Carros brasileiros que já são peças de museu

Dá para dizer que a paixão dos brasileiros por carros começou na década de 1950, quando o presidente Juscelino Kubitscheck iniciou os investimentos na indústria automobilística do país, permitindo o surgimento dos primeiros modelos fabricados por aqui. Como era um ramo novo e experimental, muitos carros circularam por poucos anos, saindo logo de linha.  Ao longo dessa história, apareceram também carros curiosos, que hoje já são peças de museu. O Blog do Curioso relembra de alguns:

Romi-Isetta

O primeiro carro fabricado em série no Brasil foi o compacto Romi-Isetta, lançado pela empresa Romi no dia 5 de setembro de 1956. Com apenas 2,28 metros de comprimento e 350 kg, o carrinho ficou conhecido por só ter uma porta, dois lugares e três rodas (isso mesmo: duas dianteiras e uma traseira). O Romi-Isetta atingia 85 km/h, uma boa velocidade para seu tamanho. Era produzido numa fábrica em Santa Bárbara D’Oeste (SP), que fechou as portas em 1961 por problemas financeiros.

Chambord

A fábrica brasileira da empresa francesa Simca instalou-se no Brasil em 1958, em São Bernardo do Campo (SP). Em março de 1959, foi lançado nas ruas do país o primeiro Chambord, carro espaçoso de carroceria resistente, que chegava a 135 km/h. Era o mais luxuoso do mercado brasileiro. Ficou tão popular que foi adotado pelo Inspetor Carlos, do seriado de TV “O Vigilante Rodoviário”. Em 1967, a Simca foi comprada pela Chrysler, que cessou a produção do Chambord.

FNM JK 2000

Lançado em 21 de abril de 1960, o FNM JK 2000 foi o primeiro Alfa Romeo brasileiro. Batizado em homenagem ao presidente Juscelino Kubitscheck, o carro se destacou no mercado de luxo. Seu estilo seguia as tendências europeias de conforto: os encostos dos bancos dianteiros reclinavam até a horizontal. Em 1964, o regime militar exigiu a retirada da sigla JK do nome do carro. O então FNM 2000 atingiu seu pico de produção em 1970, deixando de ser fabricado somente em 1986.

Gordini

Em julho de 1962, a Willys Overland lançou o Gordini, carrinho compacto de apenas 4 metros de comprimento, que surpreendentemente exibia quatro portas. O carro foi um sucesso de crítica logo que chegou ao mercado, devido à sua potência (chegava a 130 km/h) e economia de combustível. Ganhou o apelido de “Teimoso” por vencer uma prova de resistência de 50 mil km no Autódromo de Interlagos. Mas também era chamado de “Leite Glória”, por ter baixa durabilidade (o slogan do leite em pó era “desmancha sem bater”). O último a ser fabricado foi o Gordini IV, em 1968, quando a empresa foi absorvida pela Ford.

Uirapuru

Chegou ao mercado em 1965. O modelo Uirapuru, um carro esportivo genuinamente brasileiro fabricado pela Brasinca, era um automóvel diferente, personalizado e com um desenho bem moderno para a época. Apenas algumas unidades foram fabricadas, mas o Uirapuru ficou marcado por ter atingido um feito até então inédito para carros populares no Brasil: chegou a 200 km/h no Autódromo de Interlagos (SP).

GTB

“Puma: o privilégio autenticamente brasileiro”. Era assim o slogan da fábrica que, em 1971, lançou no mercado do país o modelo de carro GTB, que combinava uma carcaça leve com uma mecânica sólida, atingindo até 170 km/h. O GTB marcou os anos 70 no Brasil, e ainda tem uma legião de fãs. A produção dos carros Puma sofreu um forte declínio na década de 1980, sendo totalmente interrompida em 1990.

SP2

Em 1969, Rudolph Leiding, presidente da Volkswagen do Brasil, deu início ao projeto genuinamente nacional de um carro esporte de carroceria leve. Lançado em junho de 1972, o resultado recebeu as iniciais da cidade de São Paulo, onde foi confeccionado. O SP, que também remetia à expressão inglesa “Sport Prototype” (“protótipo esportivo”), deu origem ao SP2, que atingia um máximo de 160 km/h, potência considerada fraca para a categoria. O SP2 foi o carro nacional de série mais baixo já produzido: media apenas 1,16 metros. Saiu de linha em 1976.

