Peça há 60 anos em cartaz prepara shows acessíveis

Como parte das preparações para as Paraolimpíadas 2012, que acontecem em Londres de 29 de agosto a 9 de setembro, a capital inglesa promete um merecido presente ao público: três apresentações acessíveis da peça “A Ratoeira”, o espetáculo há mais tempo em cartaz no mundo. A primeira, marcada para o dia 28 de agosto, contará com um sistema de áudio-descrição, sendo recomendada aos deficientes visuais. No dia 4 de setembro, um profissional fará a tradução simultânea em libras (linguagem de sinais), e, dois dias depois, a peça será legendada em um telão.

“A Ratoeira”, escrita por Agatha Christie, é apresentada no teatro Saint Martin’s, em Londres, há 38 anos ininterruptos. Este ano é ainda mais especial: no dia 25 de novembro, completam-se 60 anos desde a primeira estreia do espetáculo, no também londrino Ambassador’s Theatre. Da mesma idade do reinado de Elizabeth II, atual rainha da Inglaterra, “A Ratoeira” preserva, há 53 anos, o título de show há mais tempo em cartaz no mundo.

Teatro que abriga a peça sexagenária

A peça foi escrita em 1948, como um presente de Agatha Christie para a rainha Mary, esposa do rei George V, em comemoração ao seu 80º aniversário. Originalmente, era um conto chamado “Três Ratos Cegos”. A própria escritora adaptou-o para os palcos, e “A Ratoeira” estreou em Londres em 1952, quando o primeiro-ministro britânico ainda era Winston Churchill. Foi um sucesso imediato, o que provavelmente é fruto da capacidade de Agatha Christie de desenvolver personagens complexos. Na montagem, que envolve intriga, crime e drama, cada uma das pessoas confinadas em uma casa tem motivos para ser o responsável por um assassinato. Por tradição, a produção pede que a plateia não revele o final surpreendente ao sair do teatro, para que o mistério da trama seja mantido.

Cena da peça "A Ratoeira"

De segunda a segunda, sempre às 19h30, a peça é encenada na capital britânica, tendo acumulado um histórico de 24 mil performances com um público de mais de 10 milhões de pessoas. Já passaram pela montagem 403 atores e atrizes diferentes, 200 quilômetros de tecido foram gastos com figurino e 426 toneladas de sorvete foram consumidas pela plateia.

Placa faz a contagem do histórico de apresentações

Seis anos depois da estreia, no dia 12 de abril de 1958, “A Ratoeira” entrou para o Livro dos Recordes como o espetáculo há mais tempo em cartaz na história do teatro. Hoje, não é mais só o show que figura entre os recordistas. David Raven é o ator que mais vezes encenou o mesmo personagem. De 1957 a 1968 na pele do Major Metcalf, ele subiu aos palcos 4.575 vezes. Nancy Seabrooke também foi longe: trabalhou como atriz substituta na mesma peça por 15 anos. Entre 1979 e 1994, ano em que Nancy se aposentou, ela atuou em apenas 72 das 6.240 apresentações.

Em comemoração aos 60 anos da montagem, a produção de “A Ratoeira” promete uma turnê mundial do espetáculo. Já estão confirmadas passagens por Austrália, China, Coreia do Sul, Turquia, África do Sul, Rússia, República Tcheca, Hungria, França, Alemanha, Holanda, Itália, Polônia, Espanha, Escandinávia, Venezuela, Estados Unidos e Canadá. Por enquanto, o Brasil está fora da lista. Os ingressos para assistir à peça em Londres vão de 16 a 41 libras (49 a 126 reais), e ingressos para as apresentações até 15 de dezembro deste ano já estão à venda.

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Posted in Teatro, Viagem at maio 2nd, 2012. 1 Comment.

Comer com pauzinhos virou questão ambiental

Os chineses começaram a comer com pauzinhos há cerca de 5.000 anos, como uma forma de reutilizar lascas de madeira descartadas no processo de fabricação de outros objetos. Ironicamente, o que começou como uma solução para o desperdício é hoje um problema ambiental.

A China consome anualmente 50 bilhões de pares de kuaizis – feitos com a derrubada de 3,8 milhões de árvores; no Japão, são descartados mais 24 bilhões de hashis. Chineses e japoneses jogam fora, portanto, 202 milhões de pares de pauzinhos de madeira todos os dias. Apesar de, atualmente, os talheres orientais poderem ser feitos de porcelana, plástico, bambu, aço inoxidável e marfim, a tradição faz com que os de madeira ainda sejam os mais utilizados em restaurantes, em lanchonetes e até dentro de casa.

Pauzinhos de bambu: opção ecológica

Dados de relatório da ONU de 2008 apontam um desaparecimento anual de 28 mil quilômetros quadrados de florestas asiáticas. Segundo a Fundação de Proteção Ambiental da China, essa devastação é capaz de acabar com a flora do país em apenas 20 anos. Em 2010, para chamar a atenção da população, a Fundação recolheu 30 mil pares de kuaizis usados em restaurantes, lavou-os e usou-os para construir uma árvore de 5 metros de altura, instalada na calçada de um bairro movimentado de Xangai. A árvore foi então derrubada e, ao lado dela, colocou-se uma placa: “Nossas árvores só conseguirão nos alimentar por mais 20 anos”.

