Alemã) por 5 x 1. O resultado irritou os nazistas, que pediram revanche.

Start FC (1942)

No dia 9 de agosto, como o estádio Zenit lotado, os jogadores do Start FC se transformaram em heróis nacionais ao repetirem a façanha: 5 x 3 sobre os alemães. O lamentável da história é que não tenha sido respeitado o fair play: os jogadores ucranianos acabaram presos e torturados pela Gestapo, a polícia secreta nazista, com a desculpa de serem filiados à NKVD, a polícia secreta soviética. Na verdade, essa filiação era apenas uma formalidade para que pudessem jogar futebol durante a ocupação stalinista. Nikolai Korotkykh, Nikolai Trusevich, Ivan Kuzmenko e Alexei Klimenko foram mortos na tortura. O restante do time ganhou sequelas que impossibilitaram sua volta aos campos de futebol. Esse último confronto ficou conhecido como “O Jogo da Morte”.

A Partida da Morte (1942)

O “Jogo da Morte” foi contado em livro, pelo escocês Andy Dougan. Lançado no Brasil em 2004 pela Editora Jorge Zahar, “Futebol e Guerra” desmistifica a história por trás do embate entre os times rivais (tanto nos gramados como nos campos de batalha). Além de destacar a importância do futebol para o povo ucraniano, o autor expõe a tragédia da ocupação nazista e seus efeitos sobre a população local. No mesmo ano, o jornalista fluminense Roberto Sander lançou, pela Editora Bom Texto, “Anos 40 – Viagem à Década Sem Copa”. No livro, ele conta histórias de talentos brasileiros revelados nessa época, como Leônidas da Silva e Heleno de Freitas. Mesmo alheia aos acontecimentos esportivos, pode ser considerada uma década de ouro para o futebol.

O episódio acabou chegando até Hollywood. O diretor John Huston se inspirou nele para rodar o filme “Fuga para a Vitória” (1982), com Sylvester Stallone e Pelé – o craque brasileiro faz o papel de um prisioneiro de guerra natural de Trinidad e Tobago. Veja abaixo a cena do jogo, com direito a gol – é claro – de Pelé (ôps, desculpe o spoiler!):

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Posted in Esporte at fevereiro 2nd, 2012. No Comments.

Um espetáculo de teatro no escuro

Já imaginou ir ao teatro e não enxergar nada? O Centro Argentino de Teatro Ciego, localizado em Buenos Aires, oferece uma experiência sensorial  independente da visão. Dentro dele, os míopes, os cegos e quem vê normalmente compartilham o mesmo drama: não conseguem ver o que se passa no palco.

Prédio do Teatro Ciego de Buenos Aires

É importante ressaltar que não se trata de um espetáculo feito por cegos ou destinado a eles. A proposta da atração é exatamente o contrário: não discriminar. Todos, portanto, são igualmente bem-vindos. Inseridas em um ambiente sem luz, as pessoas que visitam o Teatro Ciego são obrigadas a encontrar outras maneiras de aproveitar o momento.

Além de permitir o desenvolvimento dos diferentes sentidos, a experiência abre os olhos da plateia para a importância da inclusão de pessoas com deficiência na sociedade – lá, todos sentem na pele o que é viver no escuro. O fato de ser também uma escola de teatro justifica a intenção do atual diretor Marin Bondone: “Meu desejo é formar atores – cegos ou não – que não precisem de luz para se apresentar”.

A ideia do Teatro Ciego surgiu em 1991, na cidade de Córdoba, a 700 km de Buenos Aires, quando Ricardo Sued, inspirado por técnicas de meditação tibetana, decidiu criar um teatro diferenciado. Em 2001, o ator Gerardo Bentatti, que atuava com Sued desde 1994, reuniu atores cegos, membros do grupo de teatro da Biblioteca Argentina para Cegos, que começaram a se apresentar no escuro.

Com o crescimento e o sucesso do grupo, batizado de Ojcuro (derivação da palavra “oscuro” – em português, “escuro”), cresceu também a necessidade de uma sede fixa para as apresentações. Assim, em 4 de julho de 2008, foi fundado o primeiro teatro às cegas do mundo – o Centro Argentino de Teatro Ciego fica no bairro de Abasto, reduto do tango de Buenos Aires, onde foi criado o ícone Carlos Gardel.