Fúria

O carro esportivo Fúria foi criado em 1976 pela Bianco (carroceria) e a Volkswagen (motor). Logo virou sensação dos autódromos; não por ser muito potente, mas pelo design refinado para a época. Quem o projetou foi Toni Bianco, que assinou também o projeto do primeiro carro nacional de Fórmula 3. Na década de 80, a fábrica da Bianco fechou suas portas.

Santa Matilde

Lançado em 1977, o Santa Matilde foi projetado pela filha de Humberto Pimentel, dono de uma fábrica de componentes ferroviários. Em 1975, o governo brasileiro proibiu a importação de automóveis. Isso fez com que a procura pelo GTB aumentasse, influenciando Humberto a montar um automóvel próprio. O carro foi apresentado no Salão do Automóvel de 1978, tornando-se objeto de desejo da alta sociedade. Chegou a custar mais que um Landau e o dobro de um Opala Diplomata, o que lhe rendeu o título de mais caro carro nacional. A produção do modelo começou a cair na década de 80. Em 1989, poucas unidades foram produzidas e, em 1997, apenas uma – o último Santa Matilde.

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Posted in Carro at maio 1st, 2012. 4 Comments.

As musas inspiradoras da MPB

Foi lançado no Brasil pela Editora Gutenberg, no mês passado, o livro “Músicas e Musas”, de Michael Heatley e Frank Hopkinson. Trata-se de uma compilação de 50 histórias de musas de canções famosas. Entre os casos, há detalhes sobre a disputa de George Harrison e Eric Clapton por Pattie Boyd, que inspirou clássicos como “Layla” (Clapton) e “Something” (Harrison); o conturbado relacionamento de Mick Jagger com a groupie Chrissie Shrimpton, que o fez compor “Under My Thumb”; e depoimentos da nossa já internacionalizada Garota de Ipanema, Helô Pinheiro.

A música brasileira – que dá apenas uma contribuição ao livro – é também repleta de musas inspiradoras. Apesar de nenhuma outra ter sofrido a repercussão mundial de Garota de Ipanema, muitas ficaram bem famosas por aqui. Todo brasileiro sabe que existe uma Anna Júlia e uma Carol Bela, mas o que motivou nossos músicos a comporem sobre elas? Descubra aqui no Blog do Curioso:

Anna Júlia – Los Hermanos
Lançada em 1999, a canção foi escrita por Marcelo Camelo, vocalista do Los Hermanos, com base na história do produtor da banda, Alex Werner. Na época em que cursava Direito na PUC (Rio de Janeiro), ele paquerava uma estudante de jornalismo chamada Anna Julia Werneck, de  21 anos, mas não se aproximava dela porque era muito tímido. Apenas mandava bilhetes pelos amigos. Depois que a música foi composta, Alex tentou uma nova aproximação. Os dois chegaram a ter um caso, mas o romance não engatou. A música, que a princípio não ia nem ser gravada, não podia ter dado mais certo – levou o primeiro álbum do Los Hermanos a conquistar um disco de platina. Anna Júlia ainda pode render mais inspirações: a garota namorou Patrick Laplan, ex-integrante do Los Hermanos, ex-baixista do Biquíni Cavadão e atual multi-instrumentista da banda Eskimo.

Anna Júlia Werneck

All Star – Nando Reis
A dona do All Star azul que Nando Reis não vê a hora de encontrar é a cantora Cássia Eller. Muito amigo da roqueira, Nando sempre a visitava em seu apartamento, que ficava no 12º andar do prédio Beverly Hills, no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Os amigos compunham juntos e Nando Reis adorava que suas músicas fossem interpretadas por ela. Apesar de frequentar muito sua casa, ao enviar-lhe uma carta, ele ficou surpreso por descobrir que não sabia o endereço dela. Está tudo na música: “Se o homem já pisou na lua, como eu ainda não tenho seu endereço? / o tom que eu canto as minhas músicas para a tua voz parece exato”. Cássia Eller morou lá até sua morte, em 2001. Nando Reis ainda guarda com carinho sua parte da herança: o All Star azul.

