Cantar só uma parte do hino nacional. Pode, Arnaldo?

O futebol teve um final de semana cheio de decisões.  A festa dos campeões começou no sábado (12) no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), com a final da série A2 do Campeonato Paulista. Bruno e Ray abriram a festa cantando o Hino Nacional antes do jogo que daria ao time da cidade o primeiro título de sua história. O São Bernardo sagrou-se campeão, mas restou uma dúvida. A dupla sertaneja cantou apenas a primeira parte do hino brasileiro, ignorando o restante de sua letra. É permitido fazer isso?

Bruno e Ray cometeram uma infração. Segundo Augusto César, cerimonialista da Universidade do Estado do Pará, nos casos de execução vocal, sempre devem ser cantadas as duas partes do poema. Se a versão for orquestrada, no entanto, a regra é mais flexível: “Nesses casos, pode ser executada apenas a primeira parte da música”, esclarece.

O artigo 24 da Lei 5.700, de 1º de setembro de 1971, prevê que o Hino Nacional pode ser interpretado por uma banda, orquestra, coral, cantores ou reproduzido por uma gravação. No entanto, é contra a lei a execução de versões elaboradas pelos próprios artistas. A música deve ser entoada em marcha rancho (como a composição de Antão Fernandes) e cantada em fá maior (o tom adotado pelo maestro Alberto Nepomuceno) em uníssono (uma única voz). Os presentes podem ficar à vontade para cantar ou não a letra – não é desrespeito permanecer com a boca fechada.

Virar-se para a bandeira nacional na hora do hino, atitude que também costuma ser tomada em competições esportivas, vai contra as normas de culto aos símbolos nacionais. Isso porque, a menos que se trate de uma homenagem à bandeira, todos os símbolos que representam o país (o hino, a bandeira, os selos e as armas) devem receber prestígio igualitário. Durante a execução do hino nacional em ambientes abertos – como é o caso dos estádios de futebol –, os presentes devem se voltar para a direção de onde a música está sendo reproduzida.

Para os que não resistem às palmas depois do hino, uma boa notícia: não há restrições. Na lei, está escrito: “Durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio, os civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, sendo vedada qualquer outra forma de saudação”. O cerimonialista Augusto César, no entanto, garante: “Apesar de as palmas serem uma forma de saudação, o hino pode sim ser aplaudido, pois o parágrafo discorre sobre atitudes a serem tomadas durante a execução da música, e não após esta”.

A violação de qualquer uma das regras previstas em lei implica multa de uma a quatro vezes o salário mínimo vigente, podendo o valor ser dobrado em casos de reincidência. No caso do jogo do último sábado, quem pagaria a multa seriam os próprios Bruno e Ray, e não a organização do clube: “É responsabilidade civil de quem está executando o hino”, diz Augusto César.

Confira uma execução do Hino Nacional em estádio de futebol que traz dois acertos e duas infrações.

Acharam as infrações? A dupla Hugo e Tiago canta uma versão sertaneja em duas vozes do hino e os jogadores se posicionam de lado em relação aos cantores. Por outro lado, eles acertam ao cantar a letra completa da música e ao receber os aplausos da plateia ao final da execução.

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Posted in Esporte at maio 14th, 2012. 2 Comments.

No Dia do Goleiro, uma homenagem aos improvisados

Hoje, 26 de abril, é o Dia do Goleiro. A comemoração é uma homenagem a Aílton Corrêa Arruda, o goleiro Manga, nascido em 26 de abril de 1937. Ainda hoje considerado um dos melhores goleiros da história, Manga começou no Sport Recife em 1957 e depois defendeu o Botafogo, o Nacional do Uruguai, o Internacional de Porto Alegre, o Coritiba, o Grêmio, o Operário do Mato Grosso do Sul e, por fim, o Barcelona do Equador, encerrando sua carreira em 1982. Na Copa de 1966, Manga jogou uma única partida, contra Portugal, ao substituir Gilmar dos Santos Neves, mas não teve sorte. Os portugueses venceram por  3 x 1, e o Brasil acabou eliminado.