Elenco de "A Ilha Deserta"

Em “A Ilha Deserta”, o grupo convida a plateia a embarcar em uma viagem repleta de aventuras e amores. Os personagens são funcionários de um escritório, que se revoltam contra a rotina, os medos e a estabilidade da vida empresarial. Francisco Menchacha, que atua na peça, considera o trabalho um exercício não apenas linguístico, mas também físico: “Apesar de estarmos no escuro, nós não ficamos parados só falando; há muito movimento”.

O musical “Às Cegas com Luz” é uma homenagem a Luz Yacianci, a cantora principal. Para atingir o público turista, ela canta músicas de diferentes ritmos em vários idiomas. Carlos Cabrera, pianista portador de deficiência visual que a acompanha no espetáculo, tem todas as partituras escritas em braile, mas as toca de memória. Nesse show, há ainda uma atração extra: é oferecida uma degustação ao público condizente com os estilos musicais apresentados. O objetivo é permitir que, além da audição, o paladar da plateia também seja aguçado.

A reação do público varia, mas a grande maioria considera interessante a experiência de assistir a uma peça sem enxergá-la. Alguns vão pela curiosidade, outros pelo projeto de inclusão social. Ficou curioso? Aumente o som, feche os olhos e aproveite um trecho do Teatro Ciego:

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Posted in Música, Teatro at janeiro 31st, 2012. No Comments.

Casal deixa suas “pegadas” pelo mundo

O fotógrafo britânico Tom Robinson já viajou para quatro continentes, mas seu projeto artístico mais famoso, o Feet First, começou no ano de 2005 em Brighton, no Reino Unido. Enquanto passeava com a namorada, Verity, decidiu registrar a imagem dos pés do casal em frente ao mar. Contente com o resultado, Robinson resolveu fotografar todas as viagens com a garota desta maneira.

Cataratas do Iguaçu

Desde então, os pés de Tom e Verity passaram por Portugal, Bélgica, Croácia, Áustria, Romênia, Bulgária, Suíça, França, Tailândia, Camboja, Vietnã, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Chile, Argentina, Brasil, Bolívia, Peru, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Belize e México.

Tailândia

Na segunda viagem que fez à Tailândia, o fotógrafo decidiu pedir a mão (ou os pés?) de Verity em casamento. Hoje, eles estão casados e têm uma filha, Matilda Sadie Robinson, que se tornou o terceiro par de pés a integrar as fotos da família. Logo na cama da maternidade, os pezinhos do bebê acompanham os dos pais no registro.

Outro projeto familiar de Robinson é o I’m Going to be a Dad. Ao contar para o chefe que ia ter um filho, o fotógrafo teve a ideia de registrar o rosto de seus amigos logo após receberem a boa notícia. A irmã de Verity, na imagem abaixo, começou a tirar a maquiagem assim que chegou em casa. O casal decidiu contar logo sobre o bebê para que a garota não ficasse brava ao aparecer de cara lavada.

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Posted in Sites curiosos, Viagem, sites at janeiro 29th, 2012. No Comments.

Você conhece a letra do hino de seu time?

Você conhece o hino oficial de seu clube? Muitos clubes brasileiros têm dois hinos: o oficial e aquele realmente cantado pelas torcidas. Os oficiais, bem mais antigos, são cheios de versos rebuscados e praticamente caíram no esquecimento.

O hino oficial do Flamengo, criado pelo ex-goleiro do clube Paulo Magalhães, começa assim: “Flamengo, Flamengo/Tua glória é lutar/Flamengo, Flamengo/Campeão de terra e mar”. Mas foi o hino composto por Lamartine Babo na década de 40 que pegou (“Uma vez Flamengo/Sempre Flamengo”). Em 1942, Lamartine Babo (torcedor do América) apresentava o programa Trem de Alegria, ao lado de Héber de Bôscoli (torcedor do Flamengo) e Iara Sales (Fluminense). Ele ia ao ar às segundas-feiras e os três faziam comentários bem-humorados sobre a rodada do final de semana. Para ilustrar o programa, Lamartine criou marchinhas para cada clube. Só que estes hinos foram adotados pelos torcedores e destronaram os antigos.