Cássia Eller

Carolina Carol Bela – Jorge Ben e Toquinho
A inspiradora foi Maria Carolina Whitaker. Na década de 60, a moça tinha o Bar Branco, na Rua Santo Antônio, no bairro paulistano da Bela Vista. Tanto o bar como sua casa, apelidada de “Solar da Paz”, costumavam ser frequentados por Jorge Ben – que adorava seus doces de banana e pães de queijo – e o então namorado de Carol, Toquinho. De brincadeira, os músicos, sentados no sofá, compuseram a canção para ela. O sonho de Maria Carolina sempre foi se tornar cantora. Ela ainda não o realizou, mas sua filha Céu está traçando um caminho bem-sucedido no cenário da música brasileira.

Maria Carolina Whitaker

Drão – Gilberto Gil
Sandra Gadelha ganhou o apelido “Drão” da cantora Maria Bethânia (a palavra vem do aumentativo de “Sandra”). Mas o nome se popularizou na música que Gilberto Gil fez para ela, que acabou virando um dos maiores sucessos de sua carreira. Os dois foram casados por 17 anos. O compositor escreveu a música em 1981, poucos dias depois da separação. A letra é uma parábola sobre o amor, que não morre – e sim, se transforma. Assim como o trigo, ele nasce, vive e renasce de outra forma. Há referências à cama de tatame onde o casal costumava dormir (“cama de tatame pela vida afora”) e aos três filhos frutos do relacionamento deles (“os meninos são todos sãos”). O curioso é que o próprio Gil era um dos poucos da roda de amigos que não chamava a mulher de Drão. Ele e Caetano a chamavam de “Drinha”.

Gil, Sandra e a primogênita Preta Gil

Lygia – Tom Jobim
Lygia Marina de Moraes, ex-mulher do escritor Fernando Sabino, conheceu Tom Jobim aos 21 anos, em 1968, no antigo bar Veloso, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Aconteceu um pequeno flerte no dia em que foram apresentados, mas não passou disso. Na época, Tom era casado. Mesmo assim, a “quase relação” acabou virando canção. Antes de saber do casamento de Lygia com Sabino, Tom pediu o telefone da moça ao amigo, que lhe passou o número errado. O episódio foi registrado na letra: “e quando eu lhe telefonei / desliguei, foi engano”. O maestro negou durante anos a identidade de sua musa. A revelação ocorreu em 1994, ano em que Lygia e Sabino se separaram. Um dado curioso: os olhos de Lygia são verdes, apesar de a letra dizer serem castanhos (“mas seus olhos morenos / me metem mais medo que um raio de sol”). Não foi um deslize de Jobim, mas um disfarce digno de um admirador secreto.

Lygia Marina de Moraes, em 2009

Madalena – Ronaldo Monteiro de Souza e Ivan Lins
Em 1970, Ronaldo Monteiro estava chateado com o fim do namoro de três anos com Vera Regina. Foi até um bar em frente à praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para afogar as mágoas. Olhando o mar imenso, teve a ideia do verso “o mar era uma gota / comparado ao pranto meu“, e escreveu a letra em um guardanapo com a caneta do garçom. Mas não teve coragem de colocar o nome da ex na canção. Segundo ele, Madalena foi o primeiro nome que lhe ocorreu.

Morena dos Olhos d’Água – Chico Buarque
A socialite e psicanalista Eleonora Caldeira – ex-mulher do empresário Wilson Mendes Caldeira Júnior – serviu de inspiração para a música do cantor Chico Buarque, lançada no álbum “Chico Buarque de Hollanda” (1967). Chico compôs a música com apenas 22 anos, quando cultivava uma paixão platônica pela diva da alta sociedade paulistana.

Eleonora Caldeira

Irene – Caetano Veloso
Quem inspirou Caetano foi sua irmã. A música foi composta em 1969, em pleno regime militar, quando ele estava preso. Com saudade da risada da caçula, Caetano só pensava em sair de lá e reencontrar a família: “eu quero ir, minha gente / eu não sou daqui / eu não tenho nada / quero ver Irene rir”.

Amélia – Mário Lago e Ataulfo Alves
A musa de “Ai, que saudades da Amélia!” é uma ex-lavadeira da família da cantora Aracy de Almeida. Seu irmão, Almeidinha, frequentava a mesma roda de amigos de Mário Lago, que sempre o ouvia dizer: “Amélia é que era mulher: lavava, passava…”. O comentário virou samba na mão do letrista, apesar de nunca ter chegado a conhecer sua inspiração. O sucesso foi tão grande que o verbete “amélia”, nos dicionários Houaiss e Aurélio, foi incluído como sinônimo de “mulher amorosa, passiva e serviçal”.