Manga

Não é justo, entretanto, parabenizar apenas os goleiros no dia de hoje. Muitos zagueiros, laterais, volantes e até atacantes já tiveram que se virar para defender o gol. Em homenagem a esses goleiros improvisados, um fã inglês de futebol criou o tumbrl Outfielders in Goal. No ar desde o início deste mês, o endereço já reúne 16 vídeos de jogadores de linha que tiveram que se virar debaixo da trave. Um dos lances mais impressionantes foi protagonizado por Niall Quinn, atacante do time inglês do Manchester City. Em um jogo contra o Derby County, em 1991, ele marca um gol e, alguns minutos depois, defende um pênalti. Como isso foi possível? Assista abaixo:

Na Liga Europa de 2006, no jogo entre o  suíço Basel e o francês AS Nancy, o atacante Mladen Petric assume o posto depois da expulsão do goleiro do Basel antes de uma cobrança de pênalti. Parece que ele se acalma quando o colega goleiro lhe diz algo ao lhe  passar as luvas. Petric não o decepciona:

O recém-inaugurado tumbrl futebolístico tem um representante brasileiro. Gaúcho, jogador do Palmeiras, não largou seu papel de atacante ao assumir a o gol em um jogo de 1988 contra o Flamengo pela Copa União. Substituindo o goleiro Zetti, machucado durante a partida, Gaúcho marcou e defendeu cobranças – dos mais tarde campeões mundiais Aldair e Zinho – na disputa de pênaltis.

E não é que até Pelé já foi goleiro? Em 19 de janeiro de 1964, Santos e Grêmio se enfrentavam no Estádio do Pacaembu em semifinal da Taça Brasil. Gilmar, goleiro do Santos, foi expulso aos 42 minutos do segundo tempo, quando o peixe vencia o Grêmio por 4 x 3. Pelé, que já tinha marcado 3 gols na partida, assumiu o papel de goleiro e fez duas defesas decisivas para a manutenção do placar e a classificação para a final. Até no improviso, ele provou ser o rei do futebol. É uma boa sugestão para integrar o acervo do tumblr, não?

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Posted in Datas Comemorativas, Esporte at abril 26th, 2012. 1 Comment.

Dinheiro irlandês homenageia craque de futebol

George Best foi o Pelé do futebol irlandês. Brilhou no time do Manchester United e na Seleção da Irlanda do Norte na década de 1960. Best chegou no Manchester United em 1963, quando tinha apenas 17 anos. Durante seis temporadas, o craque disputou 370 jogos, marcando 179 gols. A média foi de 2,06 gols por jogo, sendo que ele chegou a marcar seis em uma única partida, contra o Northampton. George Best ajudou o time a ganhar dois títulos nacionais e um Campeonato Europeu. Em 1968, no auge da carreira, recebia 1 mil cartas de fãs por semana e foi eleito o “Jogador Europeu do Ano”.

George Best, na época do Manchester United.

Na Seleção da Irlanda do Norte, a passagem de Best foi mais discreta, mas não menos ilustre. Apesar de ter marcado nove gols nos 37 jogos disputados, sua simples presença nos gramados já eletrizava o público.

George Best jogando pela Seleção da Irlanda do Norte.

Falecido em 2005 de cirrose hepática em sua terra natal, é notável o reconhecimento post-mortem dado ao craque. Antes que se completasse um ano póstumo, o aeroporto Belfast City foi renomeado para George Best. E o Ulster Bank emitiu 1 milhão de notas comemorativas de 5 libras com imagens do jogador vestindo as camisas dos times em que foi imortalizado. Ao contrário do que acontece no Brasil, alguns bancos privados da Irlanda são autorizados a emitir dinheiro. A pouca burocracia exigida pelo processo acaba facilitando homenagens a ídolos recentes e de apelo mais popular.

