Por que os foliões usam fantasias no Carnaval

Apesar de o Carnaval que conhecemos hoje ser chamado de brasileiro, a festa tem raízes europeias. Da Roma Antiga, vem a tradição de festejar nas ruas: as Saturnais eram comemoradas pelos escravos, que pediam dias mais quentes ao deus Saturno. Já os portugueses trouxeram ao Brasil o costume de sujar uns aos outros – nas festas do entrudo do século XVI, valia até atirar “limões-de-cheiro”, uma mistura da fruta com água e urina.

Ilustração da tradição do entrudo português

Marcados por excessos desde sua origem, os foliões escapavam das punições usando disfarces. Até a elite entrou no clima: na Itália do século XV, mascarados da nobreza escondiam a identidade e caíam na gandaia dos bailes da corte.

Representação teatral dos primeiros bailes de máscara

O que começou com o uso de máscaras e perucas é hoje uma das principais atrações do Carnaval. Mais em clima de farra do que de disfarce, a nossa festa de rua é cada ano mais repleta de fantasias criativas e curiosas. Veja o que foi visto por aí em 2012:

Cheio de "post-its", folião faz trocadilho com o jornal norte-americano "Washington Post" (Foto: portal R7)

Casal se produz e brinca com a expressão "Papagaio de Pirata" (foto: Blog do Curioso)

Fantasiado de "Bueiro Carioca", folião ironiza as frequentes explosões que aconteceram na cidade ao longo do ano (Foto: Blog do Curioso)

Na fantasia de "Anos 80", a cabeça dá lugar ao globo de discoteca (Foto: portal Terra)

Sósias de Lula e Dilma Roussef saem juntos pelas ruas do Recife (foto: portal Terra)

A fantasia de Google Maps é uma forma criativa que um grupo de amigos arrumou de não se perder na multidão (Foto: Blog do Curioso)

Google Maps passeia pelas ruas do Rio de Janeiro (Foto: Blog do Curioso)

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Posted in Datas Comemorativas at fevereiro 22nd, 2012. No Comments.

Todos querem tirar uma foto atravessando a Abbey Road

A foto que ilustra a capa do álbum “Abbey Road”, dos Beatles, pode ser considerada uma das mais famosas do mundo. Ela foi tirada por Iain Macmillan, que bateu seis poses enquanto os músicos atravessavam a rua do pacato bairro londrino de St. John Woods, amparados por um guarda que segurava o trânsito, às 11h30 da manhã do dia 8 de agosto de 1969. A quinta pose foi a escolhida por Paul McCartney para representar o álbum.

Capa do disco "Abbey Road" (1969)

Lançado em 26 de setembro do mesmo ano, o disco não só revolucionaria a música inglesa, mas também o turismo de St. John Woods. Muitos que visitam Londres reservam um dia para ir ao bairro cruzar a Abbey Road e registrar o momento com a câmera.

Turistas atravessando a Abbey Road

Grupo fantasiado de Power Rangers

Para exibir sua nova bicicleta dobrável, a fábrica inglesa Brompton resolveu reproduzir a foto dos Beatles:

Em 2010,  para promover o lançamento da série “I’m in the band”, o canal Disney Channel lançou a reedição de várias capas de discos famosos protagonizadas por crianças. Não poderia faltar Abbey Road:

Até carros já atravessaram a faixa de pedestres mais famosa do mundo. Em 2007, a Volkswagen lançou um anúncio do New Beetle reproduzindo a capa do álbum:

O próprio Paul McCartney parodiou a si mesmo ao lançar o disco “Paul is Live” (em português, “Paul ao vivo” ou “Paul está vivo”) em 1993, em cuja capa ele novamente aparece – dessa vez acompanhado apenas por um cachorro – atravessando a Abbey Road. O motivo da brincadeira foi um rumor que surgiu na época do lançamento do disco dos Beatles – e que até hoje rola na internet – de que Paul McCartney estaria morto. Segundo a fofoca, a capa dá pistas que sugerem a tragédia: John Lennon está vestido de branco, como um padre; Ringo Starr exibe um sobretudo fúnebre e George Harrison se veste como um coveiro, todo de jeans; Paul McCartney está descalço, como os cadáveres são enterrados; ele, que é canhoto, segura um cigarro com a mão direita; a placa do carro ao fundo é 281F, que pode ser adaptada para “28 – If”, que poderia sugerir que, se Paul estivesse vivo, teria, na época, 28 anos. E por aí vai… Em “Paul is Live”, ele desmente os boatos: está calçado, segura a coleira com a mão esquerda e a placa do carro agora é “51 IS”, que pode ser entendida como “Paul tem 51 anos”.

A Turma do Penadinho, de Maurício de Souza, lançou em 2006 uma história em quadrinhos sobre o boato da morte de Paul, e é claro que aproveitou para reproduzir a famosa foto. Os mais fanáticos podem inclusive encontrar 28 nomes de músicas dos Beatles durante a trama. A Turma da Mônica não ficou para trás: o roteirista Paulo Back divulgou em seu Facebook em 9 de fevereiro deste ano uma homenagem aos Beatles. Reparem na presença de Maurício de Souza, feliz da vida, encostado no fusquinha amarelo.

Outros personagens de desenhos animados que também já caminharam pela rua foram os Simpsons, em uma homenagem dos criadores da série aos garotos de Liverpool. A foto saiu na capa da revista “Rolling Stone” de novembro de 2002.

