No começo da semana passada, os principais portais informaram que a edição histórica do jornal satírico francês Charlie Hebdo, lançada em homenagem aos cartunistas mortos por terroristas muçulmanos em Paris, chegaria ao Brasil nesta segunda-feira (26). Só que, em seguida, os brasileiros souberam por uma notícia publicada pelo jornal “O Globo” que as vendas haviam sido canceladas. Na tarde de hoje, o Blog do Curioso apurou que a edição especial de Charlie Hebdo, com uma ilustração do profeta Maomé chorando na capa, chegará amanhã, dia 29, às principais lojas das livrarias Cultura e Saraiva e em algumas bancas da cidade de São Paulo e, na próxima semana, em 15 capitais brasileiras. jornal satírico francês Charlie Hebdo “Houve algum desencontro nas informações”, afirma Bruno Tortorello, diretor-geral da Dinap, distribuidora vinculada à Editora Abril, que fará a logística de entrega dos 10 mil exemplares que serão vendidos no país. Cada exemplar custará R$29,90. “Uma estimativa errada do prazo de entrega nos atrapalhou, apesar de o serviço aduaneiro ter trabalhado como o esperado”. O atraso causou temor na supervisora comercial Regina Marcondes, que está cuidando da distribuição da edição do Charlie Hebdo na rede de livrarias Saraiva. No início da semana, era possível encontrar o jornal em pré-venda no site da Saraiva, mas o produto foi retirado do ar depois de algumas  horas – ainda assim alguns compradores conseguiram fazer a reserva. “Ficamos preocupados em não atender às expectativas dos clientes”, conta Regina. “Ainda bem que já tínhamos alguns exemplares disponíveis e pudemos preparar o envio”.
No site de comércio eletrônico Mercado Livre, vendedores já estão oferecendo a edição de Charlie Hebdo no Brasil. Os preços vão de 99 a inacreditáveis 15 mil reais. O valor aumentou quando saiu a notícia do cancelamento da venda.  Na França, o jornal custou 3 euros (algo em torno de 10 reais). A tiragem de 5 milhões de exemplares esgotou-se em apenas um dia. “Comprei quatro exemplares no ebay, paguei 500 reais no total e agora estou esperando que elas cheguem de navio até o dia 12 de fevereiro”, revela o potiguar Daniel Castro, 16 anos, que há 5 meses revende produtos importados no Mercado Livre. “Procurei o jornal na internet e vi que estavam pedindo muito dinheiro. Pensei que daria para ganhar um bom dinheiro por aqui”. Ele anunciou três exemplares por 1 000 reais cada um – o quarto será emoldurado e guardado. “Agora eu não sei bem como vai ser”, reclama.