Duzentos estudantes de 20 universidades chinesas repetiram o movimento no fim do ano passado. Eles conseguiram recolher 82 mil pares de pauzinhos de madeira usados em restaurantes de Pequim. Construíram, então, quatro árvores de 5 metros de altura cada. A obra, exposta em um centro comercial da cidade, foi batizada de “floresta descartável” e resultou em 40 mil assinaturas em uma petição contra a produção de talheres de madeira.

A artista norte-americana Donna Keiko Ozawa já utilizou 170 mil hashis na confecção de suas obras de arte. Descendente de japoneses, ela usa os talheres descartados em restaurantes de São Francisco como forma de protesto ambiental.

Donna Keiko Osawa e sua arte de pauzinhos

Desde 2008, alguns restaurantes de Tóquio (Japão) são adeptos da campanha BYOC (sigla para a expressão “traga seus próprios pauzinhos” em inglês). Cada vez que um cliente aparece para comer com seu próprio hashi, ele ganha um ponto. Com 10 pontos, ganha um desconto no valor aproximado de 12 reais para ser usado em um dos restaurantes participantes.

Na onda verde, a empresa Index lançou pauzinhos japoneses ecológicos no mercado. Eles são feitos com um polímero à base de arroz, que utiliza em seu processo de produção 30% de emissões de carbono a menos que o plástico comum. O par custa o equivalente a 22 reais. Em 2006, para incentivar as pessoas a usarem os pauzinhos de madeira mais de uma vez (ou a passarem a adotar talheres de outros materiais), o governo chinês impôs uma taxa de 5% sobre o valor do utensílio.

Pauzinhos ecológicos da marca Index

Apesar das tentativas de ativistas ambientais e do alerta feito pelo governo, os números só têm piorado. De 2006 a 2011, o consumo dos pauzinhos aumentou em 11%. Alguns restaurantes chineses já passaram a adotar kuaizis de plástico, mas a grande maioria dos japoneses ainda insiste nos tradicionais hashis de madeira.

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Posted in Comes e bebes at abril 24th, 2012. 1 Comment.

Produtos cada vez mais sofisticados para bichos

No Brasil, bichos de estimação já são considerados membros da família. Alguém duvida disso? Processo já vivido em outros países, como os Estados Unidos, essa integração à família acaba humanizando o animal. No último ano, foram lançados produtos no mercado que colocam cães e gatos no mesmo patamar de consumidores humanos. De água engarrafada a esmalte de unhas, confira as sofisticadas novidades que prometem ferver o mercado pet este ano:

Máscara hidratante
Os (donos de) cãezinhos de pelos crespos já não têm mais que se preocupar com ressecamento e fios embaraçados. A linha de cosméticos pet Eco Dog lançou no mercado uma máscara hidratante feita com castanha-do-pará para deixar a pelagem dos cachorros mais macia e fortalecida, própria para penteados e preparações para exposições. Indicado para aqueles que têm pelos longos e encaracolados, uma bisnaga de 400 ml sai por R$ 26,00.

Diamante de pelo
Usando apenas um pelo de cachorro, dá para fazer um diamante. Esse serviço já está disponível no Brasil e é oferecido pelo Pet Memorial – o primeiro crematório individual de bichos de estimação da América Latina – em parceria com a empresa santista Brilho Infinito, que já oferecia a mesma regalia a clientes humanos. Geralmente, os diamantes são encomendados como lembranças de animais recém-falecidos.

O pelo do bichinho é enviado a laboratórios espanhóis que, a partir dele, extraem carbono, usado na confecção da pedra preciosa. Os donos podem escolher o tamanho (0,1 a 0,5 quilate) e a cor (azul, dourada ou incolor) do diamante. A menor pedra, na variação incolor, sai por R$ 1.600,00. O Pet Memorial fica em São Bernardo do Campo (SP), no quilômetro 20 da Rodovia Castelo dos Imigrantes.

Variações de cor do diamante

Água da Amazônia
Uma das grandes novidades do mercado pet brasileiro é a Amazon Pet Water, lançada em outubro de 2011 pelo casal de ambientalistas André Lobato e Elida Braz. É isso mesmo: uma água especialmente engarrafada para animais. A bebida vem de uma região da Amazônia apelidada de “floresta encantada”, que fica no município de Benevides (PA). A população local e cientistas da Universidade Federal do Pará, que já fizeram pesquisa na região, alegam que os animais que bebem das águas de suas fontes parecem demorar a envelhecer. O líquido é ainda enriquecido com antocianina, um antioxidante celular – substância que ajuda o sistema imunológico e cardiovascular – presente no fruto do açaí. A fonte da juventude é vendida em doses de 500 ml, ao preço sugerido de R$ 3,90.