Conhecidos por imitarem fotos famosas, como já foi contado aqui no Blog do Curioso, Lego também têm uma versão de Abbey Road:

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Posted in Celebridades, Viagem at fevereiro 17th, 2012. No Comments.

Dinheiro irlandês homenageia craque de futebol

George Best foi o Pelé do futebol irlandês. Brilhou no time do Manchester United e na Seleção da Irlanda do Norte na década de 1960. Best chegou no Manchester United em 1963, quando tinha apenas 17 anos. Durante seis temporadas, o craque disputou 370 jogos, marcando 179 gols. A média foi de 2,06 gols por jogo, sendo que ele chegou a marcar seis em uma única partida, contra o Northampton. George Best ajudou o time a ganhar dois títulos nacionais e um Campeonato Europeu. Em 1968, no auge da carreira, recebia 1 mil cartas de fãs por semana e foi eleito o “Jogador Europeu do Ano”.

George Best, na época do Manchester United.

Na Seleção da Irlanda do Norte, a passagem de Best foi mais discreta, mas não menos ilustre. Apesar de ter marcado nove gols nos 37 jogos disputados, sua simples presença nos gramados já eletrizava o público.

George Best jogando pela Seleção da Irlanda do Norte.

Falecido em 2005 de cirrose hepática em sua terra natal, é notável o reconhecimento post-mortem dado ao craque. Antes que se completasse um ano póstumo, o aeroporto Belfast City foi renomeado para George Best. E o Ulster Bank emitiu 1 milhão de notas comemorativas de 5 libras com imagens do jogador vestindo as camisas dos times em que foi imortalizado. Ao contrário do que acontece no Brasil, alguns bancos privados da Irlanda são autorizados a emitir dinheiro. A pouca burocracia exigida pelo processo acaba facilitando homenagens a ídolos recentes e de apelo mais popular.

Criada como um presente para a população irlandesa local, a cédula acabou se tornando uma febre em todo o Reino Unido. Com a exceção de duas notas – uma dada a Barbara McNarry, uma das irmãs do ídolo, e outra ao seu pai, Dickie Best –, todo o lote foi vendido em cinco dias. Hoje, ainda há várias delas sendo vendidas no site e-Bay, a preços que variam de 9 a 100 libras, mas virtualmente é difícil saber quais são verdadeiras. Apenas dois dias após o lançamento das notas na Irlanda descobriu-se a venda de centenas de cédulas falsas. O Ulster Bank recomenda que os compradores verifiquem o número de série das notas: todas as genuínas começam com GB.

Apesar de ser o país do futebol, o Brasil nunca homenageou um craque em suas cédulas. O que geralmente se vê por aqui é a estampa do rosto de políticos, intelectuais e outros personagens relevantes para a história do país. Nosso país não retrata personalidades vivas no dinheiro nacional. O brasileiro que mais rápido recebeu uma homenagem foi o poeta Carlos Drummond de Andrade, cuja cédula foi lançada apenas 15 meses depois de sua morte. As notas de 50 cruzados novos circularam de 1989 a 1992.

Homenagem a Drummond 15 meses depois de sua morte

A Irlanda foi o primeiro país do mundo a homenagear um jogador de futebol em seu dinheiro. O dinheiro brasileiro traz atualmente animais da fauna. É, portanto, difícil imaginar uma homenagem ao Rei Pelé como George Best recebeu em seu país. Nem adianta reclamar. Segundo o Banco Central do Brasil, a escolha dos homenageados em cédulas não prevê a participação do público. É o próprio órgão que define o design das notas e as envia ao Conselho Monetário Nacional para aprovação.

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Posted in Cotidiano, Esporte at fevereiro 14th, 2012. No Comments.

James Bond: 50 curiosidades dos 50 anos de cinema

Há 50 anos, o primeiro filme de James Bond estreava nos cinemas. O personagem foi criado em 1953 por Ian Fleming, mas só chegou às telonas em 1962, em “007 Contra o Satânico Dr. No”.

Cartaz de "007 Contra o Satânico Dr. No" (1962)

De lá até hoje, foram lançados 22 filmes. O 23° (“007 – Skyfall”) está previsto para 9 de novembro deste ano. Para comemorar esse cinquetenário, o Blog do Curioso listou 50 curiosidades – somente para seus olhos:

Cartaz de "007 - Skyfall" (2012)

1) 007, o agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico MI-6, já foi interpretado por seis diferentes atores: Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig.

2) Onze diretores já assinaram a direção: Terence Young, Guy Hamilton, Lewis Gilbert, Peter R. Hunt, John Glen, Martin Campbell, Roger Spottiswoode, Michael Apted, Lee Tamahori, Marc Forster e Sam Mendes. John Glen é o recordista, com 5 no currículo.

3) Sean Connery ficou 12 anos sem interpretar James Bond. Ausente desde 1971, retornou em 1983, em “007 – Nunca Mais Outra Vez“. Ele foi convencido por sua mulher, Micheline, que foi também responsável pela escolha do título do filme (em inglês, “Never Say Never Again”).

