Ingleses fazem jus à fama de pontuais?

Os ingleses são mundialmente conhecidos por sua pontualidade. Ou você nunca ouviu a expressão “pontualidade britânica”? A lenda diz que, se você combina de encontrar um inglês às 10h, pode apostar que, às 9h45, ele já estará lá. Chegar alguns minutinhos atrasado em um compromisso – como nós costumamos fazer por aqui – na Inglaterra é considerado deselegante.

A importância dada ao horário é tanta que os convites britânicos costumam ser bem específicos. Se estiver escrito “às 20h”, é esperado que você bata na porta exatamente na hora marcada. Em alguns casos, pode-se encontrar algo como “às 19h30, para jantar às 20h”. Isso quer dizer que, às 20h em ponto, o jantar será servido. Portanto, é desagradável que você chegue depois das 19h50. Alguns ingleses não se intimidam e escrevem com todas as letras: “20h em ponto”. Aí é bom mesmo não se atrasar.

Mas será que todo esse rigor ainda funciona na vida real? Apesar da fama de pontuais, 63% dos ingleses assumem ter o costume de se atrasar para compromissos. Em 2006, uma pesquisa encomendada pela companhia de celulares Dial-a-Phone Pay-As-You-Go revelou que a população britânica põe a culpa nos celulares. Isso porque a facilidade de se contatar a pessoa que está esperando deixa os acomodados mais à vontade para cometer deslizes na pontualidade. A pesquisa mostrou que cada britânico atrasa cerca de 37 horas por ano. A cidade britânica com a população menos pontual é Londres: 41% dos habitantes assumiram estar quase sempre atrasados para seus compromissos. Os 19% não pontuais de Cardiff, no País de Gales, fazem dela a cidade britânica mais pontual.

Em abril de 2009, 93,5% dos trens britânicos saíam das estações sem atrasos. Apesar de parecer impressionante, estatísticas semelhantes são observadas em outros países desenvolvidos. Em Nova York, 95% das partidas de 2011 foram registradas como pontuais. No Japão, 93,8% saíram na hora. O Brasil fica para trás: apenas 84% dos trens da CPTM que saíram este ano cumpriram o horário previsto.

Na aviação, a pontualidade dos britânicos também não bate completamente com a fama. De todos os voos que decolaram nos aeroportos da Grã-Bretanha em 2011, 72% tiveram mais de 15 minutos de atraso. Nos EUA, os números são mais favoráveis: 80% dos aviões que alçaram voo no ano passado saíram no horário previsto. Aqui no Brasil, cerca de 50% dos voos domésticos costumam operar com atrasos. Os ingleses culpam o frequente mau tempo e o excesso de voos de Gatwick (Londres), o aeroporto de pista única mais movimentado do mundo.

Movimento no aeroporto de Gatwick

Até o Big Ben, maior símbolo da pontualidade britânica, já apresentou algumas falhas ao longo de sua história, que teve início em 1858. Na virada de Ano Novo de 1962 para 1963, um acúmulo de neve provocou atraso de 10 minutos nas badaladas da meia noite. O relógio que rege a vida dos ingleses parece escolher as horas mais importantes para deixar de funcionar: em abril de 1997, na véspera das eleições parlamentares, o Big Ben parou de novo – problema que voltou a se repetir três semanas depois.

Big Ben

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Posted in Viagem at maio 15th, 2012. No Comments.

Peça há 60 anos em cartaz prepara shows acessíveis

Como parte das preparações para as Paraolimpíadas 2012, que acontecem em Londres de 29 de agosto a 9 de setembro, a capital inglesa promete um merecido presente ao público: três apresentações acessíveis da peça “A Ratoeira”, o espetáculo há mais tempo em cartaz no mundo. A primeira, marcada para o dia 28 de agosto, contará com um sistema de áudio-descrição, sendo recomendada aos deficientes visuais. No dia 4 de setembro, um profissional fará a tradução simultânea em libras (linguagem de sinais), e, dois dias depois, a peça será legendada em um telão.

“A Ratoeira”, escrita por Agatha Christie, é apresentada no teatro Saint Martin’s, em Londres, há 38 anos ininterruptos. Este ano é ainda mais especial: no dia 25 de novembro, completam-se 60 anos desde a primeira estreia do espetáculo, no também londrino Ambassador’s Theatre. Da mesma idade do reinado de Elizabeth II, atual rainha da Inglaterra, “A Ratoeira” preserva, há 53 anos, o título de show há mais tempo em cartaz no mundo.