Tintura para pelos
Bichinhos de estimação com pelos tingidos já são comuns fora do país. No final do ano passado, a empresa brasileira Central Vet fechou parceria com a franco-japonesa Pet Esthé para a importação de tintas para pelos de cães. Os produtos, destinados exclusivamente ao uso profissional, estarão em breve disponíveis em pet shops que oferecem o serviço de banho e tosa. Além das coloridas e extravagantes, há as tintas que disfarçam os pelos brancos de cachorros mais idosos e as que, ao contrário, realçam a pelagem dos branquinhos que ficaram amarelados com o tempo. A Pet Esthé aposta também em uma linha de esmaltes para as cadelinhas brasileiras. Será que a moda pega?

Efeito da tinta Pet Esthé

Linha de esmaltes Pet Esthé

Cosméticos de ouro
A marca Pet Life oferece aos bichos de estimação uma linha de cosméticos que contêm ouro 18 quilates em sua composição. Segundo a fabricante, o metal proporciona benefícios à pele e pelagem de cães e gatos. O xampu de 500 ml sai por cerca de R$ 25,00. Também estão disponíveis perfume (R$ 15,00) e sabonete (R$ 10,00) feitos de ouro.

Linha ouro da Pet Life

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Posted in Animais at abril 10th, 2012. No Comments.

Os números curiosos da comida de avião

Em 1987, a empresa aérea American Airlines decidiu tirar uma azeitona de todas as refeições servidas em seus voos. A economia foi de 40 mil dólares naquele ano. Tudo por causa de uma mísera azeitona. O Blog do Curioso reuniu uma série de números e estatísticas que mostram que o lanchinho do avião é muito mais que uma simples cortesia.

O setor de serviço de bordo gira em torno de 13 bilhões de dólares ao ano e emprega cerca de 100 mil pessoas. O funcionário menos qualificado ganha 12 dólares por hora, o que totaliza cerca de 3.500 reais mensais. A LSG Sky Chefs é a maior empresa do setor.

São servidas todo ano cerca de 700 milhões de refeições aéreas no mundo.

Os pratos principais representam 60% dos custos de uma refeição aérea. Os aperitivos são 17%, as saladas somam 10% e as sobremesas, 7%.

Uma pesquisa conduzida pelo site www.dietdetective.com concluiu que as empresas Virgin America e Air Canada são as que oferecem refeições mais saudáveis a seus clientes. A norte-americana Spirit Airlines ficou em último lugar da lista.

Refeição da Air Canada

Refeição da Spirit Airline

O norte-americano The Wall Street Journal publicou os resultados de uma pesquisa que descobriu que as condições de pressão da cabine de um avião diminuem a sensibilidade das papilas gustativas em cerca de 30%. Essa pode ser uma explicação para as constantes reclamações de passageiros quanto ao gosto da comida servida a bordo.

O odor é responsável por 80% da capacidade gustativa do ser humano. É por isso que, quando estamos resfriados, não apreciamos muito o gosto das comidas. O mesmo acontece dentro do avião: em condições secas, como a da cabine, o muco nasal evapora, fazendo com que a eficiência de nossos receptores nasais diminua. Esse é mais um fato que pode explicar por que é tão difícil agradar consumidores de comida de avião.

Depois de encomendar uma pesquisa para descobrir por que seus clientes consumiam tanto suco de tomate durante os voos, a companhia alemã Lufthansa descobriu que, em altas altitudes, o gosto do tomate é menos ácido às papilas gustativas humanas. Isso faz com que o consumo da bebida no avião se iguale ao da popular cerveja.

O site Airline Meals reúne mais de 23 mil fotos de refeições a bordo de mais de 600 companhias aéreas ao redor do mundo (inclusive as brasileiras TAM, Gol, Azul e Avianca). É uma boa maneira de antecipar o cardápio de sua viagem.

Fotos disponíveis no site Airline Meals

O cardápio da brasileira TAM tem cerca de 500 opções – entre entradas, pratos principais e sobremesas – para atender às classes econômica, executiva e primeira classe.

Festival de Comida Regional na TAM

Em 2011, para divulgar seu cardápio a bordo, a companhia aérea Air France montou em terra – mais especificamente, no meio da Times Square, em Nova York – um trailer com comida de avião. Durante seis dias, foram distribuídas cerca de 600 refeições.

Trailer da Air France em Nova York

Para economizar gastos, as companhias aéreas têm investido menos em alimentos. Em 1990, uma refeição da American Airlines custava à companhia 6,89 dólares. O serviço a bordo correspondia a 4,6% de todas as despesas da empresa. Dez anos depois, esse valor havia caído para 5,48 dólares, implicando o investimento de 3,2% das despesas totais da companhia.

A Delta Airlines calculou que, tirando um simples morango das saladas servidas na primeira classe dos voos domésticos, pode economizar 210 mil dólares por ano.

Um reajuste de 0,01 dólar no preço do amendoim significaria um aumento de 610 mil dólares nos custos anuais da Delta Airlines.