Hino de clube era coisa tão séria que poetas eram escalados para escrevê-los. O poeta Coelho Neto apresentou em 1915 o primeiro hino do Fluminense. A música era baseada em um sucesso inglês, It’s a long, long way to Tipperary, de H. Williams (ouça abaixo). A primeira estrofe dizia assim: “O Fluminense é um crisol/onde apuramos a energia/ao pleno ar/ao pleno sol”. Coelho Neto era pai de Preguinho, um dos maiores ídolos da história do Fluminense e autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, em 1930. O Tricolor das Laranjeiras teria ainda outro hino, com letra e música de Antônio Cardoso de Menezes Filho: “Companheiros de luta e de glória/na peleja incruenta e de paz/disputamos no campo a vitória/do mais forte, mais destro e sagaz”. E por aí vai.

Mais difícil ainda é o hino oficial do Vasco, composto pelo poeta Joaquim Barros Ferreira da Silva. Só mesmo levando o dicionário para a arquibancada. “Clangoroso, apregoa, altaneiro/ O clarim estridente da fama/Que dos clubes do Rio de Janeiro/ O invencível é o Vasco da Gama”.

Entre os paulistas, quem trocou de hino foi o Santos. “Sou alvinegro da Vila Belmiro/O Santos vive no meu coração/É o motivo de todo o meu riso/De minhas lágrimas e emoção”. Começava assim a música de Carlos Henrique Roma, criada em 1912.  Mangeri Neto e Mangeri Sobrinho criaram o “Agora quem dá bola é o Santos” para festejar o título paulista de 1955.

No ano de sua fundação, em 1921, o Cruzeiro (ainda chamado de Palestra Itália) ganhou seu hino, com letra do poeta Tolentino Miraglia e música do maestro Arrigo Buzzachi. Os primeiros versos eram: “No campo da luta/Entramos contentes/Sentindo, freqüentes/As almas vibrar/E deste entusiasmo/Nos nasce a pujança/Na firme esperança/De sempre ganhar”. O hino atual (“Cruzeiro, Cruzeiro querido/Tão combatido, jamais vencido”) é de autoria de Jadir Ambrósio.

Letras cheias de mistério

Hino do Atlético Mineiro: (…) “nós somos campeões do gelo”
O autor Vicente Mota se inspirou nos hinos cariocas de Lamartine Babo para criar a música do “Galo mineiro”. De onde veio esse gelo? Numa excursão à Europa, em 1950, o Atlético Mineiro jogou debaixo da neve. O hino também fala de “Nós somos campeões dos campeões”. É que, em 1936, o clube disputou um campeonato interestadual de clubes, promovido pela Federação Brasileira de Futebol. O Atlético venceu a Portuguesa na final por 3 x 2, em São Paulo.

Hino do Botafogo: “Botafogo, Botafogo/campeão desde 1910″
Botafogo e Fluminense ficaram brigando na Justiça durante 89 anos por causa do título do Campeonato Carioca de 1907. Apenas em 1996, a Federação local decidiu proclamar os dois times campeões. Desse modo, o primeiro título do clube deixou de ser o carioca de 1910. A torcida botafoguense mudou a letra original do seu hino e agora canta “campeão desde 1907″.

Hino do Corinthians: (…) “campeão dos campeões”
Em 1930, o Corinthians venceu o Vasco por 4 x 2, no Rio. Como eles eram os campeões dos dois principais torneios do país, o clube paulista se autoproclamou “campeão dos campeões” do Brasil. O hino foi composto pelo radialista Lauro d’Ávila entre 1951 e 1952, substituindo outro, que dizia: “(…) lutar, viril, para a grandeza e glória do Brasil“. Veja abaixo o primeiro hino do time, de 1930, que nunca pegou.

Hino do Grêmio: (…) “até a pé nós iremos”
Uma greve dos transportes em Porto Alegre, no ano de 1953, inspirou a frase inicial do hino, criado por Lupicínio Rodrigues, um dos mais famosos compositores brasileiros. O Grêmio é o único clube que fala sobre um jogador em seu hino: (…) “Lara, o craque imortal/soube o teu nome elevar”. O goleiro Eurico Lara defendeu o clube de 1920 a 1935.

Hino do São Paulo: (…) “Do Paulistano imortal/Da Floresta também trazes/Um brilho tradicional”
É uma referência ao Clube Atlético Paulistano e à Associação Atlética Palmeiras, que deram origem ao novo clube. O hino foi criado pelo general Porfírio da Paz no dia em que ele não perdeu sua casa por falta de pagamento. Saiu pelas ruas para refrescar a cabeça e acabou criando uma letra em homenagem ao clube que ajudou a fundar.