Teatro que abriga a peça sexagenária

A peça foi escrita em 1948, como um presente de Agatha Christie para a rainha Mary, esposa do rei George V, em comemoração ao seu 80º aniversário. Originalmente, era um conto chamado “Três Ratos Cegos”. A própria escritora adaptou-o para os palcos, e “A Ratoeira” estreou em Londres em 1952, quando o primeiro-ministro britânico ainda era Winston Churchill. Foi um sucesso imediato, o que provavelmente é fruto da capacidade de Agatha Christie de desenvolver personagens complexos. Na montagem, que envolve intriga, crime e drama, cada uma das pessoas confinadas em uma casa tem motivos para ser o responsável por um assassinato. Por tradição, a produção pede que a plateia não revele o final surpreendente ao sair do teatro, para que o mistério da trama seja mantido.

Cena da peça "A Ratoeira"

De segunda a segunda, sempre às 19h30, a peça é encenada na capital britânica, tendo acumulado um histórico de 24 mil performances com um público de mais de 10 milhões de pessoas. Já passaram pela montagem 403 atores e atrizes diferentes, 200 quilômetros de tecido foram gastos com figurino e 426 toneladas de sorvete foram consumidas pela plateia.

Placa faz a contagem do histórico de apresentações

Seis anos depois da estreia, no dia 12 de abril de 1958, “A Ratoeira” entrou para o Livro dos Recordes como o espetáculo há mais tempo em cartaz na história do teatro. Hoje, não é mais só o show que figura entre os recordistas. David Raven é o ator que mais vezes encenou o mesmo personagem. De 1957 a 1968 na pele do Major Metcalf, ele subiu aos palcos 4.575 vezes. Nancy Seabrooke também foi longe: trabalhou como atriz substituta na mesma peça por 15 anos. Entre 1979 e 1994, ano em que Nancy se aposentou, ela atuou em apenas 72 das 6.240 apresentações.

Em comemoração aos 60 anos da montagem, a produção de “A Ratoeira” promete uma turnê mundial do espetáculo. Já estão confirmadas passagens por Austrália, China, Coreia do Sul, Turquia, África do Sul, Rússia, República Tcheca, Hungria, França, Alemanha, Holanda, Itália, Polônia, Espanha, Escandinávia, Venezuela, Estados Unidos e Canadá. Por enquanto, o Brasil está fora da lista. Os ingressos para assistir à peça em Londres vão de 16 a 41 libras (49 a 126 reais), e ingressos para as apresentações até 15 de dezembro deste ano já estão à venda.

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Posted in Teatro, Viagem at maio 2nd, 2012. 1 Comment.

Carros brasileiros que já são peças de museu

Dá para dizer que a paixão dos brasileiros por carros começou na década de 1950, quando o presidente Juscelino Kubitscheck iniciou os investimentos na indústria automobilística do país, permitindo o surgimento dos primeiros modelos fabricados por aqui. Como era um ramo novo e experimental, muitos carros circularam por poucos anos, saindo logo de linha.  Ao longo dessa história, apareceram também carros curiosos, que hoje já são peças de museu. O Blog do Curioso relembra de alguns:

Romi-Isetta

O primeiro carro fabricado em série no Brasil foi o compacto Romi-Isetta, lançado pela empresa Romi no dia 5 de setembro de 1956. Com apenas 2,28 metros de comprimento e 350 kg, o carrinho ficou conhecido por só ter uma porta, dois lugares e três rodas (isso mesmo: duas dianteiras e uma traseira). O Romi-Isetta atingia 85 km/h, uma boa velocidade para seu tamanho. Era produzido numa fábrica em Santa Bárbara D’Oeste (SP), que fechou as portas em 1961 por problemas financeiros.

Chambord

A fábrica brasileira da empresa francesa Simca instalou-se no Brasil em 1958, em São Bernardo do Campo (SP). Em março de 1959, foi lançado nas ruas do país o primeiro Chambord, carro espaçoso de carroceria resistente, que chegava a 135 km/h. Era o mais luxuoso do mercado brasileiro. Ficou tão popular que foi adotado pelo Inspetor Carlos, do seriado de TV “O Vigilante Rodoviário”. Em 1967, a Simca foi comprada pela Chrysler, que cessou a produção do Chambord.