Mesmo contando com pelo menos uma refeição durante o voo, os passageiros costumam consumir alimentos nos aeroportos, antes do embarque. Em uma hora, o Aeroporto Internacional da Filadélfia (EUA) serve 327 pretzels, 53 sanduíches de filé, 950 xícaras de café e 184 fatias de pizza.

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A trajetória histórica da Enciclopédia Britânica

A Enciclopédia Britânica, a mais antiga do mundo na língua inglesa, anunciou na última quarta-feira o fim de sua edição impressa. Depois de 244 anos de história, a empresa decidiu focar na versão online, para concorrer diretamente com a Wikipédia. Uma versão básica está disponível gratuitamente no site da Enciclopédia e, para os donos de iPhone e iPad, há um aplicativo oficial também de download grátis. Para ter acesso ao conteúdo completo, o usuário deve pagar uma taxa de 70 dólares anuais.

Tela de aplicativo da Enciclopédia Britânica para iPhone

A primeira Enciclopédia Britânica foi produzida em 1768, em Edimburgo (Escócia), por Andrew Bell, Collin Macfarquhar e William Smellie. Tinha 2.659 páginas, divididas em três volumes, que abrigavam um resumo de todo o conhecimento humano até a data. Com artigos de nomes hoje reconhecidos como Benjamin Franklin e John Locke, o contexto histórico era o auge do iluminismo, e as ideias antropocentristas transpareciam no conteúdo. Definia mulher, por exemplo, como “a fêmea do homem”.

Primeira edição da Enciclopédia Britânica

Primeira edição da Enciclopédia Britânica

Só na segunda edição, lançada em 1784, que tópicos de História e Biologia foram adicionados. Isso fez com que o número de volumes passasse para 10 e a quantidade de páginas atingisse pouco mais de 8.500.

A multiplicação da ciência no século XIX fez com que fossem lançadas cinco edições da enciclopédia. A última, de 1889, considerada uma das melhores coleções escolares de todos os tempos (tinha artigos de Charles Darwin e Karl Marx), disseminou-se pelos Estados Unidos de forma ilegal. Devido ao dano de muitas unidades pirateadas, em 1901 o controle da marca passou aos norte-americanos, que abrigavam um mercado promissor. A 11ª edição, de 1911, foi a primeira a ser replicada por uma gráfica de alta produção. A enciclopédia, impressa tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, foi dedicada ao presidente norte-americano e ao Rei da coroa britânica.

Folheto promocional da edição de 1911

Foi durante a 1ª Guerra Mundial, com a já esperada queda de vendas, que a Enciclopédia Britânica começou sua decadência. A edição de 1920 foi feita em folhas de papel mais baratas, para tentar alavancar as vendas. Quando a marca começava a mostrar sinais de estabilização, veio a Grande Depressão de 1929. Foi para contornar essa crise que a Enciclopédia Britânica bolou a estratégia de vendas porta a porta, que gerou a expressão popular “vendedor de enciclopédia”, que designa alguém chato, insistente.

Na década de 50, Dorita Barret de Sá Putch, norte-americana filha de um alto executivo da editora, veio morar no Brasil e conseguiu a exclusividade da Enciclopédia Britânica para a América Latina. Em 1957, ela lançou a Enciclopédia Barsa, na língua espanhola. A versão em português veio em 1963. O nome era uma combinação do seu primeiro sobrenome com o do marido já falecido. Dorita morreu em 1973, quando preparava a Enciclopédia Mirador, também uma combinação de uma sílaba de seu nome com o do segundo marido, Waldemiro Putch. O lançamento da Enciclopédia Barsa foi o pontapé para que a Britânica lançasse edições japonesa, chinesa, francesa, italiana e coreana.

Os anos de 1970 e 1980, que precederam a era da internet, marcam um pico no consumo de enciclopédias. Só em 1989, as vendas atingiram 120 mil unidades ao ano nos Estados Unidos, marca que nunca mais viria a ser alcançada.

Com a chegada da década de 1990, o mercado de enciclopédias voltou a se abalar. Em um ano, as vendas caíram para 51 mil unidades ao ano. O conteúdo online da Enciclopédia Britânica começou a ser disponibilizado em 1993, apenas para assinantes. A versão em CD-ROM veio só em maio de 1994, custando o surreal preço de 1.000 dólares. Com o fracasso de vendas, em 1999, parte do site passou a ser oferecida gratuitamente, como uma forma de atrair usuários fiéis que se interessassem em comprar o direito de acesso completo.

Primeiro CD-ROM da Enciclopédia Britânica

Desde que a internet começou a fazer parte do cotidiano do consumidor da Enciclopédia Britânica, elas empacam nas prateleiras. O preço de 1.400 dólares (aproximadamente 2.500 reais) pelo conjunto de 32 volumes, aliado à facilidade de pesquisa na web, fez com que o mercado ficasse restrito a colecionadores. A última edição, de 2010, vendeu apenas 8.000 cópias – número 15 vezes menor que os 120 mil vendidos em 1990, pouco antes do estouro da web. É menor até que as vendas da 3ª edição da enciclopédia, de mais de dois séculos antes – a de 1797 vendeu cerca de 10 mil cópias. Não é de se espantar que 99% da receita da marca vêm de outros investimentos.