Criada como um presente para a população irlandesa local, a cédula acabou se tornando uma febre em todo o Reino Unido. Com a exceção de duas notas – uma dada a Barbara McNarry, uma das irmãs do ídolo, e outra ao seu pai, Dickie Best –, todo o lote foi vendido em cinco dias. Hoje, ainda há várias delas sendo vendidas no site e-Bay, a preços que variam de 9 a 100 libras, mas virtualmente é difícil saber quais são verdadeiras. Apenas dois dias após o lançamento das notas na Irlanda descobriu-se a venda de centenas de cédulas falsas. O Ulster Bank recomenda que os compradores verifiquem o número de série das notas: todas as genuínas começam com GB.

Apesar de ser o país do futebol, o Brasil nunca homenageou um craque em suas cédulas. O que geralmente se vê por aqui é a estampa do rosto de políticos, intelectuais e outros personagens relevantes para a história do país. Nosso país não retrata personalidades vivas no dinheiro nacional. O brasileiro que mais rápido recebeu uma homenagem foi o poeta Carlos Drummond de Andrade, cuja cédula foi lançada apenas 15 meses depois de sua morte. As notas de 50 cruzados novos circularam de 1989 a 1992.

Homenagem a Drummond 15 meses depois de sua morte

A Irlanda foi o primeiro país do mundo a homenagear um jogador de futebol em seu dinheiro. O dinheiro brasileiro traz atualmente animais da fauna. É, portanto, difícil imaginar uma homenagem ao Rei Pelé como George Best recebeu em seu país. Nem adianta reclamar. Segundo o Banco Central do Brasil, a escolha dos homenageados em cédulas não prevê a participação do público. É o próprio órgão que define o design das notas e as envia ao Conselho Monetário Nacional para aprovação.

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Posted in Cotidiano, Esporte at fevereiro 14th, 2012. No Comments.

O hotel do milésimo gol do Rei Pelé

O Hotel Novo Mundo foi fundado em 1950 e, daquela época até os dias de hoje, é considerado um dos mais tradicionais da cidade do Rio de Janeiro. Localizado no coração da Praia do Flamengo, o Novo Mundo já hospedou célebres brasileiros, como o ex-presidente Lula, a apresentadora  Angélica, o cantor Cauby Peixoto e o Rei Pelé.

Clássico por fora e moderno por dentro, o hotel guarda, quase escondido em um lounge da recepção, uma grande história: foi lá que o rei do futebol dormiu na noite em que marcou seu milésimo gol, contra o Vasco, no Maracanã, em 19 de novembro de 1969. Mais do que isso:  Pelé sempre se hospedava no Novo Mundo quando ia ao Rio de Janeiro. Por isso, o hotel mandou produzir uma placa de bronze com a caricatura do jogador – de coroa e tudo! Presa em uma parede ao lado da máquina de café, a obra está exposta aos hóspedes mais observadores.

Fachada do Hotel Novo Mundo

Interior moderno do Hotel Novo Mundo

Lounge com homenagem a Pelé

Placa de bronze em homenagem ao milésimo gol de Pelé

Há hoje apenas um funcionário que está trabalhando no Novo Mundo desde aquela época. O barman Antonio Martins, um senhor português de 76 anos, chegou ainda jovem ao Rio, em 1957. Nesse mesmo ano, Pelé, um adolescente de apenas 17 anos, começou a se hospedar lá. O rapaz tinha acabado de ingressar no time do Santos, que se concentrava no Novo Mundo quando ia à cidade disputar o Torneio Rio–São Paulo.