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Posted in Esporte, livros at janeiro 28th, 2012. 1 Comment.

Quando a nostalgia volta às aulas

Último final de semana antes da volta às aulas. Já combinei com a Beatriz e com o Antonio que iremos atrás do material que não foi comprado ainda (as aulas do Rodrigo, o universitário de casa, ainda demoram um pouco mais a começar). Dias atrás, recebi um e-mail cheio de fotos do material escolar de antigamente. Bateu uma saudade. Papel almaço, Letraset, Contact para encapar os livros… É verdade que tinha muita coisa ali que era do tempo do meu pai, não do meu, como a caneta tinteiro. O instrumento era caro e, pelo que ele me conta, as crianças tinham que levar na mochila um vidrinho de tinta para recarregá-lo. Apesar de pouco prática, a caneta tinteiro tinha seus caprichos – por exigir delicadeza na escrita, alfabetizava alunos de caligrafia invejável. A letra do meu pai é um espetáculo.

Propaganda da caneta tinteiro Caloura, de 1956

O uso de tais canetas nas escolas exigia a presença nas listas de materiais de um objeto hoje extinto – o mata-borrão. A tinta das tinteiro demorava a secar, podendo causar manchas no caderno. A solução para o impasse era utilizar esse bloco de madeira de 20 cm de largura por 10 cm de altura, forrado com um papel absorvente, para carimbar cada linha escrita. O papel sugava o excesso de tinta, evitando os borrões.

Mata-borrão

A falta de praticidade também pesava quanto aos materiais utilizados em trabalhos mais artísticos. O que hoje se resolve com uma simples cola em bastão exigia algumas décadas atrás mais esforço e, certamente, mais sujeira. Até os anos de 1970, o jeito era colar papel com a goma arábica, uma cola líquida, espessa e grudenta. As agências dos Correios tinham dessa cola. Eu sou do tempo da Cola Tenaz, que também exigia muito cuidado para não deixar grudadas as páginas dos trabalhos – e os nossos álbuns de figurinhas. Para o título e ilustrações dos trabalhos, nada de imagens impressas – usava-se o estêncil, molde vazado de letras e desenhos variados.

Goma arábica, usada nas escolas antes do aparecimento da cola de bastão

Outro item cativo das mochilas das crianças do século XX e cada vez mais escasso nas do século XXI são os cadernos de caligrafia. O objetivo deles era aprimorar a estética da escrita dos alunos. Hoje em dia, tenho a impressão que as  escolas  não fazem mais questão de impor seu uso.

Capa de caderno de caligrafia, de 1953

Depois do fim do uso de canetas tinteiro nos colégios, na década de 1960, o lápis tornou-se a principal ferramenta utilizada para a escrita pelos alunos. A indústria investiu então na inovação das borrachas, lançando no mercado aquelas em forma de lápis (o famoso lápis-borracha, que era amarelo brilhante) e as duplas (de um lado, apaga caneta e, de outro, grafite), que viraram febre entre as crianças.

Borracha dupla: de um lado, apaga lápis; de outro, caneta.

Não só os objetos, mas também o método de ensino nas escolas evoluiu consideravelmente nas últimas décadas. Matérias como Educação Moral e Cívica foram instituídas no período da Ditadura Militar, de 1964 a 1985, priorizando a formação de cidadãos comportados e nacionalistas. Na matemática, até a década de 1990 era preciso decorar a tabuada para passar de ano. Por isso, os alunos tinham um livro de tabuada, onde havia exercícios, dicas e truques. Os mais espertinhos compravam o lápis de tabuada, onde estavam gravadas todas as contas de multiplicação que deveriam saber de cor. O complicado era ter que apontar o lápis e ir perdendo as colunas aos poucos…

Lápis de tabuada

Pode soar estranho, mas o cheiro de álcool desperta hoje nas gerações mais antigas o sentimento de nostalgia dos tempos de colégio. Professores utilizavam o mimeógrafo para copiar provas e folhas de exercícios. A máquina era abastecida a álcool. Hoje sei que ela é usada num número bem pequeno de escolas – e está prestes a se tornar uma peça de museu.

Mimeógrafo

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Posted in Baú at janeiro 27th, 2012. 3 Comments.

