Nesses quase trinta anos como “curioso profissional”, eu já respondi a inúmeras questões inusitadas. Mas ninguém nunca me perguntou “quem inventou a curiosidade?”. Até que encontro esse diálogo escrito por Agatha Christie em “Os elefantes não esquecem”, de 1972, seu penúltimo livro. “Ele”, no caso, é o detetive Hercule Poirot.
— Curiosidade humana… Uma coisa tão interessante. – ele suspirou. — E pensar que devemos muito a ela por toda a história. Curiosidade. Não sei quem inventou a curiosidade. É normalmente associada aos gatos. A curiosidade matou o gato. Mas eu diria que os gregos foram os inventores da curiosidade. Eles queriam saber. Antes deles, até onde consigo ver, ninguém queria saber muito. Só queriam saber quais eram as regras do país em que viviam e como poderiam evitar serem decapitados ou empalados numa lança ou que algo desagradável acontecesse a eles. Mas ou obedeciam ou desobedeciam. Não queriam saber por quê. Mas, desde então, muita gente quis saber por quê, e todo tipo de coisa aconteceu por causa disso. Barcos, trens, máquinas voadoras, bombas atômicas, penicilina e a cura de diversas doenças. Um garotinho observa a tampa da chaleira se erguer por causa do vapor. E quando menos se espera temos trilhos de trem, o que consequentemente acaba gerando greves de maquinistas e todo o resto. E assim por diante.