Kodak e Polaroid já provaram que ser icônico não é suficiente para se sustentar neste século – a primeira anunciou o fim da produção de máquinas fotográficas no começo deste ano, e a segunda faliu em 2008, logo no início da expansão das câmeras digitais. Hoje, temos 10 vezes mais informações armazenáveis do que tínhamos no século XVIII. A edição de 2010 da Enciclopédia Britânica contava com 32 volumes, 30 mil páginas e cerca de 44 milhões de palavras. Na internet, cabe muito mais.

Última edição da Enciclopédia Britânica (2010)

O curioso é que a tendência de prezar pela praticidade em oposição ao tradicionalismo do papel ainda não chegou ao Brasil. A Enciclopédia Barsa está sólida em seu mercado, preservando a venda de 70 mil coleções ao ano – marca quase 9 vezes maior que a de sua irmã Britânica. Ficou curioso? O Blog do Curiocidade publicou uma matéria contando a situação da Enciclopédia Barsa no Brasil.

Edição recém-lançada da Enciclopédia Barsa (2012)

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Posted in livros at março 27th, 2012. 1 Comment.

Quando as companhias aéreas começaram a servir refeições

As companhias aéreas surgiram logo após a Primeira Guerra Mundial, criadas por ex-pilotos dos Exércitos. O propósito inicial era transportar correspondência – não passageiros. Como o transporte humano era ocasional (e não muito valorizado pelos donos das companhias), a preocupação com a fome e bem-estar dos clientes não era comum. O que costumava acontecer era os próprios funcionários dividirem um lanche ou uma garrafa de café com quem estivesse no voo.

Primeiro avião da Pan Am (Fokker F-VII de 1929): transporte de correspondências era mais forte que o de passageiros.

As norte-americanas foram pioneiras do hoje tradicional serviço de bordo. Em 1934, a United Airlines reconheceu que oferecer refeições durante voos era uma boa estratégia de marketing para atrair clientes. A iniciativa teve dois propósitos: enganar a fome e passar o tempo dos passageiros. A companhia montou uma cozinha própria em cada aeroporto onde atuava, e levava para dentro do avião os pratos já prontos para serem servidos. Dois anos depois, a mesma United foi a primeira a ter uma cozinha a bordo. O recém-lançado DC-3 não possuía força elétrica para que comidas e bebidas pudessem ser esquentadas ou resfriadas, então o jeito era usar recipientes térmicos para preservar a temperatura dos produtos. Como ainda não havia mesinhas nos assentos individuais, as bandejas eram apoiadas em um travesseiro no colo do passageiro.

Refeições de bordo sendo preparadas em recipientes térmicos (United Airlines - 1938)

Armazenamento de comida a bordo (anos 30)

Em 1937, a American Airlines contratou a empresa que viria a ser a primeira fornecedora de comida de avião. A rede de serviços Marriott, que tinha uma loja em frente ao aeroporto de Washington (Washington National Airport), passou a fornecer café e doces à companhia aérea, que abastecia a cozinha dos aviões todas as manhãs.

Pan American Airways inventou, ainda nos anos 30, uma forma de servir café quente a seus passageiros sem precisar de energia elétrica. A bordo do Boeing 317 foi montado um esquema de circulação de glicol, que era esquentado pelo próprio motor do avião, e então usado para ferver a água. Quanto à comida, a companhia optou por encomendá-la de restaurantes locais de renome. Em voos longos, entretanto, as más condições de armazenamento obrigavam a Pan Am a servir enlatados.

Armazenamento de comida antes do voo (United Airlines - 1941)

Em 1945, a Pan Am instalou em seus aviões um forno de convecção – que faz circular ar aquecido por meio de um ventilador –, onde cabiam apenas seis refeições de cada vez. É mérito da companhia a primeira refeição feita a bordo com comida congelada. Foi servida em 1946 e era composta por carne, batatas e vegetais. Dois anos depois, com a chegada dos fornos de micro-ondas, os de convecção foram deixados de lado e o problema de se esquentar comida a bordo foi finalmente resolvido.

Cozinha de bordo no fim dos anos 40 (United Airlines)

Em 1948, foram criadas a classe econômica e a primeira classe. A partir de então, os produtos oferecidos à classe econômica tiveram sua qualidade reduzida, enquanto os que pagavam mais caro podiam desfrutar de serviços luxuosos. A Pan American Airlines foi pioneira na diferenciação da comida de avião da primeira classe em relação à econômica.

Propaganda do serviço diferenciado da Pan Am para a primeira classe (1948)

Serviço de bordo para a primeira classe (Pan Am - anos 50)

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Posted in Comes e bebes at março 21st, 2012. 1 Comment.

St. Patrick’s Day: por que tudo verde?

Hoje, dia 17, os irlandeses comemoram o “Saint Patrick’s Day“. É uma homenagem a São Patrício, o padroeiro da Irlanda. Originalmente, a cor associada a São Patrício é a azul, não a verde. Então temos aí uma curiosidade a desvendar:  por que  o verde é tão valorizado nesse dia?