Sandro, o “inspirador de Sidney Magal”, ganha musical

Acabei de voltar de Buenos Aires.  E já estou fazendo planos de voltar. É que justamente no dia em que embarquei de volta, sexta-passada, estreou no Teatro Broadway o musical Por Amor a Sandro, de Ariel del Mastro. A superprodução, estrelada por Fernando Samartín, conta a história de uma fã que tem sua vida mudada pela devoção a um ídolo. Trata-se de uma homenagem ao cantor Roberto Sánchez, mais conhecido como Sandro de América, ídolo argentino, falecido em 2010. Ele tinha 64 anos e morreu por causa de complicações de um enfisema pulmonar,  contra o qual lutava desde o fim da década de 1990.

Roberto Sánchez nasceu em 1945 na periferia de Buenos Aires. Começou sua carreira artística como cover  de Elvis Presley. Em 1960, já com o nome artístico de Sandro, foi o primeiro cantor argentino a gravar um rock na língua espanhola. Com a explosão do gênero, Sandro e sua banda (Los de Fuego) gravaram versões de músicas dos Beatles, The Animals e Chuck Berry.

Nos anos 60, Sandro como cover de Elvis

Sandro é mais conhecido pela segunda fase de sua carreira, que teve início em 1967 e é marcada por interpretações românticas e sensuais. Nessa época, o ídolo conquistou o público feminino ao liderar uma campanha a favor do sexo antes do casamento. Em seu currículo estão pelo menos 50 sucessos musicais e participação em 12 filmes. No total, ele gravou 52 álbuns e vendeu 8 milhões de discos.

Sandro na década de 1970

El Gitano (em português, “o cigano”), apelido que faz referência ao figurino extravagante do cantor, pode ser considerado um dos maiores ídolos pop das Américas. Em 1969, recebeu um disco de ouro em Nova York por ter sido o latino-americano com a maior quantidade de discos vendidos nos Estados Unidos. Ele foi o primeiro artista da região a lotar o Madison Square Garden, em 1970.

Capa do disco gravado no Madison Square Garden

Sobre o musical agora em cartaz em Buenos Aires, vale dizer que não é costume montar um espetáculo desse porte para contar a história de personalidades contemporâneas. Edith Piaf e Eva Perón só foram encenadas na Broadway 15 e 27 anos depois de suas mortes, respectivamente. Só que li que a vida e as músicas do cantor argentino fazem de Por Amor a Sandro um show inovador entre o gênero.

Elenco de Por Amor a Sandro

O espetáculo preparou ainda outras surpresas, que devem agradar aos mais fanáticos: há três objetos originais do cigano espalhados pelo cenário e figurino da peça: a porta de sua casa no bairro de Banfield, sua clássica jaqueta de couro preta e o cachecol vermelho de lã imortalizado pelo ídolo.

A mesma jaqueta. À esquerda, em Sandro; à direita, no musical.

As curiosidades não param por aí. Por que o musical é um atrativo também para brasileiros de passagem por Buenos Aires? Fácil resposta. Além de poder ser comparado ao nosso rei Roberto Carlos no quesito paixão nacional, Sandro é diretamente relacionado a outro ídolo tupiniquim: Sidney Magal. O ícone brega gravou versões em português das músicas Tengo (Tenho, na voz de Sidney) e Sandra Rosa Madalena. A clara semelhança de estilo entre os dois não é coincidência. O lançamento de Sidney Magal no Brasil foi uma resposta da gravadora RCA brasileira à filial argentina, que se vangloriava com o sucesso de Sandro.

No ano passado, tive uma experiência muito boa em Nova York com um musical do mesmo gênero. Adorei Jersey Boys, que conta a história de Frankie Valli e do grupo Four Seasons.

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Posted in Celebridades, Teatro, Viagem at janeiro 25th, 2012. No Comments.

Lançamento do livro “Os Endereços Curiosos de São Paulo”

Estão todos convidados para o lançamento da nova edição do meu livro Os Endereços Curiosos de São Paulo. A tarde de autográfos acontecerá nesta quarta-feira, dia 25 de janeiro, na Saraiva MegaStore do Shopping Pátio Higienópolis, a partir das 17h.

O livro, que é um presente para os 458 anos da cidade de São Paulo, traz 1 mil endereços de lojas e serviços inusitados espalhados pela cidade. É um trabalho que já venho fazendo há 20 anos.