4) O cineasta Steven Spielberg é fã declarado de James Bond. Sua série de filmes “Indiana Jones” é uma homenagem ao espião, e em “Tubarão” (1975) há cenas inspiradas em “007 Contra a Chantagem Atômica” (1965). Como retribuição, os roteiristas de Bond batizaram de “Jaws” (nome original do filme “Tubarão”) o vilão de dentes de aço de “007 – O Espião que me Amava” (1977). No filme, o personagem ainda mata um tubarão a dentadas.

5) George Lazenby, apesar de só ter atuado como James Bond uma vez (“007 a Serviço Secreto de Sua Majestade“, de 1969), foi quem mais provocou polêmicas. Quando Pierce Brosnan foi escolhido para viver o agente, ele declarou: “estamos nos anos 90 e as mulheres anseiam por um homem diferente, com características femininas. E isto, certamente, Brosnan possui”.

6) James Bond é conhecido por seu sucesso com as mulheres – em todos os filmes, há pelo menos uma “bondgirl” fatal. Além disso, o agente já mostrou ser fã da Playboy. Em “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade” (1969), ele furta uma revista de um advogado, e em “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971), é mostrado um cartão do “Playboy Club” na carteira de Bond.

7) A princípio, Sean Connery foi rejeitado para interpretar o agente secreto. Um executivo da produtora de filmes chegou a afirmar, referindo-se ao passado do ator: “Não vou exibir um filme estrelado por um estivador”.

8 ) Nos 18 filmes produzidos por Broccoli, 007 deu 166 beijos: 142 na boca, 9 no rosto, 2 no pescoço e 11 pelo corpo de suas conquistas. Foram cerca  de 9 beijos por filme.

9) “Bond, James Bond” – como se apresenta o personagem – é uma das frases mais conhecidas da história do cinema. Ela foi dita pela primeira vez aos 5min38s de “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962), o primeiro filme da série.Veja abaixo uma compilação:

10) O compositor do tema de James Bond, reconhecido até hoje pelo público, é Monty Norman. A música está presente em todos os filmes da série. Norman recebeu uma ninharia por aquela que se tornaria uma das mais famosas trilhas do cinema, que vendeu mais de 25 milhões de discos em todo o mundo.

11) No primeiro filme da série, Ian Fleming ofereceu o papel de Dr. No para o ator Noel Coward, que respondeu: “Dr. No? No! No! No!”.

12) Em “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962), James Bond admira o quadro “Duque de Wellington”, de Francisco de Goya, no quartel-general de Dr. No. Na época, a obra havia sido roubada, e a cena sugeria que o vilão do filme teria sido o responsável pelo crime.

13) Desde que Sean Connery pediu um Martini batido (e não mexido) com vodca (e não gim) no primeiro filme da série, a popularidade do gim começou a cair. Ele exigia que seu drinque fosse feito com “a genuína vodca russa Smirnoff”, provavelmente uma jogada de marketing.

14) O biquíni branco usado pela atriz Ursula Andress em “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962) foi leiloado em 2001 por 60 mil dólares. O traje de banho mais famoso da história do cinema gerou polêmica na Itália – quando o filme foi lançado, o Vaticano divulgou um comunicado expressando sua desaprovação à posição moral do roteiro.

15) Na época em que atuou como James Bond (1995 a 2002), Pierce Brosnan podia participar também de outros filmes. Em seu contrato, só era proibido que ele aparecesse em cena vestido de smoking.

16) Para erguer o vulcão que serviu de quartel-general ao vilão Blofeld em “007 – Só se Vive Duas Vezes” (1967), gastou-se 1 milhão de dólares, o equivalente a 5 milhões de dólares hoje. Trata-se de 11% do que foi gasto em toda a produção – incluindo despesas de viagem ao Japão e cachês dos atores.

17) O ponto alto de “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974) é o salto de 360 graus de um carro sobre uma ponte semidestruída. A cena foi projetada pelo coordenador de dublês Jay Mulligan com o auxílio de estudantes da Universidade de Cornell e engenheiros da empresa televisiva AMC. Amparado por várias ambulâncias, o dublê Bumps Willard, que estava dentro do carro, se saiu bem de primeira, e a cena não teve de ser refilmada. Confira:

18) Viver James Bond nos cinemas é uma maratona. Com locações em diversas partes do mundo e inúmeras cenas de ação, as jornadas de trabalho dos protagonistas duram em média 14 horas.

19) Em “007 – Na Mira dos Assassinos” (1985), pela primeira vez, uma amante de James Bond aparece por cima nas cenas de sexo. Quem atropela os valores machistas do espião é a vilã May Day.

20) George Lazenby acusou Diana Rigg, seu par romântico em “007 a Serviço de Sua Majestade” (1969), de comer alho propositadamente antes de atuarem juntos em cenas de amor.

21) Daniel Craig começou a interpretar o agente aos 37 anos, em “Cassino Royale”, de 2005. Sua escolha causou polêmica: ele é loiro, enquanto James Bond é tradicionalmente moreno. O ator nasceu 6 anos depois da estreia do primeiro filme da série.

22) Para Ian Fleming, o filme ideal de James Bond seria dirigido por Alfred Hitchcock e estrelado por Cary Grant. Ele mudou de ideia assim que viu Sean Connery em “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962).

23) Em “007 – Somente para seus Olhos” (1981), filmado na Espanha, garotas de biquíni aproveitam o sol ao mesmo tempo em que camponeses colhem azeitonas. Aos mais observadores, trata-se de um erro duplo: além de não haver cultivo de oliveiras nos arredores de Madri, as azeitonas só são colhidas no inverno, a temperaturas de cerca de 5° C.