São Patrício (vestido de azul)

Por causa da paisagem predominante do país, o verde é a cor que representa a Irlanda.

Paisagem na Irlanda

O trevo que acompanha São Patrício, por ser verde e representar a boa sorte, acabou se tornando um símbolo do patriotismo católico do país. A tradição de se usar verde no dia de São Patrício começou com o simples ato de pregar à roupa um trevo semelhante ao que o santo carrega. Era um ato meramente religioso até, que, em 1798, foi utilizado pela sociedade reformista United Irishmen de forma política. Para conseguir apoio popular, eles saíram às ruas vestidos de verde no dia de São Patrício. Desde então, virou regra: todo dia 17 de março – feriado nacional – os irlandeses festejam São Patrício de verde.

Mas não é só com a roupa que eles celebram a tradição. Confira abaixo diversas homenagens (verdes!) que já foram feitas ao redor do mundo no Saint Patrick’s Day:

A cerveja verde já virou tradição: todos os anos, os pubs irlandeses adicionam uma dose de menta à bebida para esverdeá-la

Docinhos verdes fazem sucesso nas festas de São Patrício

O cachorrinho teve seus pelos tingidos para participar de desfile em Chicago (EUA)

Desde 1962, O Rio Chicago (EUA) pinta suas águas de verde em homenagem ao santo

Em Nova York (EUA), a homenagem ocorre desde 1964, sempre no topo do Empire State Building.

Desde 2010, a icônica roda gigante London Eye é a representante inglesa das homenagens

No ano passado, o edifício Burj Al Arab, em Dubai (Emirados Árabes), também se iluminou de verde. Este ano, o país promete repetir a ideia

Este ano, 32 cidades preparam homenagens a São Patrício. As principais atrações prometem ser a Niagara Falls (Canadá), que pela primeira vez na história irá tingir as águas de suas quedas de verde, e a Torre de Pisa (Itália), que também nunca homenageou os irlandeses. Veja como vão ficar os dois cartões postais:

Niagara Falls

Torre de Pisa

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Posted in Datas Comemorativas at março 17th, 2012. 1 Comment.

A curiosa loja virtual de Barack Obama

Dá para imaginar algo assim no Brasil? Na eleição presidencial nos Estados Unidos deste ano, enquanto os pré-candidatos republicanos disputam uma chance de concorrer ao cargo nas primárias estaduais, o democrata Barack Obama sai na frente: abriu uma lojinha virtual para vender produtos exclusivos da campanha. Nada a ver com aquelas camisetas horrorosas que os políticos brasileiros distribuem na época de eleição.

Estão disponíveis na Barack Obama Store 51 peças de roupas, 60 acessórios, 6 produtos para animais, 32 itens de propaganda e 34 tipos de broches. E, como se não bastasse, há ainda uma linha fashion, criada por estilistas que apoiam a reeleição do atual presidente. Podem ser encontrados produtos de Marc Jacobs, Beyoncé & Tina Knowles e Vera Wang, entre 20 outros profissionais da moda.

Os preços vão de US$ 2,50 (broche simples unitário ou adesivo simples unitário) a US$ 450,00 (conjunto de 52 broches diferentes). A loja só aceita compradores residentes nos Estados Unidos. Confira abaixo alguns produtos curiosos disponíveis aos eleitores de Barack Obama:

Camiseta infantil para colorir com o desenho de Bo, o cão de Obama (US$ 30)

Suéter para cachorros (US$ 35)

Camisa de basquete (US$ 95)

Calça para yoga (US$ 35)

Revestimento térmico para lata com a estampa do vice John Biden (US$ 10)

Espátula de cozinha (US$ 40)

Coleira para gatos (US$ 12)

Conjunto de esmaltes - estilista Richard Blanch (US$ 40)

Bolsa - estilista Vera Wang (US$ 85)

Camiseta - estilista Marc Jacobs (US$ 45)

Para a campanha, o QG de Obama já se apressou em lançar vídeos, sites e perfis em redes sociais. Comparando-se à campanha – também inovadora – com a qual Obama venceu as eleições de 2008, a deste ano também traz novidades: pela primeira vez, um candidato à presidência lança um perfil no aplicativo de compartilhamento de fotos Instagram, disponível para usuários de iPhone.

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Posted in Sites curiosos, sites at março 1st, 2012. 2 Comments.

500 episódios curiosos de Os Simpsons

No último domingo (19), estreou nos Estados Unidos o 500º episódio da série de animação “Os Simpsons”. Batizado de “At long last leave”, contou com a participação do jornalista australiano Julian Assange, o fundador do Wikileaks, que se envolveu em polêmicas no ano passado ao divulgar documentos secretos do governo norte-americano.  Como a nova temporada só estreia no Canal FOX do Brasil amanhã (domingo, dia 26) e o episódio 500 é o 14° da temporada, ele só será exibido por aqui no início de maio.

