De frente com os leões

Johanesburgo tem um zoológico bastante grande, mas pouco se fala dele. Quem vem para a África do Sul costuma procurar por safaris. Só que uma das principais atrações da cidade não é nem zoológico nem safari. O Lion Park é uma mistura dos dois.

O lugar tem uma área dedicada aos herbívoros:  zebras, suricatas, girafas (o visitante pode comprar um pacotinho de ração e oferecer para a girafa, que abaixará seu longo pescoço até limpar toda a sua mão com aquela língua gosmenta).

Mas, como o nome diz, os leões são a principal atração. Os carnívoros ficam numa grande área toda cercada. São 90 leões no total, incluindo dois leões brancos, que só existem na África. O visitante pode embarcar no caminhão do parque ou entrar nessa área com seu próprio carro. Vidros bem fechados, minha gente. Esse  leão chegou tão perto da grade do caminhão que deu até para sentir seu bafo. Bafo de leão.

Mas a parte mais emocionante mesmo é o momento de entrar na jaula dos leõezinhos. Os visitantes entram num grande espaço e podem brincar com os bebês por alguns minutos. E os leõezinhos adoram receber carinhos. A fila costuma ser grande e os leõezinhos são substituídos de tempos em tempos para não ficarem estressados.

Eles parecem inofensivos, mas já têm dentes bem afiados. Repare na cena abaixo: um dos leõezinhos “atacou” o editor Caio Salles pelas costas e cravou ali os seus dentes. Caiu saiu de lá com um furo na blusa, mas garante que a mordida só doeu um pouquinho.

  • Share/Bookmark
Posted in Animais, Esporte, Viagem at julho 1st, 2010. 1 Comment.

O que é “chakalaka”?

Não é nenhuma canção oficial da Copa do Mundo interpretada por Shakira ou refrão de música do Trio Los Angeles! A chakalaka é uma sopa feita a partir da mistura de cenoura, repolho, molho de tomate, cebola, pimenta-verde e feijão branco. Pode ser acompanhada de macarrão, arroz, pão ou pap (um purê branco, um tanto rústico, feito de farinha de milho e vendido em muitos quiosques nas ruas). A chakalaka é tão popular na África do Sul, que é vendida pronta em muitos supermercados ou enlatada. Até a Knorr tem a chakalaka em pacotinho. A sopa foi criada nas favelas de Johanesburgo.

Só para não perder a piada, será que esse partido está prometendo farta distribuição de chakalaka se vencer a eleição?

  • Share/Bookmark
Posted in Comes e bebes, Esporte, Viagem at junho 26th, 2010. No Comments.

Um feriado para lembrar do massacre de Soweto

Hoje foi feriado aqui na África do Sul. O 16 de junho é uma das datas mais importantes do país. É o Dia da Juventude. A data é uma homenagem aos mortos do massacre de Soweto, que aconteceu em 1976.

Cerca de 15 mil jovens estudantes da região, que fica na periferia de Johanesburgo, saíram às ruas em plena época do apartheid para protestar contra o sistema de educação. Na época, os negros pagavam para estudar em escolas superlotadas, enquanto os brancos tinham ensino de melhor qualidade de graça. O balanço do ano anterior mostrava que o percentual de investimento governo sul-africano no ensino de um aluno branco era 15 vezes superior ao de um aluno negro. A situação, claro, gerou revolta.

Mas o estopim para o levante dos alunos foi a determinação de que seriam obrigatórias aulas de africânder nas escolas dos negros. O idioma, que tem origem no holandês, era usado pela minoria branca e, por isso, considerado um símbolo da repressão pelos negros.

Liderados pelo jovem Tsietsi Mashinini, os estudantes protestaram com faixas e cartazes. A polícia sul-africana reprimiu a manifestação com violência. O primeiro tiro matou o estudante Hector Pieterson, de 13 anos. A foto do garoto sendo carregado por um colega ficou famosa no mundo inteiro.

Mas isso só foi possível porque o fotógrafo Sam Mzima foi astuto. Logo que percebeu que havia feito uma boa imagem, guardou o rolo do filme na meia. Quando a polícia o abordou para verificar a câmera, o filme não estava mais na máquina. Depois que a foto foi publicada, Mzima passou a ser perseguido, e teve que sair de Johanesburgo. A moça da foto foi a única que sobreviveu. É Antoinette Sithole, irmã de Hector. Ela não conhecia Mbuyisa Makhubo, o homem que carregava seu irmão e do qual nunca mais se teve notícias.

Depois do tiro contra Hector, os jovens responderam com as únicas armas de que dispunham contra as forças armadas – as pedras espalhadas pelo chão. Cerca de 500 manifestantes morreram. O líder dos estudantes, Tsietsi Mashinini, foi exilado do país.