FNM JK 2000

Lançado em 21 de abril de 1960, o FNM JK 2000 foi o primeiro Alfa Romeo brasileiro. Batizado em homenagem ao presidente Juscelino Kubitscheck, o carro se destacou no mercado de luxo. Seu estilo seguia as tendências europeias de conforto: os encostos dos bancos dianteiros reclinavam até a horizontal. Em 1964, o regime militar exigiu a retirada da sigla JK do nome do carro. O então FNM 2000 atingiu seu pico de produção em 1970, deixando de ser fabricado somente em 1986.

Gordini

Em julho de 1962, a Willys Overland lançou o Gordini, carrinho compacto de apenas 4 metros de comprimento, que surpreendentemente exibia quatro portas. O carro foi um sucesso de crítica logo que chegou ao mercado, devido à sua potência (chegava a 130 km/h) e economia de combustível. Ganhou o apelido de “Teimoso” por vencer uma prova de resistência de 50 mil km no Autódromo de Interlagos. Mas também era chamado de “Leite Glória”, por ter baixa durabilidade (o slogan do leite em pó era “desmancha sem bater”). O último a ser fabricado foi o Gordini IV, em 1968, quando a empresa foi absorvida pela Ford.

Uirapuru

Chegou ao mercado em 1965. O modelo Uirapuru, um carro esportivo genuinamente brasileiro fabricado pela Brasinca, era um automóvel diferente, personalizado e com um desenho bem moderno para a época. Apenas algumas unidades foram fabricadas, mas o Uirapuru ficou marcado por ter atingido um feito até então inédito para carros populares no Brasil: chegou a 200 km/h no Autódromo de Interlagos (SP).

GTB

“Puma: o privilégio autenticamente brasileiro”. Era assim o slogan da fábrica que, em 1971, lançou no mercado do país o modelo de carro GTB, que combinava uma carcaça leve com uma mecânica sólida, atingindo até 170 km/h. O GTB marcou os anos 70 no Brasil, e ainda tem uma legião de fãs. A produção dos carros Puma sofreu um forte declínio na década de 1980, sendo totalmente interrompida em 1990.

SP2

Em 1969, Rudolph Leiding, presidente da Volkswagen do Brasil, deu início ao projeto genuinamente nacional de um carro esporte de carroceria leve. Lançado em junho de 1972, o resultado recebeu as iniciais da cidade de São Paulo, onde foi confeccionado. O SP, que também remetia à expressão inglesa “Sport Prototype” (“protótipo esportivo”), deu origem ao SP2, que atingia um máximo de 160 km/h, potência considerada fraca para a categoria. O SP2 foi o carro nacional de série mais baixo já produzido: media apenas 1,16 metros. Saiu de linha em 1976.

Fúria

O carro esportivo Fúria foi criado em 1976 pela Bianco (carroceria) e a Volkswagen (motor). Logo virou sensação dos autódromos; não por ser muito potente, mas pelo design refinado para a época. Quem o projetou foi Toni Bianco, que assinou também o projeto do primeiro carro nacional de Fórmula 3. Na década de 80, a fábrica da Bianco fechou suas portas.

Santa Matilde

Lançado em 1977, o Santa Matilde foi projetado pela filha de Humberto Pimentel, dono de uma fábrica de componentes ferroviários. Em 1975, o governo brasileiro proibiu a importação de automóveis. Isso fez com que a procura pelo GTB aumentasse, influenciando Humberto a montar um automóvel próprio. O carro foi apresentado no Salão do Automóvel de 1978, tornando-se objeto de desejo da alta sociedade. Chegou a custar mais que um Landau e o dobro de um Opala Diplomata, o que lhe rendeu o título de mais caro carro nacional. A produção do modelo começou a cair na década de 80. Em 1989, poucas unidades foram produzidas e, em 1997, apenas uma – o último Santa Matilde.

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Posted in Carro at maio 1st, 2012. 4 Comments.