Abaixo, alguns endereços curiosos que podem convencê-los a querer explorar São Paulo junto comigo:

ALUGUEL DE CARRUAGEM

Se você quer ser a Cinderela por um dia, nem precisará da ajuda de uma fada. A Carruagens Tomaselli oferece, além de carruagens, troles e tílburis cinema­tográficos com cocheiro a caráter. Você também pode escolher a raça dos cava­los que puxarão a carruagem.

Carruagens Tomaselli
Rua Durval Soares da Silva, 420, Riviera Paulista
5517-6660 e 9976-7437
www.carruagens.com.br
seg. a dom. 8h/20h

BANHO DE OFURÔ PARA CACHORROS

Ofurô, acupuntura, fisioterapia, banho hidratante. Tudo o que um spa deveria ter. Mas, na Pet das Meninas, todos es­ses serviços são dedicados aos cachor­ros. O ofurô, técnica milenar japonesa de imersão em água quente, tão popular entre os humanos, ganhou uma versão mini para aliviar as tensões musculares e o stress, melhorando a circulação san­guínea do cãozinho.

Pet das Meninas
Rua Estados Unidos, 2179, Jardins
3062-7003 e 3375-6121
www.petdasmeninas.com.br
seg. e sex. 9h30/18h; sáb. 9h30/17h

AÇAFRÃO DE OURO

Algumas das delícias do Mercado Municipal: açafrão-do-mediterrâneo. Esse tempero vale quanto pesa. O grama dessa erva é mais cara que a do ouro. Importada de Alicante, na Espanha, um pequeno fio desse açafrão é capaz de temperar uma paella que serve até 25 pessoas.

Gf Temperos
Rua Cantareira, 306, Mercado Municipal da Cantareira, rua F, boxe 21, Parque Dom Pedro
3228-1854
seg. a sáb. 8h/16h

AGÊNCIA DE DUBLÊS

Para quem precisa saltar de um carro em movimento, ser atropelado, fazer rapel de um helicóptero ou ter o corpo em chamas, a melhor opção é contratar um profissio­nal. Os dublês são responsáveis pelas ce­nas mais empolgantes das telinhas e sua atuação é fundamental em novelas, anún­cios publicitários e cinema. Na Academia dos Dublês Águias de Fogo, o cliente pode contratar atores especializados nes­ta área. Também são oferecidos cursos de dublê nos fins de semana.

Academia de Dublês Águias de Fogo
Rua Francisco Gomes da Costa, 18, Pirituba
3462-0186, 3832-1321 e 7883-0310
www.aguiasdefogo.com
helioduble@gmail.com
seg. a sex. 9h/18h

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Posted in livros at janeiro 24th, 2012. No Comments.

Celebridades em situações curiosas e inusitadas

O site This Is Not Porn (em português, “isto não é pornografia”) reúne um arquivo de fotos de aproximadamente 400 celebridades. Apesar de soar clichê, o conteúdo nada se parece com o amontoado de revistas dedicadas a bisbilhotar a vida das estrelas. As fotos do arquivo são, em sua maioria, flagrantes de momentos inusitados vividos pelos astros – sem apelar para o lado vulgar, como preza o nome.

Harrison Ford

Walt Disney

Audrey Hepburn

Atenção especial é dada aos astros do cinema e do rock, mas também podem ser encontrados cientistas, artistas, políticos, escritores e esportistas. O representante brasileiro do arquivo é o ídolo Pelé, presente em uma foto ao lado do artista pop americano Andy Warhol.

Andy Warhol e Pelé

Sets de filmagens são cenários recorrentes, que provaram render boas fotos. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, mal saídos da adolescência, fazem caretas para a câmera nas gravações de Titanic (1997); Charlie Chaplin e Marlon Brando, entre uma cena e outra de A Condessa de Hong Kong (1967), são flagrados às gargalhadas; Drew Barrymore, com apenas 5 anos, se diverte no pescoço do padrinho Steven Spielberg, no set de gravação de E.T. (1982).

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet

Marlon Brando e Charlie Chaplin

Drew Barrymore e Steven Spielberg

Fãs de celebridades costumam ter interesse em conhecer o rostinho de seus ídolos quando mais novos. Em This Is Not Porn, esse é outro tema bem explorado, sem que, mais uma vez, caia no lugar comum. Angelina Jolie, ainda criancinha, já ensaiava poses; o físico britânico Stephen Hawking, que desde os 21 anos sofre de esclerose lateral amiotrófica, exibia uma bengala aos 23, em seu casamento com Jane Wilde; e a atriz da série Friends, Jennifer Aniston, era só bochechas aos 3 anos.