Pelé com 17 anos

Pelé costumava ficar no quarto 1005, no 10° andar, que tinha um terraço com a vista para a praia. De 1967 a 1968, quem dividia o espaço com o Rei era o meia-atacante mineiro Buglê, seu companheiro no time do Santos. O hotel, que ficou famoso por hospedar o craque, juntava  em sua porta fãs e repórteres sedentos por uma foto. Pelé era discreto, e só de vez em quando aparecia na sacada, para, com um aceno, arrancar gritos do público. Foi em uma dessas muvucas que surgiu seu apelido mais famoso. Em 1958, logo depois que o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, jornalistas franceses chegaram ao hotel gritando: “Onde está o rei”? O apelido pegou.

Até o fim de sua carreira no Santos, em 1974, o Hotel Novo Mundo abrigou o craque. Nesse ano, ele foi para Nova York jogar no Cosmos, mas, quando visitava a Cidade Maravilhosa, ainda se hospedava no Novo Mundo. Martins não se lembra ao certo quando foi a última vez que recebeu Pelé no restaurante, mas tem certeza de que ele não era mais jogador de futebol – já atuava como empresário.

Quanto aos mimos, o experiente barman jura que o craque não recebia tratamento especial: “Ele comia o mesmo que todo mundo. Na cozinha, a gente seguia as ordens dos diretores da equipe”. Prezando pela discrição, Pelé nunca foi visto consumindo bebida alcoólica no hotel. Segundo Martins, a exceção não foi quebrada nem na noite de seu milésimo gol: “Só servi drinques aos amigos de Pelé – a ele, nunca!”.

(com colaboração e fotos de Julia Bezerra)

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Posted in Esporte at fevereiro 3rd, 2012. 1 Comment.

O Futebol e a Segunda Guerra Mundial

A Copa do Mundo foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928. Ele foi o terceiro presidente da FIFA e teve um mandato de 33 anos (1921-1954). A primeira competição foi disputada em 1930 no Uruguai e deveria ser repetida a cada quatro anos.  Uma década depois do primeiro confronto, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o evento foi interrompido. A edição de 1942, que seria realizada no Brasil, e a de 1946 oficialmente não existiram. Porém, a guerra não impediu que campeonatos de futebol fossem disputados nesse período. Sobre isso o jornalista Luciano Pires, editor do Bauru Ilustrado, me escreveu certa vez, relatando algumas fatos curiosos daquele período.

Este foi o que mais me chamou a atenção. Na fase final do combate, entre o fim de 1944 e o início de 1945, quando a guerra estava praticamente definida e já não havia tantas batalhas com as quais se preocupar, os comandos dos exércitos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética), que lutavam contra a Alemanha nazista, se juntaram para bater bola, organizando um campeonato entre os países do grupo. A Força Expedicionária Brasileira (FEB), integrante do 5º Exército Americano, não ficou de fora, cedendo soldados jogadores ao time.

Soldados da FEB

Destacou-se o lateral Bidon, que tinha sido titular do São Cristóvão, time carioca da Primeira Divisão, que disputava na época o título com os grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Foi também convocado o meia-esquerda Perácio, um dos maiores ídolos da história do Botafogo (RJ), que havia sido titular da Seleção Brasileira na Copa de 1938, na França. Walter, ponta-esquerda da categoria de base do Corinthians, também teve a chance de participar do campeonato. Há registros de que o goleiro reserva do time também tinha sangue brasileiro. O time do 5ª Exército Americano reforçado foi o campeão.

Perácio, em 1938, na Copa da França

A participação do futebol na 2ª Grande Guerra não para por aí. A nação ucraniana, que em sua história sofreu abusos tanto da ocupação stalinista quanto da nazista, fez uso do esporte para tentar amenizar a situação. Em 1942, as autoridades nazistas permitiram a realização de um campeonato de futebol no país para ganhar a simpatia do povo. A população faminta e em processo de dizimação viu no esporte um momento raro de alegria, quando o time Start FC, antigo Dínamo de Kiev, ganhou todos os jogos. Dois deles foram disputados contra equipes alemãs: no dia 17 de julho, os ucranianos venceram o time de uma unidade militar por 6  x 0 e, em 6 de agosto, o da Luftwaffe SV Hamburg (da Força Aérea Alemã) por 5 x 1. O resultado irritou os nazistas, que pediram revanche.