No Dia do Goleiro, uma homenagem aos improvisados

Hoje, 26 de abril, é o Dia do Goleiro. A comemoração é uma homenagem a Aílton Corrêa Arruda, o goleiro Manga, nascido em 26 de abril de 1937. Ainda hoje considerado um dos melhores goleiros da história, Manga começou no Sport Recife em 1957 e depois defendeu o Botafogo, o Nacional do Uruguai, o Internacional de Porto Alegre, o Coritiba, o Grêmio, o Operário do Mato Grosso do Sul e, por fim, o Barcelona do Equador, encerrando sua carreira em 1982. Na Copa de 1966, Manga jogou uma única partida, contra Portugal, ao substituir Gilmar dos Santos Neves, mas não teve sorte. Os portugueses venceram por  3 x 1, e o Brasil acabou eliminado.

Manga

Não é justo, entretanto, parabenizar apenas os goleiros no dia de hoje. Muitos zagueiros, laterais, volantes e até atacantes já tiveram que se virar para defender o gol. Em homenagem a esses goleiros improvisados, um fã inglês de futebol criou o tumbrl Outfielders in Goal. No ar desde o início deste mês, o endereço já reúne 16 vídeos de jogadores de linha que tiveram que se virar debaixo da trave. Um dos lances mais impressionantes foi protagonizado por Niall Quinn, atacante do time inglês do Manchester City. Em um jogo contra o Derby County, em 1991, ele marca um gol e, alguns minutos depois, defende um pênalti. Como isso foi possível? Assista abaixo:

Na Liga Europa de 2006, no jogo entre o  suíço Basel e o francês AS Nancy, o atacante Mladen Petric assume o posto depois da expulsão do goleiro do Basel antes de uma cobrança de pênalti. Parece que ele se acalma quando o colega goleiro lhe diz algo ao lhe  passar as luvas. Petric não o decepciona:

O recém-inaugurado tumbrl futebolístico tem um representante brasileiro. Gaúcho, jogador do Palmeiras, não largou seu papel de atacante ao assumir a o gol em um jogo de 1988 contra o Flamengo pela Copa União. Substituindo o goleiro Zetti, machucado durante a partida, Gaúcho marcou e defendeu cobranças – dos mais tarde campeões mundiais Aldair e Zinho – na disputa de pênaltis.

E não é que até Pelé já foi goleiro? Em 19 de janeiro de 1964, Santos e Grêmio se enfrentavam no Estádio do Pacaembu em semifinal da Taça Brasil. Gilmar, goleiro do Santos, foi expulso aos 42 minutos do segundo tempo, quando o peixe vencia o Grêmio por 4 x 3. Pelé, que já tinha marcado 3 gols na partida, assumiu o papel de goleiro e fez duas defesas decisivas para a manutenção do placar e a classificação para a final. Até no improviso, ele provou ser o rei do futebol. É uma boa sugestão para integrar o acervo do tumblr, não?

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Posted in Datas Comemorativas, Esporte at abril 26th, 2012. 1 Comment.

Curiosidades dos 100 anos de naufrágio do Titanic

Hoje o naufrágio do Titanic completa 100 anos. Nunca uma tragédia da humanidade ganhou tanto apelo popular quanto a do transatlântico que se chocou com um iceberg. A fracassada viagem chega a seu centenário repleta de mitos, fascínio, histórias, homenagens e curiosidades:

O livro “Futility” (em português, “Futilidade”), de Morgan Robertson, conta a história de um glamoroso navio, dito o maior do mundo, que nunca afundaria, atingia de 24 a 25 nós, media 244 metros e pesava 70 mil toneladas. Os passageiros faziam parte da elite social e não havia botes salva-vidas suficientes para todos. Numa noite gelada, o navio “inafundável” do romance bateu em um iceberg e sofreu um rasgo em seu casco. Mas a maior coincidência é o nome do transatlântico do livro: “The Titan”. O livro foi publicado 14 anos antes de o Titanic zarpar.

O R.M.S. Titanic começou a ser fabricado em 1909, na Irlanda do Norte. Media 286 metros, pesava 46.328 toneladas e navegava a uma velocidade média de 18 nós, podendo chegar a 23 nós. Seu comprimento era maior do que a altura do prédio mais alto de Nova York, na época. Era o maior navio do mundo. Confira a única filmagem existente do navio original:

A construção do transatlântico custou cerca de 7,5 milhões de dólares.

Era o segundo de três grandes cruzeiros construídos pela White Star Line para cruzar o Oceano Atlântico. O primeiro deles foi o Olympic, que fez a rota Southampton – Nova York (a mesma programada para o Titanic) em 1911.

Transatlântico Olympic

A sigla R.M.S. significa “Royal Mail Steamer”, algo como “navio a vapor de correspondência Real”.