Foi em 1991 que, em homenagem aos mortos do massacre, a Organização de Unidade Africana (OUA) instituiu a data de 16 de junho como o Dia da Juventude. Hector Pieterson ganhou um tributo especial: um memorial na praça que leva o seu nome no Soweto. Sua irmã, Antoinette, é uma das responsáveis pelo museu.

A grande festa só não foi completa por causa da derrota dos Bafana-Bafana para o Uruguai por 3 x 0 esta noite. Mais um fato triste que marcará o 16 de junho dos sul-africanos.

(Veja agora a reportagem que meninas do Sowetto fizeram sobre a data)

  • Share/Bookmark
Posted in Sem categoria at junho 16th, 2010. 1 Comment.

Com apetite de leão

O restaurante Carnivore, a 30 minutos de Johanesburgo, já virou uma atração turística. Visitantes de todas as nacionalidades vão até ali atraídos pelas carnes de caça oferecidas no cardápio. As carnes mudam a cada semana. O único dos “Big Five” servido ali é o búfalo, reservado para ocasiões ou clientes especiais. Elefante, leão, rinoceronte e leopardo não entram no espeto.

A casa funciona no sistema de rodízio. Pelo equivalente a 50 reais, o Carnivore serve pão com manteiga, sopa, saladas e acompanhamentos. As carnes são preparadas numa grelha no próprio salão. A primeira rodada é servida numa sequencia: começa com fígado de galinha, asinhas, carne de porco, de vaca. Aí, finalmente, vem o mais aguardado. Primeiro linguiças e almôndegas de kudu (melhor do que explicar é você conferir a foto aqui).

Quando o cliente pede por uma carne de caça que não está no cardápio do dia, o gerente, Toni Loureiro, coloca a culpa no crocodilo. “Não temos, pois os crocodilos o comeram primeiro”, brinca. Nesse dia, porém, o crocodilo é que foi servido.

Depois de experimentar a impala, o garçom ofereceu a carne de girafa. Não, não é o pescoço, apesar de parecer. Eles servem o traseiro e a coxa do bicho. A carne de girafa é bastante dura. Os animais são criados em uma fazenda dos donos, que tem 35 mil animais. Eles são caçados 8 meses por ano, de acordo com as necessidades da casa. Para a Copa do Mundo, a Carnivore estocou 9 toneladas de carnes.

Por fim, a carne que eu achei mais saborosa de todas: a zebra. Com um molho de cereja, então, ela fica mais gostosa. Terminada a rodada, você pode repetir todas que quiser. Deu zebra outra vez!

  • Share/Bookmark
Posted in Comes e bebes, Esporte, Viagem at junho 14th, 2010. 4 Comments.

Scooby-Doo, cadê você? Na casquinha!

Que gosto poderia ter um sorvete chamado “Scooby-Doo”? Pois encontrei esse sabor numa sorveteria de Johanesburgo. Aqui está a foto para comprovar.

Perguntei do que era feito o sorvete e a funcionária me disse que era de creme com biscoitos. “Biscoitos Scooby?”, eu quis saber. Ela não entendeu a brincadeira.

  • Share/Bookmark
Posted in Comes e bebes, Esporte, Humor, Viagem at junho 13th, 2010. 2 Comments.

Ainda falando sobre placas curiosas

Vamos para a resposta do nosso teste. Qual é o significado desta placa de trânsito encontrada na África do Sul?

Ela significa “É proibido parar e estacionar”. Corresponde ao nosso E cortado por um X. Já que voltamos a falar de placas, mais duas. Descobri onde vivem Timão e Pumba, personagens do desenho “O Rei Leão”. É numa estrada no subúrbio de Johanesburgo.

Como a violência é um problema no país, proliferam as empresas de segurança. Alguém sugere um slogan para esta empresa aqui?

  • Share/Bookmark
Posted in Esporte, Humor at junho 13th, 2010. 2 Comments.

Por que os sul-africanos dirigem do lado direito?

Não me arrisquei a dirigir em Johanesburgo. Os carros aqui andam pelo lado esquerdo da rua – e os motoristas ficam do lado direito do carro (na foto, o nosso motorista Pierre Lombard). É um perigo até atravessar a rua. A gente acaba sempre olhando para o lado errado. Por aqui, as regras funcionam como na Inglaterra e em outros 70 países de colonização inglesa, casos de Austrália, Nova Zelândia e Índia. De onde veio esse costume?

A origem da direção à direita é medieval. A maioria dos cavaleiros eram destros, e empunhavam a espada com a mão direita. Por isso, na Inglaterra, viajar do lado esquerdo das estradas era uma forma de se manter preparado para eventuais ataques. Na França do século XVIII, o imperador Napoleão resolveu mudar esse costume. O motivo? Ele era canhoto. O exército francês, então, passou a viajar à direita nas estradas, para que Napoleão pudesse empunhar sua espada com a mão esquerda. Os condutores das carruagens francesas ficavam do lado esquerdo.