Ao longo de 23 anos de história, a série não poupou críticas ao estilo de vida americano, e não se acanhou ao brincar com tabus como drogas, política e homossexualismo. Veja abaixo 20 curiosidades sobre Os Simpsons que o Blog do Curioso preparou para você:

1. Os Simpsons foram criados em 1987, como um projeto piloto do estreante Matt Groening. No começo, eram segmentos de 20 segundos transmitidos no programa “The Tracey Ullman Show”. Em 17 de dezembro de 1989, estreava a primeira temporada oficial da série, com episódios de meia hora. Veja um dos episódios dos Simpsons antes de eles virarem uma série:

2. É a série de animação que ganhou mais Emmys na história: já levou 27.

3. Só as séries “Lassie” e “Gunsmoke” superam a marca de 500 capítulos.

4. Os produtores dos Simpsons têm contrato assinado com a Fox por pelo menos mais duas temporadas. Isso quer dizer que a série terá, no mínimo, 559 episódios.

5. Para que os roteiros assumam a identidade sarcástica da série, cada um deles passa por cerca de 20 escritores, que fazem o possível para que as tiradas atinjam públicos de diferentes regiões, culturas e idades. Além disso, a pintura e o intercalamento dos quadrinhos são feitos na Coreia do Sul, onde o custo é mais baixo. Por isso, cada episódio demora entre oito meses e um ano para ficar pronto.

6. Matt Groening batizou a cidade dos Simpsons de Springfield porque esse é o nome de cidade mais comum nos Estados Unidos (há 121 delas espalhadas pelo país). Em 21 de julho de 2007, foi feita uma eleição pela internet para decidir qual Springfield receberia o lançamento especial do filme dos Simpsons. A vencedora foi a do Estado de Vermont.

7. Também em julho de 2007, como parte da estratégia de promoção do filme dos Simpsons, foi instalada uma rosquinha gigante na tocha da Estátua da Liberdade, em Nova York.

8. A série é composta por cerca de 300 personagens. Os nomes dos protagonistas Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie foram baseados em familiares do criador Matt Groening.

9. No capítulo 467, o artista de rua anônimo Banksy criou a abertura do desenho para denunciar as condições de trabalhos nas fábricas de merchandising da série. Veja:

10. No episódio “Feitiço de Lisa”, da temporada 13, em 2002, a família Simpson viaja ao Brasil. Aqui, eles encontram taxistas pilantras, assaltantes, macacos pelas ruas e apresentadoras de TV vulgares. A crítica gerou atritos diplomáticos com o país, mas as piadas de mau gosto não pararam por aí. Em outro episódio, Homer ainda diz: “Gostaria de voltar ao Brasil, mas parece que o problema dos macacos está ainda pior”. E em “A Esposa Aquática”, Lisa diz que Barnacle Bay é o lugar mais nojento que já visitou – depois do Brasil (a frase foi cortada na versão dublada para o português). Veja um trecho da visita da família amarela ao país:

11. Já viraram personagens da série celebridades como Mel Gibson, U2, Ronaldo, Kim Basinger, Tony Blair, Rupert Murdoch, Nicolas Sarkozy, George Bush, Lady Gaga, Elizabeth Taylor, Michael Jackson, Magic Johnson, Sting, George Harrison, Aerosmith e Ramones.

12. A personagem Marge Simpson beijou uma amiga na boca no episódio “Como o Teste Foi Vencido”, em março de 2009. A cena se passou apenas na imaginação de seu marido, Homer Simpson. Veja a cena:

13. Você sabe a idade dos integrantes da família? Homer tem 35 e Marge, 34. O garoto Bart é o primogênito, com 10 anos; a estudiosa Lisa tem 8 e a pequena Maggie, apenas 1 aninho. Durante os 23 anos da série, nenhum deles envelheceu.

14. Apesar de Maggie ser novinha, ela não é nada boba. A caçula é conhecida por ter acertado um tiro no Sr. Burns, chefe de Homer, quando ele tentou roubar seu pirulito.

15. Na cidade de Springfield, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado desde o episódio número 10 da 16ª temporada. O episódio foi ao ar pela primeira vez no dia 20 de fevereiro de 2005 e causou polêmica entre as audiências mais conservadoras.

16. Na edição de novembro de 2009 da Playboy, Marge Simpson saiu na capa. Em três páginas de “fotos”, Marge não aparece nua em nenhuma delas. A foto mais picante é uma em que ela está vestida apenas com um baby-doll transparente.

17. Bill Oakley, um dos roteiristas da série, levou os fãs à loucura ao divulgar em sua conta do Twitter algumas sinopses descartadas de episódios. Entre as tramas, havia fantasias sexuais de Homer e a participação especial de Prince.

18. O episódio mais assistido de toda a história dos Simpsons nos Estados Unidos foi ”Bart Tira uma Nota Ruim”, de 1990. Ao todo, 33,6 milhões de pessoas viram esse episódio.

19. Os Simpsons estrearam na TV aberta brasileira em 1991, quando a Rede Globo comprou os direitos de exibição do desenho.

20. A série é a comédia há mais tempo no ar no horário nobre dos Estados Unidos. Os Simpsons desbancaram Os Flintstones, que, de 1960 a 1966, eram campeões absolutos.