Só o leme do Titanic tinha a altura de um prédio de sete andares e pesava cerca de 101 toneladas. Era, portanto, mais pesado que o navio Santa Maria, de Cristóvão Colombo.

Sua construção foi concluída em 31 de maio de 1911. No mesmo ano, o navio foi lançado ao mar pela primeira vez.

Em 1902, o milionário americano J. Pierpont Morgan comprou a empresa “White Star Line”, que construiu o transatlântico Titanic. Morgan deveria embarcar no navio na viagem inaugural, mas teve que cancelar na última hora. Ele tinha sua suíte particular, que nunca chegou a ser usada.

A viagem inaugural do Titanic aconteceu no dia 10 de abril de 1912. Havia 2.225 pessoas a bordo.

Titanic zarpando do porto de Southampton

Dos mais de 800 tripulantes do navio de luxo, 500 eram garçons, cozinheiros e músicos. Havia duas orquestras a bordo do Titanic.

Músicos do Titanic

Os bilhetes para viajar no Titanic custavam entre 7 e 870 libras (hoje esse intervalo corresponderia a 20 a 2.500 libras). Os bilhetes mais baratos davam direito a um colchão em um beliche. Os passageiros que pagavam mais caro ficavam em ambientes com dois quartos, área de estar, banheiro privativo, quarto de empregados e sacada.

Bilhete da 1a classe

O passageiro mais rico do transatlântico, John Jacob Astor IV, tinha uma fortuna estimada em 4,2 bilhões de reais, em valores ajustados pela inflação. Ele morreu no naufrágio.

O navio oferecia aos passageiros da 1ª e 2ª classes um bistrô e um café parisiense, que virou ponto de encontro dos jovens. O Titanic carregava um estoque de 34 toneladas de carne, 35 mil ovos, 40 toneladas de batatas, 453 quilos de sachês de chá e 15 mil garrafas de cerveja.

Café parisiense do Titanic

Não faltavam entretenimento e conforto no maior transatlântico do mundo: estavam disponíveis para os passageiros uma piscina, sauna, uma quadra de squash, três bibliotecas, elevadores elétricos, salas de recepção, restaurantes, salas de concerto e academias de ginástica equipadas com bicicletas, aparelhos de treino para o remo e um cavalo elétrico para os praticantes de hipismo.

Sala de ginástica do Titanic

Às 23 horas e 15 minutos de um domingo, 14 de abril de 1912, o navio colidiu com um enorme iceberg. Transmitiu sua última mensagem 40 minutos depois: “Afundamos”. Às 2h20 da manhã do dia 15, o Titanic já estava completamente submerso.

Há uma grande polêmica sobre o exato ponto onde o acidente ocorreu. Hoje, a carcaça do navio está na latitude 41º43’ Norte e na longitude 49º56’ Oeste. A última posição detectada em pedidos de socorro foi na latitude 41º46’ Norte e longitude 50º14’ Oeste.

Apenas 713 pessoas se salvaram. Calcula-se que cerca de 800 dos 1512 mortos foram devorados por tubarões. Só havia botes suficientes para metade dos passageiros do navio.

A equipe de salvamento chegou ao local no dia 15 de abril e recolheu quem ainda não havia morrido congelado. O número de botes salva-vidas era insuficiente para o número de passageiros. Além disso, muitos se recusaram a retornar ao local do naufrágio levando botes vazios com medo da reação de quem estava na água.

Foi apenas em 1985, no dia 1º de setembro, que os restos do navio foram encontrados. A descoberta foi feita durante expedições americanas e francesas, 73 anos depois do naufrágio.

Destroços submersos do Titanic

Foram lançados três filmes sobre a tragédia, todos com o nome de “Titanic“. O primeiro saiu em 1953, dirigido por Jean Negulesco e protagonizado por Barbara Stanwick e Robert Wagner. Em 1996, foi a vez do diretor Robert Lieberman, com o filme estrelado por Peter Gallagher, George C. Scott, Eva Marie Saint, Tim Curry, Marilu Henner e Catherine Zeta-Jones. No ano seguinte, foi lançada a versão de  James Cameron.