Start FC (1942)

No dia 9 de agosto, como o estádio Zenit lotado, os jogadores do Start FC se transformaram em heróis nacionais ao repetirem a façanha: 5 x 3 sobre os alemães. O lamentável da história é que não tenha sido respeitado o fair play: os jogadores ucranianos acabaram presos e torturados pela Gestapo, a polícia secreta nazista, com a desculpa de serem filiados à NKVD, a polícia secreta soviética. Na verdade, essa filiação era apenas uma formalidade para que pudessem jogar futebol durante a ocupação stalinista. Nikolai Korotkykh, Nikolai Trusevich, Ivan Kuzmenko e Alexei Klimenko foram mortos na tortura. O restante do time ganhou sequelas que impossibilitaram sua volta aos campos de futebol. Esse último confronto ficou conhecido como “O Jogo da Morte”.

A Partida da Morte (1942)

O “Jogo da Morte” foi contado em livro, pelo escocês Andy Dougan. Lançado no Brasil em 2004 pela Editora Jorge Zahar, “Futebol e Guerra” desmistifica a história por trás do embate entre os times rivais (tanto nos gramados como nos campos de batalha). Além de destacar a importância do futebol para o povo ucraniano, o autor expõe a tragédia da ocupação nazista e seus efeitos sobre a população local. No mesmo ano, o jornalista fluminense Roberto Sander lançou, pela Editora Bom Texto, “Anos 40 – Viagem à Década Sem Copa”. No livro, ele conta histórias de talentos brasileiros revelados nessa época, como Leônidas da Silva e Heleno de Freitas. Mesmo alheia aos acontecimentos esportivos, pode ser considerada uma década de ouro para o futebol.

O episódio acabou chegando até Hollywood. O diretor John Huston se inspirou nele para rodar o filme “Fuga para a Vitória” (1982), com Sylvester Stallone e Pelé – o craque brasileiro faz o papel de um prisioneiro de guerra natural de Trinidad e Tobago. Veja abaixo a cena do jogo, com direito a gol – é claro – de Pelé (ôps, desculpe o spoiler!):

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Posted in Esporte at fevereiro 2nd, 2012. 2 Comments.

Como tirar dúvidas sobre futebol em qualquer lugar

Discussões sobre futebol são comuns em qualquer roda de amigos. O maior problema é quando surgem aquelas dúvidas que ninguém sabe responder: a primeira camisa do Corinthians já era preta e branca? É verdade que o São Paulo já jogou com uma camisa cor de laranja? Em que ano este ou aquele craque defendeu seu time?

Agora, dá para encontrar essas respostas rapidamente em qualquer lugar. Basta pegar o iPhone, iPad ou iPod Touch e abrir um desses aplicativos de futebol lançados este ano pela editora Panda Books:

Enciclopédia dos craques

Baseado no livro de mesmo nome que lancei no comecinho do ano com o também  jornalista  Mário Mendes, o aplicativo tem as fichas completas de 1686 craques de futebol de todos os tempos – 54 a mais que a versão impressa. Nome completo, posição, local e data de nascimento, clubes por onde passou e títulos conquistados: está tudo na enciclopédia de bolso.

Todas as camisas da história do Corinthians

Paulo Villena Gini, administrador de empresas, tem uma coleção de  3 mil camisas de futebol. Junto ao jornalista Rodolfo Martins Rodrigues, escreveu o livro A história das camisas dos 12 maiores times do Brasil. O aplicativo, com ilustrações de Mauricio Rito, tem imagens de todos os modelos de camisas já usados pelo Timão ao alcance de um toque.