24) Na primeira cena de luta de “Casino Royale” (2005), Daniel Craig levou um soco e acabou perdendo dois dentes.

25) As músicas tema dos filmes da série são disputadas entre os artistas do momento. Já gravaram canções de 007 nomes como Paul McCartney, A-Ha, Tom Jones, Tina Turner, Madonna, Garbage, Nancy Sinatra, Duran Duran, Sheryl Crow e Carly Simon.

26) Elton John declarou que a música tema de Madonna para “007 – Um Novo Dia Para Morrer” (2002) não tinha melodia. E ainda completou: “Eles deveriam ter me contratado. Não é a melhor gravação de Madonna e digo isso como um fã dela”. A amizade dos dois acabou aí. Veja se você concorda com Elton John:

27) 007 é a série de filmes mais lucrativa da história do cinema: todos juntos já arrecadaram 12 bilhões de dólares.

28) 007 Contra o Foguete da Morte“, de 1979, teve várias cenas filmadas no Brasil. As Cataratas do Iguaçu foram mostradas como parte da Amazônia… Que gafe! O bondinho do Pão-de-Açúcar, no Rio de Janeiro, também foi cenário para o filme. Veja a cena:

29) 007 Contra a Chantagem Atômica” (1965) era para ser o primeiro filme da série. Ele começou a ser produzido no fim dos anos 50, mas Kevin McClory, um dos autores da história, processou Ian Fleming por não dar-lhe créditos autorais. Por conta da briga judicial, o filme só foi lançado depois de outras três aventuras de James Bond.

30) Por muito pouco, “Moscou Contra 007” (1963), segundo filme de Sean Connery, não foi também seu último. Em uma cena de perseguição ao agente por um helicóptero, o ator – que realizava uma cena perigosa sem dublês – quase foi morto por um piloto inexperiente que voou baixou demais.

31) O agente 007 sempre recebe uma missão de “M”, seu superior no Serviço Secreto. Houve apenas uma exceção: em “007 Somente para seus Olhos” (1981), o personagem foi retirado do roteiro, em homenagem a Bernard Lee, ator que havia vivido “M” nos 11 filmes anteriores e morreu subitamente durante as gravações do 12°.

32) Na cena de “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962) em que uma aranha anda no braço de Bond é possível perceber que ela está sobre uma superfície lisa. Trata-se da proteção de vidro que a separa do ator Sean Connery.

33) Roger Moore não saiu ileso dos 12 anos em que interpretou James Bond. Em “007 – Viva e Deixe Morrer” (1973), quebrou um dente em uma cena de perseguição em uma lancha, e em “007 Contra Octopussy” (1983), cortou a mão e deslocou um ombro.

34) Em ”007 – Viva e Deixe Morrer“ (1973), James Bond usa um relógio Rolex equipado com um poderoso ímã para abrir o vestido de Miss Caruso. Nesta cena, um membro da produção ficou agachado junto ao chão esticando o vestido da atriz para que o zíper corresse sem problemas.

35) No filme “007 Contra Goldeneye” (1995), Bond abandona sua marca favorita de champanhe, a Dom Perignon, e a troca pela concorrente Bollinger La Grande Année.

36) No cinema, a Smersh, órgão político de retaliação composto basicamente por russos, deu lugar à Spectre, tipo de sindicato freelancer do crime. Essas duas organizações fictícias são os principais inimigos de James Bond.

37) Nas filmagens de “007 – Viva e Deixe Morrer” (1973), um jacaré mordeu o calcanhar do dublê de Roger Moore, Ross Kananga, durante uma cena em que James Bond salta em um rio pisando sobre os animais. A sorte dele foi a grossa bota que estava usando, que impediu que ele se ferisse.

38) Avaliada em 180 mil reais, a pistola dourada usada em “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974) foi roubada do estúdio onde era guardada, em Hertfordshire, na Inglaterra, em 2008.

À esquerda, a pistola dourada.

39) Em 2009, a revista “Entertainment Weekly” escolheu James Bond o melhor herói de Hollywood de todos os tempos, na frente de Indiana Jones, em segundo lugar, e do Homem-Aranha, em terceiro.

40) Irvin Allen, que interpretou o vilão de “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade” (1969), foi preso e indiciado como principal suspeito do assassinato de sua mulher, a tailandesa Chamlong, morta a facadas.

41) James Bond enfrentou adversários de todos os tamanhos. Em “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974), ele luta contra Nick Nack, de apenas 1,10 metro. Já em “O Espião que me Amava” (1977) e “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), o vilão Richard Kiel tem 2,20 metros.

42) James Bond é viúvo. Em “007 a Serviço Secreto de Sua Majestade” (1969), ele se casa com Teresa, condessa di Vicenzo, assassinada no início da lua de mel.

43) A cena de “007 – Viva e Deixe Morrer” (1973) em que uma lancha atravessa uma festa de casamento e estraçalha o bolo foi filmada três vezes. Nas duas primeiras, ela se chocou contra árvores ao redor.

44) Carolyn Cossey, atriz que aparece na piscina em “007 – Somente Para Seus Olhos” (1981) já foi um homem. Ela se chamava Barry, até mudar de sexo, em 1972.