Quer saber mais? O livro De Olho em Springfield, da Editora Panda Books, mostra tudo sobre Os Simpsons.

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Posted in Televisão at fevereiro 25th, 2012. No Comments.

O Futebol e a Segunda Guerra Mundial

A Copa do Mundo foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928. Ele foi o terceiro presidente da FIFA e teve um mandato de 33 anos (1921-1954). A primeira competição foi disputada em 1930 no Uruguai e deveria ser repetida a cada quatro anos.  Uma década depois do primeiro confronto, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o evento foi interrompido. A edição de 1942, que seria realizada no Brasil, e a de 1946 oficialmente não existiram. Porém, a guerra não impediu que campeonatos de futebol fossem disputados nesse período. Sobre isso o jornalista Luciano Pires, editor do Bauru Ilustrado, me escreveu certa vez, relatando algumas fatos curiosos daquele período.

Este foi o que mais me chamou a atenção. Na fase final do combate, entre o fim de 1944 e o início de 1945, quando a guerra estava praticamente definida e já não havia tantas batalhas com as quais se preocupar, os comandos dos exércitos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética), que lutavam contra a Alemanha nazista, se juntaram para bater bola, organizando um campeonato entre os países do grupo. A Força Expedicionária Brasileira (FEB), integrante do 5º Exército Americano, não ficou de fora, cedendo soldados jogadores ao time.

Soldados da FEB

Destacou-se o lateral Bidon, que tinha sido titular do São Cristóvão, time carioca da Primeira Divisão, que disputava na época o título com os grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo. Foi também convocado o meia-esquerda Perácio, um dos maiores ídolos da história do Botafogo (RJ), que havia sido titular da Seleção Brasileira na Copa de 1938, na França. Walter, ponta-esquerda da categoria de base do Corinthians, também teve a chance de participar do campeonato. Há registros de que o goleiro reserva do time também tinha sangue brasileiro. O time do 5ª Exército Americano reforçado foi o campeão.

Perácio, em 1938, na Copa da França

A participação do futebol na 2ª Grande Guerra não para por aí. A nação ucraniana, que em sua história sofreu abusos tanto da ocupação stalinista quanto da nazista, fez uso do esporte para tentar amenizar a situação. Em 1942, as autoridades nazistas permitiram a realização de um campeonato de futebol no país para ganhar a simpatia do povo. A população faminta e em processo de dizimação viu no esporte um momento raro de alegria, quando o time Start FC, antigo Dínamo de Kiev, ganhou todos os jogos. Dois deles foram disputados contra equipes alemãs: no dia 17 de julho, os ucranianos venceram o time de uma unidade militar por 6  x 0 e, em 6 de agosto, o da Luftwaffe SV Hamburg (da Força Aérea Alemã) por 5 x 1. O resultado irritou os nazistas, que pediram revanche.

Start FC (1942)

No dia 9 de agosto, como o estádio Zenit lotado, os jogadores do Start FC se transformaram em heróis nacionais ao repetirem a façanha: 5 x 3 sobre os alemães. O lamentável da história é que não tenha sido respeitado o fair play: os jogadores ucranianos acabaram presos e torturados pela Gestapo, a polícia secreta nazista, com a desculpa de serem filiados à NKVD, a polícia secreta soviética. Na verdade, essa filiação era apenas uma formalidade para que pudessem jogar futebol durante a ocupação stalinista. Nikolai Korotkykh, Nikolai Trusevich, Ivan Kuzmenko e Alexei Klimenko foram mortos na tortura. O restante do time ganhou sequelas que impossibilitaram sua volta aos campos de futebol. Esse último confronto ficou conhecido como “O Jogo da Morte”.

A Partida da Morte (1942)

O “Jogo da Morte” foi contado em livro, pelo escocês Andy Dougan. Lançado no Brasil em 2004 pela Editora Jorge Zahar, “Futebol e Guerra” desmistifica a história por trás do embate entre os times rivais (tanto nos gramados como nos campos de batalha). Além de destacar a importância do futebol para o povo ucraniano, o autor expõe a tragédia da ocupação nazista e seus efeitos sobre a população local. No mesmo ano, o jornalista fluminense Roberto Sander lançou, pela Editora Bom Texto, “Anos 40 – Viagem à Década Sem Copa”. No livro, ele conta histórias de talentos brasileiros revelados nessa época, como Leônidas da Silva e Heleno de Freitas. Mesmo alheia aos acontecimentos esportivos, pode ser considerada uma década de ouro para o futebol.

O episódio acabou chegando até Hollywood. O diretor John Huston se inspirou nele para rodar o filme “Fuga para a Vitória” (1982), com Sylvester Stallone e Pelé – o craque brasileiro faz o papel de um prisioneiro de guerra natural de Trinidad e Tobago. Veja abaixo a cena do jogo, com direito a gol – é claro – de Pelé (ôps, desculpe o spoiler!):

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Posted in Esporte at fevereiro 2nd, 2012. 2 Comments.