E, para quem ficou curioso, a história de Helô Pinheiro, do jeitinho que foi contada em “Músicas e Musas”:

Heloísa Pinheiro andava todos os dias pelo bairro de Ipanema. Ela tinha apenas 15 anos quando atraiu os olhares de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, que frequentavam o bar Veloso, onde a adolescente parava para comprar cigarros para a mãe. Os músicos ficaram impressionados com a forma como a simples presença de Helô chamava as atenções, e compuseram uma música que inicialmente foi chamada de “Menina que passa”. Logo alterada para “Garota de Ipanema”, a canção é um dos maiores sucessos brasileiros no exterior. Até hoje, ela faz parte da trilha sonora de filmes de Hollywood e é gravada por artistas reconhecidos. De Frank Sinatra a bandas japonesas, há mais de 500 versões registradas da música. A última é de Amy Winehouse, lançada em seu disco póstumo “Hidden Treasures”. Helô Pinheiro prestigia a homenagem – usa o nome Garota de Ipanema em sua grife de roupas.

Helô Pinheiro

Para fechar, um dado bem curioso: a palavra “música” vem do grego “musa”. Tudo a ver.

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Posted in Celebridades, Listas, Música at março 6th, 2012. No Comments.

As mais belas livrarias do mundo

Em plena era digital, muitas livrarias parecem não temer a onda da compra de exemplares pela internet.  O site Flavorwire divulgou uma lista com os mais belos recintos dedicados aos amantes da leitura. São 20 espaços de arquitetura e design sofisticados que certamente inspiram seus visitantes a se desgrudarem do tablet para folhear as boas e velhas páginas de papel.

Da lista, eu só conheço as duas representantes sul-americanas:  a majestosa argentina El Ateneo e a paulistana Livraria da Vila da Alameda Lorena. No ano 2000, o Teatro Grand Splendid, inaugurado em 1919, e que sete anos depois já vinha sendo usado como cinema, foi transformado em livraria e virou uma das mais procuradas atrações turísticas de Buenos Aires. O palco onde Carlos Gardel apresentou seus famosos tangos é hoje um charmoso café, que ainda preserva a pesada cortina vermelha. O jornal britânico The Guardian classificou, em 2008, a livraria argentina como a segunda mais bonita do mundo, ficando atrás somente da gótica Boekhandel Selexyz Dominicanen, na Holanda.

Livraria El Ateneo

Livraria El Ateneo

O que chamou a atenção de Emily Temple, redatora da reportagem, na brasileira Livraria da Vila foi o fato de ela parecer ter sido inteiramente feita de livros – inclusive a porta de entrada. A rede foi inaugurada em 1985  no bairro paulistano da Vila Madalena. A unidade da Alameda Lorena  comporta cerca de 22 mil títulos. Quase metade do estoque é dedicado às crianças, que contam com uma sala temática especial no piso inferior.

Porta de entrada da Livraria da Vila

Livraria da Vila: área reservada para crianças

A campeã na lista do The Guardian e uma das mais chamativas do artigo do Flavorwire é a holandesa Boekhandel Selexyz Dominicanen. O nome sofisticado faz jus ao ambiente: a livraria foi montada em 2007 dentro de uma exuberante igreja dominicana do século XII que há anos encontrava-se abandonada, servindo de depósito de bicicletas. O contraste da estrutura gótica da igreja com a decoração interior moderna dá um charme extra à ideia que, por si só, já atrai curiosos.

Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen

Livraria Boekhandel Selexyz Dominicanen

A atual sede da portuguesa Livraria Lello foi inaugurada em 1906. A fachada art nouveau do endereço esconde um interior riquíssimo em rebuscamento e detalhes. Não deve ser fácil se concentrar nos livros quando as estantes estão distribuídas em volta desta impressionante escadaria. Se ficar desconcertado, olhe para o teto: a construção abriga ainda um vitral trabalhado contendo a letra “L” e a inscrição “Decus in Labore” (em português, “dedicação ao trabalho”).

