“Cecê” é um termo racista? Não, não é. Esta versão nasceu num texto publicado em 1984, e que, de uns tempos para cá, se espalhou pelas redes sociais como se fosse verdade. Cecê (ou ce-cê) já está registrado nos principais dicionários brasileiros. Significa “cheiro de corpo”. De onde veio esse cheiro de corpo?
A inglesa Lever Brothers, hoje Unilever, criou o sabonete Lifebuoy em 1894. Lifebuoy significa boia salva-vidas porque o sabonete desinfetante e antisséptico prometia acabar com os germes e proteger contra doenças. Em 1930, o sabonete começou a usar em suas propagandas o termo “body odor” (odor corporal) ou apenas B.O. Esse “body odor” tinha sido criado onze anos antes pelo desodorante feminino Odo-Ro-No.
O sabonete Lifebuoy começou a ser vendido no Brasil no começo da década de 1940, usando o mote “asseio corporal”. Em 1946, a agência de publicidade Lintas resolveu utilizar a expressão que fazia sucesso lá fora. Traduzida obviamente. Coube ao publicitário Rodolfo Lima Martensen trocar o BO por CC. Cheiro de corpo, como vinha escrito na própria publicidade, para que as pessoas entendessem . Era CC com dois cês maiúsculos. Depois a palavra se popularizou e entrou para os dicionários como cecê. Uma das primeiras campanhas dizia: “Nada de CC comigo. Uso Lifebuoy”.
O sabonete Lifebuoy foi vendido no Brasil nas décadas de 1940, 1950 e 1960. Voltou apenas em 2010, mas por um período bastante breve. Ele ainda é vendido em alguns países, mas sem a força que tinha no passado.