Angelina Jolie

Stephen Hawking ao lado de Jane Wilde

Jennifer Aniston

O criador do site, que se apresenta apenas como “Patrik” e que é sueco, conta que terminou o mestrado em Tecnologia da Mídia. E agora está atrás de um emprego. Confira entrevista ao Blog do Curioso:

Por que você acha que as pessoas são tão curiosas a respeito da vida das celebridades?
Talvez porque elas gostem de saber que celebridades não passam de pessoas comuns.

Você também é fã de celebridades?
Eu sou uma pessoa nostálgica, adoro mexer em álbuns antigos de família. No começo de 2010, comprei o domínio thisisnotporn.net com a intenção de postar fotos sensuais que não fossem pornográficas. À procura desse material, encontrei fotos belas e fascinantes de celebridades, e decidi dedicar o site a elas. Essas fotos me fazem feliz, e eu preciso compartilhar isso com as pessoas. Mas isso não me faz um fã de celebridades – sou fã de pessoas interessantes.

Como você tem acesso a esse material raro?
Encontro tudo na internet. Acho até estranho essas fotos serem chamadas de “raras”, porque elas estão lá para quem quiser ver. Eu também recebo sugestões de meus fãs. Não tenho direito sobre nenhuma das fotos, deixo isso claro no site. Eu até tento creditá-las, mas é difícil encontrar os fotógrafos.

Qual é a sua opinião sobre os paparazzi e as revistas de celebridades de hoje em dia?
A maioria é completamente entediante. Eles só estão preocupados em criar escândalos, e acabam mostrando o pior lado das pessoas.

Qual é a foto do site fez mais sucesso até hoje?
A foto com o maior número de visualizações é a do Steve Jobs com o Bill Gates.

Steve Jobs e Bill Gates

E você, tem uma preferida?
É impossível escolher uma, mas adoro as fotos do Bill Murray. Ele é um ser humano extraordinário. Só lamento saber que nunca vou ser tão legal quanto ele.

Bill Murray

Há um intervalo de cerca de um mês entre as atualizações, mas a espera sempre vale a pena.

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Posted in Celebridades, Sites curiosos at janeiro 24th, 2012. No Comments.

História das logomarcas: Canon, Kodak, IBM e LG

Hoje, mais um post da série da história das logomarcas. No ramo da fotografia, a evolução das marcas Canon e Kodak; na eletrônica, vejam as mudanças nos logos da IBM e o surgimento do símbolo da LG, que nunca sofreu modificações.

Canon

Desde 1935, a empresa mantém o mesmo padrão clean e simples da logomarca, que visa atingir um público global. O nome Canon surgiu em homenagem à primeira câmera produzida pela empresa – a Kwanon –, que, por sua vez, faz referência a uma deusa budista, retratada no primeiro logo da empresa. A partir de 1956, não houve mais modificações, mas não é porque é clássica que deixou de ser atual.

Kodak

A Kodak foi, em 1907, a primeira companhia a integrar nome e símbolo em sua logomarca. Em 1935, a empresa adotou as cores amarela e vermelha, que ficaram presentes até 1996. A partir desse ano, a Kodak aderiu à tendência de simplificação dos logos, removendo a cor amarela e as caixas que circundavam o nome. A última modificação – uma leve arredondada na fonte das letras – ocorreu em 2006.

IBM

Fundada em 1888, a IBM (International Business Machines Company) era antes chamada ITR (International Time Recording Company) e atuava no ramo dos relógios de ponto. Em 1911, a ITR se fundiu à CTR (Computing-Tabulating-Recording Company), adotando o nome atual em 1924, quando aderiu o desenho de um globo à logomarca. Em 1947, o globo foi removido, dando origem à versão simplificada do símbolo que é hoje atribuído à empresa.

LG

A sul-coreana LG mantém desde sua formação, em 1995, a mesma logomarca. A empresa é resultado da fusão entre as companhias Lucky, do ramo de cosméticos, e Goldstar, que produzia aparelhos de rádio. Há hoje em dia na Coreia do Sul uma gama de empresas que adotaram a sigla (LG Chemicals, LG Telecom, LG Twins), mas a LG jura que são meras referências ao slogan “Life is Good”, e não fazem parte do conglomerado da marca.

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Posted in Invenções, Listas at janeiro 17th, 2012. No Comments.