Fachada da Livraria Lello

Escadaria da Livraria Lello

Vitral da Livraria Lello

Ao mesmo tempo um restaurante e uma livraria, a Cook & Book tornou-se uma das principais atrações turísticas de Bruxelas, na Bélgica. Prezando pela excentricidade, a livraria tem livros pendurados no teto e o restaurante abriga mesas em formato de carros antigos. O espaço é dividido em salas temáticas (viagem, quadrinhos, estilo de vida, arte, música, ficção, culinária e literatura inglesa), e em cada uma delas há experiências tanto literárias como gustativas.

Livraria Cook & Book

Livraria Cook & Book

Na Cafebreria El Péndulo, no México, as plantas invadem as prateleiras. O ambiente não abriga apenas livros – inspira novos talentos da música e da arte mexicana, que apresentam suas obras em torno de uma concorrida lanchonete. No cardápio, não poderiam faltar os pratos vegetarianos, especialidade da casa.

Cafebreria El Péndulo

Cafebreria El Péndulo

As crianças chinesas podem se gabar de ter só para elas uma das mais bonitas livrarias do mundo. Mais de 3 mil exemplares ilustrados preenchem as salas da Poplar Kids Republic, projetadas para que os pequenos e seus pais passem tardes confortáveis na companhia dos livros. O espaço, de design clean e moderno, também oferece outras atividades infantis, como cursos de arte e recreação.

Livraria Poplar Kids Republic

Livraria Poplar Kids Republic

Confira aqui a reportagem completa do site Flavorwire.

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Posted in Listas, livros at fevereiro 7th, 2012. 1 Comment.

Lançamento do livro “Os Endereços Curiosos de São Paulo”

Estão todos convidados para o lançamento da nova edição do meu livro Os Endereços Curiosos de São Paulo. A tarde de autográfos acontecerá nesta quarta-feira, dia 25 de janeiro, na Saraiva MegaStore do Shopping Pátio Higienópolis, a partir das 17h.

O livro, que é um presente para os 458 anos da cidade de São Paulo, traz 1 mil endereços de lojas e serviços inusitados espalhados pela cidade. É um trabalho que já venho fazendo há 20 anos.

Abaixo, alguns endereços curiosos que podem convencê-los a querer explorar São Paulo junto comigo:

ALUGUEL DE CARRUAGEM

Se você quer ser a Cinderela por um dia, nem precisará da ajuda de uma fada. A Carruagens Tomaselli oferece, além de carruagens, troles e tílburis cinema­tográficos com cocheiro a caráter. Você também pode escolher a raça dos cava­los que puxarão a carruagem.

Carruagens Tomaselli
Rua Durval Soares da Silva, 420, Riviera Paulista
5517-6660 e 9976-7437
www.carruagens.com.br
seg. a dom. 8h/20h

BANHO DE OFURÔ PARA CACHORROS

Ofurô, acupuntura, fisioterapia, banho hidratante. Tudo o que um spa deveria ter. Mas, na Pet das Meninas, todos es­ses serviços são dedicados aos cachor­ros. O ofurô, técnica milenar japonesa de imersão em água quente, tão popular entre os humanos, ganhou uma versão mini para aliviar as tensões musculares e o stress, melhorando a circulação san­guínea do cãozinho.

Pet das Meninas
Rua Estados Unidos, 2179, Jardins
3062-7003 e 3375-6121
www.petdasmeninas.com.br
seg. e sex. 9h30/18h; sáb. 9h30/17h

AÇAFRÃO DE OURO

Algumas das delícias do Mercado Municipal: açafrão-do-mediterrâneo. Esse tempero vale quanto pesa. O grama dessa erva é mais cara que a do ouro. Importada de Alicante, na Espanha, um pequeno fio desse açafrão é capaz de temperar uma paella que serve até 25 pessoas.

Gf Temperos
Rua Cantareira, 306, Mercado Municipal da Cantareira, rua F, boxe 21, Parque Dom Pedro
3228-1854
seg. a sáb. 8h/16h

AGÊNCIA DE DUBLÊS

Para quem precisa saltar de um carro em movimento, ser atropelado, fazer rapel de um helicóptero ou ter o corpo em chamas, a melhor opção é contratar um profissio­nal. Os dublês são responsáveis pelas ce­nas mais empolgantes das telinhas e sua atuação é fundamental em novelas, anún­cios publicitários e cinema. Na Academia dos Dublês Águias de Fogo, o cliente pode contratar atores especializados nes­ta área. Também são oferecidos cursos de dublê nos fins de semana.