Cartaz do primeiro filme de Titanic

DiCaprio contracenou com Kate Winslet em “Titanic”, filme que os eternizou como o casal Jack e Rose, em 1997.  O ator só entrou para o elenco por causa da insistência do diretor James Cameron. Os estúdios queriam o ator Matthew McConaughey. Tom Cruise também foi cotado, mas o alto cachê afastou-o da produção.

Originalmente, as filmagens durariam 138 dias e custariam 150 milhões de dólares. A produção acabou sendo filmada em 150 dias, e teve o custo de 200 milhões de dólares. Foi a primeira da história do cinema a atingir esse investimento.

A equipe de “Titanic” (1997) visitou os destroços submersos do navio verdadeiro 11 vezes em 1995. Eles passaram mais tempo no transatlântico que seus passageiros reais.

Durante as filmagens submersas do Titanic original, um dos membros da equipe resolveu fazer uma brincadeira: colocou o alucinógeno fenilciclidina na sopa servida no jantar. James Cameron passou mal e vomitou a droga antes de ela surtir efeito.

O diretor contratou dois historiadores especializados no Titanic para acompanhar as gravações. Ele conseguiu plantas arquitetônicas originais do navio para construir sua réplica, e contratou a mesma fabricante de carpetes do Titanic. Os atores tiveram aulas de etiqueta para aprender a agir como em 1912 e todas as atrizes usaram espartilhos durante as filmagens.

A réplica do Titanic usada no filme de James Cameron foi construída no México dentro de um tanque de 236 metros de comprimento, com capacidade para 65 milhões de litros de água.

A cena em que Rose posa nua para Jack foi a primeira do filme a ser gravada. Como a réplica do Titanic ainda não estava pronta, eles tiveram que filmar primeiro as poucas cenas que não necessitavam do navio. Relembre a cena:

A atriz Gloria Stuart, que interpreta Rose aos 100 anos de idade, tinha 87 na época. Ela viveu exatamente até os 100, morrendo dois meses depois do centésimo aniversário.

Gloria Stuart em Titanic

Interpretado por Leonardo DiCaprio, Jack Dawson era um passageiro do Titanic apenas na ficção, até que se descobriu que um verdadeiro J. Dawson morreu a bordo do navio, em 1912.

Titanic é o filme mais comprado em DVD fora dos Estados Unidos. Em segundo lugar, está “Branca de Neve e os Sete Anões”, dos estúdios Disney.

O filme é um dos grandes recordistas do Oscar. Ao lado de “Ben Hur” (1960) e “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2004), levou 11 estatuetas. O filme também figura na lista dos que mais colecionam indicações. “Titanic” e “A Malvada” (1950) foram os únicos a disputarem o prêmio em 14 categorias.

Sandy e Júnior foram os únicos brasileiros que conseguiram a liberação dos direitos autorais para gravar a versão de “My Heart Will Go On”, música-tema do filme Titanic.

Titanic” arrecadou 3,4 bilhões de reais. Era a maior bilheteria da história do cinema até janeiro de 2010, quando “Avatar” – do mesmo diretor James Cameron – bateu o recorde.

No dia 13 de abril de 2012, estreou nos cinemas brasileiros a versão 3D de Titanic, em comemoração aos 100 anos do naufrágio e aos 15 anos do lançamento original do filme.

Cerca de 300 artistas de computação gráfica foram contratados para transformar aproximadamente 300 mil quadros da fotografia original do filme em dados digitais em três dimensões. Cada cena demorou de duas a três semanas para ser aperfeiçoada.

Em 2000, o corte de cabelo parecido com o de Leonardo DiCaprio foi proibido no Afeganistão. Os barbeiros que copiassem o estilo usado pelo ator no filme ”Titanic” seriam presos. A milícia Talibã prendeu 28 barbeiros em Cabul por fazerem o corte.

O corte de cabelo proibido

Em 31 de agosto de 2004, o jornal “Daily Mail” publicou que uma fita com imagens da chegada dos sobreviventes do naufrágio foi encontrada em um galpão na Inglaterra. A gravação, feita quatro dias depois da tragédia, foi exibida na época nos cinemas de East Anglia, na Inglaterra. Um recepcionista, que a comprou por meia coroa, a mantinha no galpão de seu jardim.

Um estudo feito pelo pesquisador australiano David Savage em 2008 concluiu que grande parte dos passageiros britânicos morreu durante o naufrágio do Titanic devido ao hábito de “fazer fila” para chegar até os botes salva-vidas. Já os americanos foram menos delicados e furaram seu caminho para a salvação. Resultado: 20% das pessoas que sobreviveram carregavam passaporte americano.