45) Em janeiro de 2012, o National Motor Museum, da Inglaterra, inaugurou a exposição “Bond in Motion”, com 50 carros usados nos filmes de James Bond, desde 1962.

A exposição "Bond in Motion"

46) O 23º filme da série (“007 – Skyfall”), de orçamento de 230 milhões de dólares, está previsto para estrear no Brasil em 9 de novembro deste ano. O vilão é interpretado pelo espanhol Javier Bardem.

47) Pela primeira vez na história, um vencedor de Oscar está na direção de um filme de James Bond. “007 – Skyfall” é de Sam Mendes, que ganhou o prêmio por “Beleza Americana” (1999).

48) Em entrevista à revista “Men’s Journal”, o ator Daniel Craig assumiu não gostar da preparação física pela qual precisa passar para viver James Bond nos cinemas: “o que você está fazendo com a sua vida se você gasta 3 horas do dia fazendo ginástica?”.

49) Apesar do sucesso da série, o único Oscar de James Bond foi conquistado por “007 Contra Goldfinger” (1964), na categoria Efeitos Especiais.

50) Em comemoração ao aniversário, a Fox e a MGM lançaram uma caixa inédita com os 22 filmes da série em Blu-Ray, além de 130 horas de material extra. No Brasil, a relíquia estará disponível em 31 de outubro deste ano e custará em torno de 700 reais. Confira o trailer:

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Posted in Cinema, Listas at fevereiro 13th, 2012. No Comments.

Coca-Cola foi, por 36 anos, refrigerante com cocaína

O americano Martin Kemp, professor de História da Arte da Universidade de Oxford, acaba de lançar  o livro “Christ to Coke” (em português, “De Cristo à Coca”), ainda inédito no Brasil. Nele, Kemp faz uma análise histórica de marcas “mega-famosas” e seu poder de permanência na sociedade ao longo de gerações. Um dos capítulos é dedicado à Coca-Cola, o refrigerante mais consumido do mundo.

A Coca-Cola foi formulada pelo farmacêutico norte-americano John Stith Pemberton, com o objetivo de aliviar as dores das feridas que sofreu durante a Guerra Civil. Ele já estava viciado em morfina, e procurava uma fórmula mais leve que, proporcionando sensação de alívio semelhante, o livrasse do perigoso hábito. Em 1869, Pemberton inventou a “French Wine Coca” (em português literal, “coca de vinho francês”), que continha álcool e… cocaína.

Anúncio da "French Wine Coca"

Na época, o extrato não era ilegal ou considerado droga – era um estimulador potente do sistema nervoso central, usado por índios nativos americanos. Em 1885, o álcool foi retirado da bebida, por pressão do governo local. Para substituí-lo, Pemberton adicionou extrato de noz-de-cola e xarope de açúcar. Em 1886, a bebida foi batizada com o nome de Coca-Cola – afinal, seus principais ingredientes eram cocaína e noz-de-cola.

Inicialmente, a Coca-Cola era vendida em copos, enchidos diretamente da fonte de produção. Pemberton prometia uma série de benefícios e curas aos consumidores. O sucesso do “santo remédio” foi tanto que, em 1894, iniciou-se a produção em garrafas. Nessa época, os direitos da marca já tinham sido vendidos a Asa Candler, que ficou milionário ao provar que a bebida tinha grande potencial de mercado.

A cocaína teria sido retirada por volta de 1905 (36 anos depois de sua invenção), época em que as autoridades de saúde começaram a questionar a segurança do ingrediente. Com a substituição da droga por uma dose extra de cafeína e ainda mais açúcar, foi lançado o slogan “Coca-Cola: renova e sustenta”. Antes disso, o refrigerante usava: “Coca-Cola: o tônico cerebral ideal”.

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Posted in Invenções, Propaganda at fevereiro 10th, 2012. No Comments.

História das logomarcas: Mastecard, Pepsi e Coca-Cola

Continuando a série história das logomarcas, hoje vamos com  Mastercard, Pepsi e Coca-Cola.

A Mastercard foi fundada com o nome de Interbank Card Association em 1966 por 17 banqueiros que buscavam aceitação recíproca de seus cartões de créditos. Vem desse primeiro nome a letra “I” presente no logo inaugural da empresa. Em 1969, o grupo passou a se chamar Master Charge e a logomarca assumiu a forma que daria origem à atual (dois círculos em intersecção, que remetem à reciprocidade almejada pela empresa). O “I” continuou lá, no cantinho, para que os clientes reconhecessem que se tratava da mesma companhia.

Só em 1979 o nome MasterCard foi adotado e a letra “I” permanentemente banida. Desse último até o logo atual, poucas alterações: realce das cores, mudança da fonte da letra para itálico e adição de linhas no espaço de intersecção, “que reforçam a ideia de cooperação entre múltiplos bancos”.

A Pepsi foi criada em 1898 pelo farmacêutico norte-americano Caleb Bradham. Inicialmente chamada de Brad’s Drink, o nome da bebida foi logo alterado para Pepsi-Cola, registrado em 1903 e nunca mais mudado. Nos primeiros anos, as logomarcas foram criadas e alteradas pelo próprio Caleb, até que, em 1933, com a venda da marca para a Loft, Inc., a companhia assumiu a função.