Academia de Dublês Águias de Fogo
Rua Francisco Gomes da Costa, 18, Pirituba
3462-0186, 3832-1321 e 7883-0310
www.aguiasdefogo.com
helioduble@gmail.com
seg. a sex. 9h/18h

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Posted in livros at janeiro 24th, 2012. No Comments.

Funerária Semente: verdadeiro ou farsa?

Recebi por e-mail estas duas fotos.  É impossível não rir com o nome e o slogan dessa funerária.  Na descrição, o remetente me disse que o carro pertence a uma funerária de Lençóis Paulista (SP) e foi fotografado em Torrinha, também no Estado de São Paulo.

Mas eu aprendi com o Gilmar Lopes, especialista em fraudes na internet, a não confiar nessas histórias que chegam pela internet. Todo cuidado é pouco, ensina ele, no quadro “Verdadeiro ou Farsa?”, que ele apresenta dentro do “Você é Curioso?” aos sábados. Gilmar é o criador do excelente site E-farsas.com. Nestes espaços, ele denuncia toda mentira que circula por e-mails e redes sociais.

A história da funerária Semente… é farsa. Descobri várias fotos de outros carros com a mesma inscrição no Google. Ligando para Lençóis Paulista, fiquei sabendo que só existem duas funerárias por lá: a Irmãos Panico e a São Franciso. Em Torrinha, local da foto, são outras duas: Flor de Ouro e Funerária Torrinha. Assim, a tal Funerária Semente, mesmo com nome e slogan engraçados, é uma farsa. O adesivo é apenas uma piada. Acho que o Gilmar vai ficar orgulhoso de mim!

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Posted in Humor, Você é curioso at agosto 4th, 2011. 2 Comments.

Sacos de lixo ou sacolinhas de supermercado?

No final do ano, as sacolinhas plásticas de supermercado, que são distribuídas gratuitamente, serão proibidas em São Paulo. Para carregar as compras, as alternativas sugeridas são caixas de papelão, sacolas reutilizáveis – as ecobags – ou sacolinhas à base de amido, que levam seis meses para se degradar, mas que custariam ao consumidor 19 centavos por unidade.

Enquanto se discute qual é o melhor método para carregar compras na rua, paira a dúvida de como passar a descartar o lixo caseiro, já que as sacolas de supermercado costumam forrar lixeiras de banheiros e cozinhas. Na ausência do material, a saída é comprar os sacos pretos ou azuis de lixo.

Mas qual é a diferença dos sacos pretos que estão à venda para as sacolinhas plásticas que são dadas de graça em lojas? Edson Passoni, diretor do Sindicato dos Químicos, Farmacêuticos e Plásticos de São Paulo, diz que o material usado para os recipientes é o mesmo (polietileno). O que muda é a densidade: “Os dois são inertes e isolam o lixo”, afirma. “Antes dos sacos, os resíduos eram deixados em latas que ficavam sujas e contaminadas”.

De acordo com Marcio Freitas, assessor de imprensa da Plastivida, entidade que procura promover a utilização ambientalmente correta de plásticos, o maior interesse é dos supermercados. “Eles deixam de ter despesas dando sacolas ao consumidor e geram receita vendendo os sacos de lixo”, diz. “Ainda por cima, livram-se do próprio lixo fazendo com que o cliente leve as compras em caixas de papelão que seriam descartadas”.

Uma diferença apontada por Freitas é que sacos de algumas marcas têm plástico reciclado na composição, o que não acontece com as sacolinhas gratuitas. “Elas têm contato com alimentos, portanto só podem ser construídas com material virgem”, explica.

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Posted in Pergunta Curiosa, São Paulo at julho 26th, 2011. No Comments.

Crime nos museus!

Passar por  um detector de mentiras e depois carimbar impressões digitais em um livro policial. Ou ver guilhotinas, câmaras de gás e cadeiras elétricas.  Se alguma dessas coisas despertou sua curiosidade, você está credenciado a visitar o National Museum of Crime and Punishment, em Washington, nos Estados Unidos. Inaugurado em 2008, ele também é chamado de “Crime Museum”.

No museu, o visitante pode realizar uma série de atividades, como planejar uma fuga da prisão (depois de ter visitado réplicas de celas). O acervo inclui o carro vermelho do ladrão de bancos John Dillinger na década de 1930, uma faca de Billy the Kid e um caderno de Jesse James.