Todas as camisas da história do São Paulo

Em 1969, o São Paulo entrou em campo com um uniforme azul para enfrentar o Real Madrid. Quem ainda não era nascido nessa época não vai se lembrar disso, mas pode voltar no tempo com este aplicativo. Os autores também são Paulo Villena Gini, Rodolfo Rodrigues e Maurício Rito.

Aguarde:  muitos outros virão em breve!

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Posted in Esporte, Jornalismo at outubro 13th, 2011. 1 Comment.

Os ditadores da bola e da política

Amanhã, acontece no Rio de Janeiro o sorteio das Eliminatórias da Copa 2014. O evento será transmitido para 208 países e contará com a participação de dirigentes de futebol como Joseph Blatter, presidente da Fifa desde 1998. Ricardo Teixeira, presidente da CBF desde 1989, será alvo de uma manifestação  pedindo a sua saída.

Recentemente  protestos na Síria e em outros países do Oriente Médio e da África chamaram a atenção do mundo para governantes que estão no poder há décadas. O mesmo acontece no mundo do futebol. O atual presidente sírio, Bashar al-Assad, assumiu o posto faz 11 anos. Ele assumiu depois da morte do pai, Hafez al-Assad, que comandou o país de 1971 a 2000.

De ditadores a cartolas do futebol, veja quem não quer saber de largar o osso (na verdade, o filé mignon). Veja como as histórias são bem parecidas:

Muamar Kadafi (Líbia) – desde 1969

Era membro das tropas revolucionárias que derrubaram o rei Idris em 1969. Depois do golpe, Kadafi assumiu o cargo de primeiro-ministro. Em 1979, subiu ao governo definitivamente. Quando os líbios protestaram para sua saída, em fevereiro deste ano, ele não hesitou em atacar os manifestantes. Continua no poder, embora a Corte Penal Internacional tenha emitido um mandado de prisão contra ele.

Mais antigo que Kadafi no poder é o brasileiro João Havelange. Descendente de belgas, nascido em 1916, competiu como nadador nas Olimpíadas de Berlim em 1936. Em 1956, assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que reunia futebol e outros 23 esportes praticados no Brasil. Ficou lá até 1974, quando foi eleito presidente da FIFA, e só deixou o cargo depois de seis Copas, em 1998. Ainda permanece como presidente de honra da instituição. Se somarmos todo o tempo em que ele esteve no poder, chegamos a 55 anos – 13 a mais que o governante da Líbia.

Ali Abdullah Saleh (Iêmen) – desde 1978

Saleh foi eleito pelo parlamento quando Ahmed Bin Hussein al-Ghasmi, antigo presidente do Iêmen do Norte, foi assassinado em 1978. No mesmo ano, ele mandou executar trinta funcionários do governo acusados de conspirar contra seu cargo. Por causa dos protestos que acontecem desde fevereiro, ele já disse que vai renunciar ao poder, mas tenta se esquivar da promessa.

Em 1966, Ricardo Teixeira, outro grande alvo de protestos, estudava Direito no Rio de Janeiro quando conheceu a filha de João Havelange e entrou para o mundo das grandes organizações esportivas. Tornou-se dirigente da CBF em 1989 após derrotar Nabi Abi Chedid, que era vice-presidente na época. Seu antecessor, Octávio Pinto Guimarães, teve um mandato de três anos. O de Teixeira já dura 22.

José Eduardo dos Santos (Angola) – desde 1979

Além de governante, é líder das Forças Armadas Angolanas e do partido MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). É apenas o segundo presidente do país, que se tornou independente de Portugal em 1975. Desde 1992, o país tem eleições multipartidárias que são consideradas fraudulentas pela oposição.

No mesmo ano que José Eduardo dos Santos subiu ao poder em Angola, Julio Grondona assumiu a presidência da Associación del Fútbol Argentino (AFA). Antes, havia sido presidente do Club Atlético Independiente na década de 1970.