Na década de 1940, quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, foram lançadas edições especiais do refrigerante com seu logo envolto em um globo com as cores azul, branca e vermelha – as da bandeira norte-americana. O sucesso foi tanto que em 1950 esse desenho foi incorporado ao logo oficial. Hoje, ele representa sozinho a marca Pepsi – é tão marcante que não é mais necessário agregar o nome ao símbolo.

Fundada em 1886, a Coca-Cola – e, consequentemente, sua logomarca – tem uma longa história. A fonte usada na logomarca que vemos hoje no refrigerante mais famoso do mundo não foi sempre a mesma. Na primeira vez que apareceu escrito, em uma propaganda do Atlanta Journal Constitution de 23 de maio de 1886, o nome “Coca-Cola” parecia ter sido datilografado em uma máquina de escrever. Foi só em 1892 que a marcante letra cursiva começou a estampar a bebida. Dessa data até meados dos anos 20, é possível encontrar pequenas variações entre os desenhos, já que eram todos feitos a mão.

Ao longo do século XX, o logo da Coca-Cola sofreu discretas modificações. Na década de 1950, com a cor vermelha já adotada, adicionou-se um contorno em formato de peixe. Nos anos 60, surgiu a onda abaixo do nome Coca-Cola, que contribuiu para fixar a identidade da marca. A fonte característica do logo só foi modificada uma vez, em 1985, como parte de uma nova estratégia de marketing da empresa. A moda não pegou, o consumo caiu e em 1987 a letra cursiva, como vemos hoje em dia, já voltava a aparecer no mercado.

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Posted in Invenções, Listas at fevereiro 9th, 2012. 1 Comment.

Quando o Carnaval foi adiado

Com a greve dos policiais militares na Bahia e a onda de violência que tomou conta de Salvador, surgiram boatos hoje de manhã de que o governador Jaques Wagner estaria cogitando adiar o Carnaval deste ano. Em coletiva de imprensa, o governador se apressou em negar  a intenção. Há dois motivos históricos que mostram que foi uma decisão acertada.

Outras duas vezes na história do país a festa mais esperada do ano sofreu mudança de calendário. A primeira foi em 1892, quando o ministro do Interior tentou mudar a data da festa para 26 de junho. Segundo o ministro, o evento gerava muito lixo, e junho era um mês mais “saudável” que fevereiro. O povo, indignado com a atitude do ministro, ignorou a sentença e pulou dois carnavais – um no verão e outro no inverno.

Em 1912, mais uma tentativa frustrada de mexer com a folia do brasileiro: por causa da morte do Barão do Rio Branco, em 10 de fevereiro daquele ano, o governo determinou que os bailes de Carnaval fossem adiados para o dia 6 de abril. Mais uma vez, o povo não se abalou: pulou duas vezes e ainda entoou uma marcha improvisada para ridicularizar a situação: “Com a morte do Barão tivemos dois Carnavá / Ai, que bom, ai, que gostoso / Se morresse o marechá”. O “marechá”, no caso, era o atual presidente Hermes da Fonseca.

Capa do Jornal do Brasil no dia da morte do Barão

O episódio de 1912 é detalhado no livro “O Dia em que Adiaram o Carnaval”, de Luís Claudio V. G. Santos, lançado em 2010 pela Editora Unesp. Segundo o autor, uma multidão de luto saiu pelas ruas para velar a morte do herói nacional. Isso não impediu, porém, que uma semana depois já estivessem todos vestidos em fantasias coloridas.

Multidão de luto no Rio de Janeiro

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Posted in Brasil, Datas Comemorativas at fevereiro 7th, 2012. 2 Comments.

As mais belas livrarias do mundo

Em plena era digital, muitas livrarias parecem não temer a onda da compra de exemplares pela internet.  O site Flavorwire divulgou uma lista com os mais belos recintos dedicados aos amantes da leitura. São 20 espaços de arquitetura e design sofisticados que certamente inspiram seus visitantes a se desgrudarem do tablet para folhear as boas e velhas páginas de papel.

Da lista, eu só conheço as duas representantes sul-americanas:  a majestosa argentina El Ateneo e a paulistana Livraria da Vila da Alameda Lorena. No ano 2000, o Teatro Grand Splendid, inaugurado em 1919, e que sete anos depois já vinha sendo usado como cinema, foi transformado em livraria e virou uma das mais procuradas atrações turísticas de Buenos Aires. O palco onde Carlos Gardel apresentou seus famosos tangos é hoje um charmoso café, que ainda preserva a pesada cortina vermelha. O jornal britânico The Guardian classificou, em 2008, a livraria argentina como a segunda mais bonita do mundo, ficando atrás somente da gótica Boekhandel Selexyz Dominicanen, na Holanda.

Livraria El Ateneo

Livraria El Ateneo

O que chamou a atenção de Emily Temple, redatora da reportagem, na brasileira Livraria da Vila foi o fato de ela parecer ter sido inteiramente feita de livros – inclusive a porta de entrada. A rede foi inaugurada em 1985  no bairro paulistano da Vila Madalena. A unidade da Alameda Lorena  comporta cerca de 22 mil títulos. Quase metade do estoque é dedicado às crianças, que contam com uma sala temática especial no piso inferior.