Black Museum, em Londres

Mas o museu americano não é o único do gênero.  O Black Museum (Museu Negro) é o apelido que recebeu o Museu do Crime de Londres, que pertence à Scotland Yard e existe desde 1875. Além de membros da Família Real britânica, recebeu visitas ilustres, como a do escritor Sir Arthur Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes) e do ilusionista Harry Houdini. Nas vitrines, há informações sobre casos antigos famosos. Um deles é o de Jack, o Estripador, serial killer que matou pelo menos cinco pessoas em 1888. As visitas são fechadas ao público geral.

Bem na entrada da Cidade Universitária, em São Paulo, o Museu da Polícia Civil é outro que só deve ser visitado por quem tem estômago forte. Conhecido até 2005 como  Museu do Crime, ele reúne cerca de 3 mil itens sobre o tema. Recortes de jornal mostram a repercussão de crimes famosos, enquanto as mesas têm réplicas de cera do rosto de marginais como o Bandido da Luz Vermelha, Chico Picadinho e o Maníaco do Parque.

Uma raridade é a mala original usada no célebre Crime da Mala, de 1928: Maria Féa Fernandes, grávida de seis meses, foi asfixiada pelo marido, José Pistone, que era muito ciumento. Para esconder o corpo, Pistone esquartejou a esposa e a escondeu em uma mala que seria enviada para a França no porto de Santos. O mau cheiro da “encomenda” chamou a atenção dos tripulantes, que ligaram para polícia. Abaixo, a mala  original e uma reconstituição do corpo da vítima.

Os visitantes também podem ver armas, móveis de outras cenas de crime, fotografias de acidentes de trânsito da década de 1920 e amostras expostas de drogas como cocaína, crack e maconha.  As visitas devem ser agendas e os grupos devem ter, no mínimo, 1o pessoas – todas maiores de 16 anos.  O telefone é o (11) 3039-3400.

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Posted in São Paulo, Viagem at julho 20th, 2011. 3 Comments.

Astronautas tomaram água brasileira?

Um brasileiro na Lua? Segundo a prefeitura de Águas de Lindóia, estância hidromineral do interior de São Paulo, quando o astronauta Neil Armstrong aterrissou por lá, em 20 de julho de 1969, durante a missão Apolo 11, levou consigo 600 litros da brasileiríssima água mineral Lindoya, engarrafada na cidade. A prova do acontecimento é uma nota fiscal emitida à NASA, a Agência Espacial Americana, pela distribuidora do líquido na época. De acordo com o documento da Cervejaria Amazonas Ltda., exposto no gabinete do prefeito de Águas, os americanos mandaram embarcar para Cabo Kennedy, local do lançamento, cem dúzias de garrafinhas de meio litro. A mercadoria foi despachada no aeroporto Santos Dumont (RJ), no dia 2 de abril de 1969, e a NASA pagou 226 cruzeiros novos, o equivalente a cerca de 688 reais.

Relíquia espacial


A água adquirida pela NASA vinha da fonte São Sebastião e era engarrafada pela empresa Irmãos Carrieri, que foi desativada no final da década de 1970. Segundo Victor Carone, sobrinho dos proprietários, a NASA teria enviado duas garrafas à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, para análise. “Como gostaram da água, fecharam o negócio”, conta Carone, que guarda um verdadeiro tesouro: a única garrafinha remanescente daquela leva.

Por que a água brasileira?

De acordo com Al Feinberg, relações públicas da NASA, não há qualquer registro de que a água tenha sido realmente levada para a Lua. Também não se sabe se ela teria sido usada para o consumo dos tripulantes da Apolo 11. “Os Estados Unidos têm águas minerais com as mesmas características”, explica Uriel Duarte, professor de geologia ambiental e recursos hídricos do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo. “Não precisariam vir buscar aqui”. A água da região é considerada mais leve ao paladar, pois sua concentração de minerais é baixa. Porém, segundo, Cirilo Mantovani, cardiologista do Instituto do Coração de São Paulo, esse seria exatamente o trunfo do produto lindoiene. “Com poucos minerais, essa água tem ação diurética, ou seja, aumenta a eficiência dos rins”, afirma. “Ela é absorvida mais rapidamente e melhora o funcionamento do organismo, o que facilitaria a vida dos astronautas.”