É por isso que os países colonizados pelos ingleses adotaram a direção pela esquerda com o volante à direita, e os que foram colônia da França fazem o contrário. Há histórias curiosas no Canadá e na Áustria. No Brasil, o condutor ficou do lado esquerdo porque os portugueses foram dominados por Napoleão por um bom período.

Os Estados Unidos, colonizados pelos ingleses, são uma exceção. No século 18, os condutores de carroças, puxadas por pares de cavalos, sentavam-se no último cavalo à esquerda, para poder chicotear os animais com a mão direita.  Mas e os japoneses que também dirigem como na Inglaterra? Um ministro viajou ao país no século XIX para convencê-los a adotar o sistema inglês. A conversa deu resultado.

  • Share/Bookmark
Posted in Cotidiano, Esporte, Viagem at junho 12th, 2010. 3 Comments.

Como uma bandeira pode salvar seu retrovisor

Johanesburgo amanheceu hoje forrada de bandeiras. Era o povo festejando o início da Copa do Mundo. Havia vendedores nos principais cruzamentos. O povo tremulava a bandeira da África do Sul com orgulho.

Bandeira atual

A atual é a terceira que o país já teve. A primeira foi adotada em 1910, quando o país deixou de ser colônia britânica. Mas ela não representava algo que podemos chamar de fato de “independência”. Repare não apenas na presença da bandeira do Reino Unido, mas também na diferença entre os o símbolo inglês, maior e posicionado mais acima, e o africano, com destaque bem menor.

De 1910 a 1928

Em 1928, foi criada uma nova bandeira para o país. Ela trazia no centro as bandeiras do Reino Unido (representando as províncias do Cabo e de Natal), de Orange e de Transvaal, que formavam o país. Por ter sido usada no tempo do apartheid, regime se segregação racial que durou 47 anos na África do Sul, muitos a consideravam um símbolo do racismo. Em 1994, para festejar a posse de Nelson Mandela na presidência, era necessário criar uma nova bandeira.

Bandeira de 1928 a 1994

De 1928 a 1994

A primeira ideia foi fazer um concurso de desenhos. Não deu certo, pois a comissão responsável pela nova bandeira não aprovou nenhuma das sugestões. Então, o sul-africano Frederick G. Brownell desenhou uma bandeira que, a princípio, era para ser temporária, mas acabou se consagrando como a definitiva. Ela é a única bandeira nacional de seis cores no mundo: vermelho (sangue), azul (céu), verde (terra), amarelo (ouro), branco e preto (raças). O Y representa a convergência para um único objetivo. Bem, todo esse simbolismo não é oficial, mas é uma versão que já ganha alguns adeptos.

Ah, uma novidade: além dos modelos convencionais de bandeiras, os sul-africanos inventaram também uma espécie de bandeirola para os espelhos retrovisores dos carros. Percebeu como eles ficam mais visíveis? Não seria uma boa ideia para tentar salvar os retrovisores que alguns motoboys brasileiros insistem em não enxergar? Vou levar um par!

  • Share/Bookmark
Posted in Esporte at junho 11th, 2010. 4 Comments.

Como tirar os vendedores ambulantes das ruas

As autoridades brasileiras vivem quebrando a cabeça para acabar com os vendedores ambulantes. Parecem estar enxugando gelo. Os camelôs desaparecem por alguns dias e depois tudo volta ao normal. Johanesburgo encontrou uma maneira simples, rápida e eficiente. Colocou placas proibindo a presença de vendedores ambulantes em vários pontos da cidade. E não é que funcionou! Onde havia a placa não havia um único vendedor. Podemos até copiar o modelo.

Bem, isso só funciona mesmo em alguns lugares. Os cruzamentos estão cheios de ambulantes. O produto mais vendido nesses dias são bandeiras dos países participantes da Copa.

Aproveitando a ideia das placas, vamos ver quem adivinha o que significa esta outra aqui de cima? Palpites?

  • Share/Bookmark
Posted in Esporte at junho 10th, 2010. 11 Comments.

Por favor, deixe sua arma de fogo com a gerência!

Para a partida de abertura da Copa do Mundo, amanhã, entre África do Sul e México, as autoridades fizeram hoje uma série de alertas sobre a segurança do público no estádio. Guarda-chuvas com cabo longo demais e quantidade exageradas de papel não podem entrar. Mas o primeiro item da lista pode parecer o mais absurdo de todos para nós. Ele diz que é proibido entrar com armas no Soccer City. É sério!

Não é de se estranhar, portanto, o aviso que encontrei na porta de um restaurante hoje de manhã. Armas de fogo são proibidas. Se estiver portando uma, por favor, deixe-a com a gerência.

  • Share/Bookmark
Posted in Esporte at junho 10th, 2010. No Comments.