Porta de entrada da Livraria da Vila

Livraria da Vila: área reservada para crianças

A campeã na lista do The Guardian e uma das mais chamativas do artigo do Flavorwire é a holandesa Boekhandel Selexyz Dominicanen. O nome sofisticado faz jus ao ambiente: a livraria foi montada em 2007 dentro de uma exuberante igreja dominicana do século XII que há anos encontrava-se abandonada, servindo de depósito de bicicletas. O contraste da estrutura gótica da igreja com a decoração interior moderna dá um charme extra à ideia que, por si só, já atrai curiosos.

Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen

Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen

A atual sede da portuguesa Livraria Lello foi inaugurada em 1906. A fachada art nouveau do endereço esconde um interior riquíssimo em rebuscamento e detalhes. Não deve ser fácil se concentrar nos livros quando as estantes estão distribuídas em volta desta impressionante escadaria. Se ficar desconcertado, olhe para o teto: a construção abriga ainda um vitral trabalhado contendo a letra “L” e a inscrição “Decus in Labore” (em português, “dedicação ao trabalho”).

Fachada da Livraria Lello

Escadaria da Livraria Lello

Vitral da Livraria Lello

Ao mesmo tempo um restaurante e uma livraria, a Cook & Book tornou-se uma das principais atrações turísticas de Bruxelas, na Bélgica. Prezando pela excentricidade, a livraria tem livros pendurados no teto e o restaurante abriga mesas em formato de carros antigos. O espaço é dividido em salas temáticas (viagem, quadrinhos, estilo de vida, arte, música, ficção, culinária e literatura inglesa), e em cada uma delas há experiências tanto literárias como gustativas.

Livraria Cook & Book

Livraria Cook & Book

Na Cafebreria El Péndulo, no México, as plantas invadem as prateleiras. O ambiente não abriga apenas livros – inspira novos talentos da música e da arte mexicana, que apresentam suas obras em torno de uma concorrida lanchonete. No cardápio, não poderiam faltar os pratos vegetarianos, especialidade da casa.

Cafebreria El Péndulo

Cafebreria El Péndulo

As crianças chinesas podem se gabar de ter só para elas uma das mais bonitas livrarias do mundo. Mais de 3 mil exemplares ilustrados preenchem as salas da Poplar Kids Republic, projetadas para que os pequenos e seus pais passem tardes confortáveis na companhia dos livros. O espaço, de design clean e moderno, também oferece outras atividades infantis, como cursos de arte e recreação.

Livraria Poplar Kids Republic

Livraria Poplar Kids Republic

Confira aqui a reportagem completa do site Flavorwire.

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Posted in Listas, livros at fevereiro 7th, 2012. 1 Comment.

O hotel do milésimo gol do Rei Pelé

O Hotel Novo Mundo foi fundado em 1950 e, daquela época até os dias de hoje, é considerado um dos mais tradicionais da cidade do Rio de Janeiro. Localizado no coração da Praia do Flamengo, o Novo Mundo já hospedou célebres brasileiros, como o ex-presidente Lula, a apresentadora  Angélica, o cantor Cauby Peixoto e o Rei Pelé.

Clássico por fora e moderno por dentro, o hotel guarda, quase escondido em um lounge da recepção, uma grande história: foi lá que o rei do futebol dormiu na noite em que marcou seu milésimo gol, contra o Vasco, no Maracanã, em 19 de novembro de 1969. Mais do que isso:  Pelé sempre se hospedava no Novo Mundo quando ia ao Rio de Janeiro. Por isso, o hotel mandou produzir uma placa de bronze com a caricatura do jogador – de coroa e tudo! Presa em uma parede ao lado da máquina de café, a obra está exposta aos hóspedes mais observadores.

Fachada do Hotel Novo Mundo

Interior moderno do Hotel Novo Mundo

Lounge com homenagem a Pelé

Placa de bronze em homenagem ao milésimo gol de Pelé

Há hoje apenas um funcionário que está trabalhando no Novo Mundo desde aquela época. O barman Antonio Martins, um senhor português de 76 anos, chegou ainda jovem ao Rio, em 1957. Nesse mesmo ano, Pelé, um adolescente de apenas 17 anos, começou a se hospedar lá. O rapaz tinha acabado de ingressar no time do Santos, que se concentrava no Novo Mundo quando ia à cidade disputar o Torneio Rio–São Paulo.

Pelé com 17 anos

Pelé costumava ficar no quarto 1005, no 10° andar, que tinha um terraço com a vista para a praia. De 1967 a 1968, quem dividia o espaço com o Rei era o meia-atacante mineiro Buglê, seu companheiro no time do Santos. O hotel, que ficou famoso por hospedar o craque, juntava  em sua porta fãs e repórteres sedentos por uma foto. Pelé era discreto, e só de vez em quando aparecia na sacada, para, com um aceno, arrancar gritos do público. Foi em uma dessas muvucas que surgiu seu apelido mais famoso. Em 1958, logo depois que o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, jornalistas franceses chegaram ao hotel gritando: “Onde está o rei”? O apelido pegou.

Até o fim de sua carreira no Santos, em 1974, o Hotel Novo Mundo abrigou o craque. Nesse ano, ele foi para Nova York jogar no Cosmos, mas, quando visitava a Cidade Maravilhosa, ainda se hospedava no Novo Mundo. Martins não se lembra ao certo quando foi a última vez que recebeu Pelé no restaurante, mas tem certeza de que ele não era mais jogador de futebol – já atuava como empresário.