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Posted in Brasil at julho 13th, 2011. No Comments.

A família que construiu 250 Cristo Redentores

Inaugurado em 1931, o Cristo Redentor é um dos símbolos do Rio de Janeiro. Ele mede 30 metros e é o mais famoso do Brasil. Mas existem pelo menos outros 250 deles espalhados pelo país, todos com medidas que chegam até 12 metros de altura. Eles foram construídos pela família Papaiz, da cidade de Campinas (SP).

O original, no Rio de Janeiro

A primeira réplica do Cristo Redentor do Brasil foi construída por Otaviano Papaiz na década de 1950. Ele tinha uma marmoraria e já trabalhava com arte sacra quando construiu uma estátua de 12 metros. “Não sei o que deu na cabeça dele”, diz o filho Ivo Papaiz, que era adolescente na época.

O prefeito de São José do Rio Pardo (SP) gostou da imagem e decidiu comprá-la para a cidade. Como Otaviano tinha os moldes, tornou aquilo um negócio. Elaborou estátuas de mesmo tamanho em Serra Negra (SP), Taubaté (SP), Poços de Caldas (MG) e mais 15 cidades, até Ivo assumir o negócio.

Taubaté (SP)

Depois de 1964, Ivo garante que houve um bom aumento no número de pedidos. “Só não tenho imagem de Cristo nas regiões em que Padre Cícero manda”, conta. As réplicas foram enviadas para o  Brasil inteiro: de Coari, no Amazonas, até Guaporé, no Rio Grande do Sul.

Guaporé (RS)

Para fazer as formas do Cristo Redentor, Otaviano primeiro construiu um modelo em barro. Depois, fez  um molde em gesso. Quanto maior a estátua, mais peças são usadas na montagem. A imagem de 8 metros precisa de 51, enquanto a de 12 metros requer 141 pedaços. As primeiras partes são em formato de anel, o que deixaria o Cristo oco por dentro. Por questões de segurança, era recomendado colocar cimento com pedrinhas ou até mesmo entulho na parte vazia até a metade do “corpo”.

Poços de Caldas (MG)

Engana-se quem pensa que construir um monumento desses custava muita coisa. Apesar de parecer imponente, o serviço dos Papaiz não ultrapassava o equivalente a cerca de 12 mil reais pela maior estátua. Na opinião de Ivo, isto foi um dos fatores que mais ajudaram na popularização, já que os prefeitos não precisavam da autorização da Câmara para as pequenas compras. Depois de 2000, houve uma queda nas encomendas. O empreendedor acredita que isso se deva à burocratização das prefeituras e o fortalecimento de outras religiões. Em 2005, ele vendeu as formas e abandonou o negócio. “Parei na hora certa”, diz.

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Posted in Brasil, São Paulo at maio 26th, 2011. 1 Comment.

Gente diferenciada x Cidade de Higiene

Avenida Higienópolis

É a polêmica da vez em São Paulo. O assunto do dia é que o governo paulista teria desistido de fazer uma estação de Metrô na Avenida Angélica por pressão de um pequeno grupo de moradores de Higienópolis, uma das regiões mais nobres da cidade. Uma tal de Associação Defenda Higienópolis teria apresentado um abaixo-assinado com 3500 assinaturas. Mas o que incendiou a discussão foi uma única declaração de uma moradora do bairro que teria dito que o Metrô traria “gente diferenciada” para lá. Como curiosidade, vale a pena lembrar da origem do nome do bairro.

Higienópolis quer dizer “cidade de higiene”. O nome foi escolhido  porque os lotes da região eram destinados a pessoas com alto poder aquisitivo, já que eram todos residenciais e tinham acesso a água encanada e esgoto, evitando a proliferação de doenças.

O livro Bairros paulistanos de A a Z, de Levino Ponciano, conta que a partir de 1890 a região passou a ser moradia dos barões de café – que antes viviam nos Campos Elíseos – e industriais. Antes, a avenida Higienópolis se chamava Boulevard Martinho Buchard, em homenagem ao homem que fez o primeiro loteamento.

Ah, mas um dos atrativos do  loteamento “Higienópolis” era  que havia linha de bonde servindo a região. Gente diferenciada não andava de bonde naquela época?

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Posted in Brasil, São Paulo, livros at maio 12th, 2011. 1 Comment.