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (Guiné Equatorial) – desde 1979

Obiang depôs o primeiro presidente da Guiné Equatorial, Francisco Macías Nguema, com um golpe de Estado, e assumiu o poder. Em 1982, ele foi eleito para um mandato de sete anos. Na votação seguinte, ele era o único candidato e foi reeleito. Nos pleitos seguintes, que permitiam outros partidos políticos, ele sempre ganha com cerca de 98% dos votos.

Joseph Blatter, atual presidente da FIFA, iniciou a carreira de cartola na Federação de Hóquei sobre o Gelo da Suíça, onde foi secretário-geral. Na FIFA, começou em 1975 e, em 1981, foi promovido a secretário-geral. Em 1998, Blatter candidatou-se ao posto de presidente no lugar de João Havelange. Permanece no cargo desde então.

Robert Mugabe (Zimbábue) – desde 1980

Foi um dos líderes da revolução contra a dominação racial de brancos, sendo eleito primeiro-ministro em 1980. Em 1987, passou a presidente. O governo dele é acusado de prejudicar a economia do Zimbábue. Em 2003, o editor da The Economist na África, Robert Guest, disse que a renda média anual de um habitante era de 950 dólares em 1980, mas este número tinha sido reduzido a apenas 400 dólares por ano.

O paraguaio Nicolás Leoz, nascido em 1928, também entra na lista dos cartolas há mais tempo no poder. Começou como cartola do Libertad em 1969. Seguiu como presidente da Associação Paraguaia de Futebol e como vice e presidente da Conmebol.   Já teve cinco reeleições.

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Posted in Esporte, Listas at julho 29th, 2011. 2 Comments.

O representante de Deus conta tudo

Estou em Buenos Aires, gravando reportagens para a ESPN-Brasil. Ontem à noite assisti ao ótimo documentário El representante de D10S (“O representante de Deus”), sobre a vida de Guillermo Coppola, um ex-bancário que se tornou um dos mais lendários agentes do futebol do país. O documentário, com 100 minutos de duração, foi exibido pelo canal por assinatura argentino Infinito.

Guillermo Coppola chegou a competir nas categorias de base do Racing, na Argentina, mas concluiu que nunca seria um bom jogador. A paixão pelo esporte, no entanto, era grande. Acabou se tornando empresário por acaso. Vicente Pernía, jogador do Boca, foi ao Banco Federal Argentino, onde Coppola trabalhava, para perguntar sobre investimentos. Coppola fez excelente aplicações e sua fama se espalhou entre os jogadores.

Foi assim que ele, conhecido como “Guillote” pelos amigos, acabou se transformando em empresário de Diego Maradona, maior ídolo do futebol argentino de todos os tempos. O documentário, todo narrado pelo agente, traz muitas histórias sobre a carreira de Dieguito, como a negociação fracassada para jogar no Milan, em 1984. A proposta do Napoli foi melhor. Mas os valores – 5 milhões de dólares por um ano de contrato – são incrivelmente baixos comparados aos dos dias de joje. O documentário fala também da reunião que Maradona teve em 1994 com o presidente do Santos e Pelé para defender o time da Vila Belmiro.  Preferiu voltar para o Boca Juniors.

A parceria durou de 1985 a 1990 e de 1996 a 2003, mas acabou no tribunal, pois o jogador acusava o agente de ter se apropriado de 2 milhões de dólares arrecadados em negócios conjuntos. O documentário trata também das acusações de posse de drogas e assassinato que o levaram para a prisão na década de 1990. Coppola fala sobre as baratas que infestavam sua cela.

No Brasil, o canal Infinito está disponível para assinantes Oi TV (canal 416), Nossa TV (canal 23) ou Telefônica TV Digital (canal 365) e reprisa a produção amanhã, 28, às 22h.

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Posted in Celebridades, Esporte, Televisão at junho 27th, 2011. No Comments.