Quanto aos mimos, o experiente barman jura que o craque não recebia tratamento especial: “Ele comia o mesmo que todo mundo. Na cozinha, a gente seguia as ordens dos diretores da equipe”. Prezando pela discrição, Pelé nunca foi visto consumindo bebida alcoólica no hotel. Segundo Martins, a exceção não foi quebrada nem na noite de seu milésimo gol: “Só servi drinques aos amigos de Pelé – a ele, nunca!”.

(com colaboração e fotos de Julia Bezerra)

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Posted in Esporte at fevereiro 3rd, 2012. 1 Comment.

O Futebol e a Segunda Guerra Mundial

A Copa do Mundo foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928. Ele foi o terceiro presidente da FIFA e teve um mandato de 33 anos (1921-1954). A primeira competição foi disputada em 1930 no Uruguai e deveria ser repetida a cada quatro anos.  Uma década depois do primeiro confronto, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o evento foi interrompido. A edição de 1942, que seria realizada no Brasil, e a de 1946 oficialmente não existiram. Porém, a guerra não impediu que campeonatos de futebol fossem disputados nesse período. Sobre isso o jornalista Luciano Pires, editor do Bauru Ilustrado, me escreveu certa vez, relatando algumas fatos curiosos daquele período.

Este foi o que mais me chamou a atenção. Na fase final do combate, entre o fim de 1944 e o início de 1945, quando a guerra estava praticamente definida e já não havia tantas batalhas com as quais se preocupar, os comandos dos exércitos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética), que lutavam contra a Alemanha nazista, se juntaram para bater bola, organizando um campeonato entre os países do grupo. A Força Expedicionária Brasileira (FEB), integrante do 5º Exército Americano, não ficou de fora, cedendo soldados jogadores ao time.

Soldados da FEB

Destacou-se o lateral Bidon, que tinha sido titular do São Cristóvão, time carioca da Primeira Divisão, que disputava na época o título com os grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Foi também convocado o meia-esquerda Perácio, um dos maiores ídolos da história do Botafogo (RJ), que havia sido titular da Seleção Brasileira na Copa de 1938, na França. Walter, ponta-esquerda da categoria de base do Corinthians, também teve a chance de participar do campeonato. Há registros de que o goleiro reserva do time também tinha sangue brasileiro. O time do 5ª Exército Americano reforçado foi o campeão.

Perácio, em 1938, na Copa da França

A participação do futebol na 2ª Grande Guerra não para por aí. A nação ucraniana, que em sua história sofreu abusos tanto da ocupação stalinista quanto da nazista, fez uso do esporte para tentar amenizar a situação. Em 1942, as autoridades nazistas permitiram a realização de um campeonato de futebol no país para ganhar a simpatia do povo. A população faminta e em processo de dizimação viu no esporte um momento raro de alegria, quando o time Start FC, antigo Dínamo de Kiev, ganhou todos os jogos. Dois deles foram disputados contra equipes alemãs: no dia 17 de julho, os ucranianos venceram o time de uma unidade militar por 6  x 0 e, em 6 de agosto, o da Luftwaffe SV Hamburg (da Força Aérea Alemã) por 5 x 1. O resultado irritou os nazistas, que pediram revanche.

Start FC (1942)

No dia 9 de agosto, como o estádio Zenit lotado, os jogadores do Start FC se transformaram em heróis nacionais ao repetirem a façanha: 5 x 3 sobre os alemães. O lamentável da história é que não tenha sido respeitado o fair play: os jogadores ucranianos acabaram presos e torturados pela Gestapo, a polícia secreta nazista, com a desculpa de serem filiados à NKVD, a polícia secreta soviética. Na verdade, essa filiação era apenas uma formalidade para que pudessem jogar futebol durante a ocupação stalinista. Nikolai Korotkykh, Nikolai Trusevich, Ivan Kuzmenko e Alexei Klimenko foram mortos na tortura. O restante do time ganhou sequelas que impossibilitaram sua volta aos campos de futebol. Esse último confronto ficou conhecido como “O Jogo da Morte”.

A Partida da Morte (1942)

O “Jogo da Morte” foi contado em livro, pelo escocês Andy Dougan. Lançado no Brasil em 2004 pela Editora Jorge Zahar, “Futebol e Guerra” desmistifica a história por trás do embate entre os times rivais (tanto nos gramados como nos campos de batalha). Além de destacar a importância do futebol para o povo ucraniano, o autor expõe a tragédia da ocupação nazista e seus efeitos sobre a população local. No mesmo ano, o jornalista fluminense Roberto Sander lançou, pela Editora Bom Texto, “Anos 40 – Viagem à Década Sem Copa”. No livro, ele conta histórias de talentos brasileiros revelados nessa época, como Leônidas da Silva e Heleno de Freitas. Mesmo alheia aos acontecimentos esportivos, pode ser considerada uma década de ouro para o futebol.

O episódio acabou chegando até Hollywood. O diretor John Huston se inspirou nele para rodar o filme “Fuga para a Vitória” (1982), com Sylvester Stallone e Pelé – o craque brasileiro faz o papel de um prisioneiro de guerra natural de Trinidad e Tobago. Veja abaixo a cena do jogo, com direito a gol – é claro – de Pelé (ôps, desculpe o spoiler!):

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Posted in Esporte at fevereiro 2nd, 2012. 2 Comments.