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Como agem os chupins da internet

Dias atrás, fiz uma pesquisa na internet para ver se conseguia encontrar uma caixa do panetone Caribe. Não tive sorte, estava tudo esgotado. Só que o algoritmo me enxergou como um apreciador de panetones. Resultado: ontem, recebi em poucos minutos um mesmo meme de três pessoas diferentes, dois americanos e uma brasileira. Em todos eles, o “influenciador” abre a caixa, amassa o panetone com as duas mãos até ele ficar fino como um pão de hambúrguer e come como se fosse um sanduíche. A piada era que a caixa diz que o panetone serve dez pessoas, mas, depois de um dia difícil, o jeito era comer sozinho. Não sei quem criou o meme, é bem possível que não tenha sido nenhum dos três. Acho um horror vídeos de gente estragando comida. Pior: essa história de copiar e reproduzir uma mesma ideia é cada vez mais frequente no mundo digital. Isso me fez lembrar uma palavra que não usava há bastante tempo: chupim.

O chupim (Molothrus bonariensis) é um pássaro pequeno e bem discreto. Sua fama vem de um hábito curioso — e nada nobre. Em vez de construir o próprio ninho, o chupim põe seus ovos nos ninhos de outros pássaros. Deixa que os “donos da casa” façam todo o trabalho: chocar, alimentar, proteger. Muitas vezes, o chupinzinho ocupa todo o espaço, empurrando os verdadeiros filhotes para fora do ninho. Ou seja: ele se beneficia do esforço alheio.

Na internet, o comportamento não é tão diferente. Há os verdadeiros criadores, que pesquisam, escrevem, desenham, gravam, experimentam. Constroem seu ninho com esforço, criatividade e dedicação. E existem também os “chupins digitais”: gente que simplesmente copia as ideias alheias. Sem dar crédito e sem fazer esforço. Apropriam-se do conteúdo como se tivesse brotado deles, colhendo likes por algo que jamais produziram. Criar exige tempo. Mas isso não é da conta desse aproveitador.

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