Templo do Futebol: visita ao museu do Argentinos Juniors

No Loucos por Futebol deste sábado, na ESPN Brasil, vamos apresentar o terceiro museu de futebol de Buenos Aires. Já tinha visitado os museus de Boca Juniors e River Plate. Desta vez, apresento o “Templo do Futebol”, nome que recebeu o museu do Argentinos Juniors. Com 106 anos, o “bicho colorado” é um dos times com mais história na Argentina. Afinal,  o time de Vila Mitre, em Buenos Aires, foi responsável por revelar craques como Sergio Batista, Fernando Redondo e… ele! Sim, Diego Maradona.

O treinador Francis Cornejo cuidava dos “Los Cebollitas”, time infantil do Argentinos Juniors. Goyo Carrillo, um amigo de Maradona que tinha sido aprovado para o time de base, insistiu para que Cornejo conhecesse “um garoto ainda melhor que eu”. Diego Maradona tinha apenas 9 anos, impressionou o técnico e entrou para a equipe. O descobridor do ídolo sempre disse que o via como um filho.

Com quinze anos, Maradona se tornou o argentino mais jovem a começar no futebol profissional. Entrou nos últimos quinze minutos de uma partida contra o Talleres. Em seu ano de estreia, foi artilheiro – com 22 gols – do Campeonato Metropolitano. “El Pibe de Oro” fez 115 em 166 partidas de seus três anos no time. O craque foi para o Boca Juniors no final de 1980. No entanto, o Argentinos Juniors jamais o esqueceria: o estádio do clube, reinaugurado em dezembro de 2003, foi batizado de “Estádio Diego Armando Maradona”.

O museu, inaugurado em 25 de novembro de 2009, só está aberto ao público aos sábados, das 10h às 13h, e em dias de jogos no estádio.

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Posted in Esporte, Viagem at junho 23rd, 2011. 1 Comment.

Álbum da Copa América 2011 enche linguiça

Já está sendo vendido há um mês na Argentina o álbum da “Copa América 2011”. Comprei o meu exemplar em Buenos Aires no final de semana passado. A Copa América será disputada de 1º a 24 de julho em oito estádios da Argentina. O Brasil, campeão das duas últimas competições, em 2004 e 2007, está no grupo B, ao lado de Paraguai, Equador e Venezuela.

Cada uma das doze Seleções tem duas figurinhas que formam a foto do time posado e mais uma com o emblema de sua confederação. Depois vêm os 20 jogadores. Do Brasil, por enquanto, só tirei a do Jucilei, do Anzi, da Rússia, e a do Thiago Silva, do Milan. Em compensação, já tenho metade do time do Japão. Sim, como o álbum foi finalizado no dia 7 de março, os japoneses estão lá (Estranho é que Jucilei foi vendido para o futebol russo no final de fevereiro e ainda aparece como jogador do Corinthians). A desistência da Seleção Japonesa aconteceu na semana passada e a Costa Rica foi convidada para ocupar o lugar. Os jogadores costarriquenhos não estarão no álbum.

A Panini conseguiu também o milagre da multiplicação das figurinhas. O álbum tem 348 cromos!!! Como? A empresa inventou um jeito de encher linguiça: colocou oito páginas com “fotos de jogadores em ação”.  São os principais jogadores em cenas de jogo. Tudo misturado, sem separação por seleção.

A Panini informa que lançará o mesmo álbum no Brasil nos próximos dias. Mas se negou a dar mais informações. A assessora disse que ainda estava redigindo o release… Que figurinha!

(atualizado em 19 de maio)
Chegou o release! Está escrito que o álbum será lançado aqui no Brasil no dia 22 de maio. O release diz que são 347 figurinhas. Faltou contar a número 00, que está na contracapa do álbum. Saiu hoje também a pré-convocação da Seleção Brasileira para a Copa América. Jucilei não está na lista. Já estou com o álbum furado…

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Posted in Viagem at maio 18th, 2011. 54 Comments.