Em outubro de 2008, a última sobrevivente do Titanic, Millvina Dean, anunciou um leilão de lembranças do naufrágio. Entre os artigos, estavam uma mala com roupas de 1912 e retratos raros do navio deixando as docas de Southampton. Millvina era a passageira mais jovem a bordo: tinha apenas nove semanas de vida quando o Titanic naufragou. A recém-nascida viajava na segunda classe com sua família para tentar a vida nos Estados Unidos. Com o acidente, Millvina ficou órfã de pai, mas sua mãe e sua irmã também se salvaram. Ela, que recebeu ajuda financeira de Leonardo DiCaprio e de Kate Winslet para pagar dívidas no asilo em que vivia, morreu em maio de 2009, aos 97 anos.

Millvina Dean

Foi inaugurado em março de 2012 o Titanic Belfast, museu na cidade da Irlanda do Norte onde o navio foi construído. A obra custou 282 milhões de reais. No mesmo mês, foram gastos 9,1 milhões de reais na expedição que, pela primeira vez, traçou um mapa completo da região no Atlântico Norte onde estão os restos do Titanic.

Museu Titanic Belfast

Na história do Brasil, também houve uma tragédia ao estilo Titanic. O navio Príncipe de Astúrias, apelidado de “Titanic brasileiro”, ia de Madri, Espanha, para Buenos Aires, Argentina, em 1916. Naufragou sob forte tempestade no litoral de Ilhabela (SP) depois de bater nas rochas. Morreram 477 pessoas.

Príncipe de Astúrias

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Posted in Baú, Cinema, Datas Comemorativas, Jornalismo, Viagem at abril 14th, 2012. 7 Comments.

Produtos cada vez mais sofisticados para bichos

No Brasil, bichos de estimação já são considerados membros da família. Alguém duvida disso? Processo já vivido em outros países, como os Estados Unidos, essa integração à família acaba humanizando o animal. No último ano, foram lançados produtos no mercado que colocam cães e gatos no mesmo patamar de consumidores humanos. De água engarrafada a esmalte de unhas, confira as sofisticadas novidades que prometem ferver o mercado pet este ano:

Máscara hidratante
Os (donos de) cãezinhos de pelos crespos já não têm mais que se preocupar com ressecamento e fios embaraçados. A linha de cosméticos pet Eco Dog lançou no mercado uma máscara hidratante feita com castanha-do-pará para deixar a pelagem dos cachorros mais macia e fortalecida, própria para penteados e preparações para exposições. Indicado para aqueles que têm pelos longos e encaracolados, uma bisnaga de 400 ml sai por R$ 26,00.

Diamante de pelo
Usando apenas um pelo de cachorro, dá para fazer um diamante. Esse serviço já está disponível no Brasil e é oferecido pelo Pet Memorial – o primeiro crematório individual de bichos de estimação da América Latina – em parceria com a empresa santista Brilho Infinito, que já oferecia a mesma regalia a clientes humanos. Geralmente, os diamantes são encomendados como lembranças de animais recém-falecidos.

O pelo do bichinho é enviado a laboratórios espanhóis que, a partir dele, extraem carbono, usado na confecção da pedra preciosa. Os donos podem escolher o tamanho (0,1 a 0,5 quilate) e a cor (azul, dourada ou incolor) do diamante. A menor pedra, na variação incolor, sai por R$ 1.600,00. O Pet Memorial fica em São Bernardo do Campo (SP), no quilômetro 20 da Rodovia Castelo dos Imigrantes.

Variações de cor do diamante

Água da Amazônia
Uma das grandes novidades do mercado pet brasileiro é a Amazon Pet Water, lançada em outubro de 2011 pelo casal de ambientalistas André Lobato e Elida Braz. É isso mesmo: uma água especialmente engarrafada para animais. A bebida vem de uma região da Amazônia apelidada de “floresta encantada”, que fica no município de Benevides (PA). A população local e cientistas da Universidade Federal do Pará, que já fizeram pesquisa na região, alegam que os animais que bebem das águas de suas fontes parecem demorar a envelhecer. O líquido é ainda enriquecido com antocianina, um antioxidante celular – substância que ajuda o sistema imunológico e cardiovascular – presente no fruto do açaí. A fonte da juventude é vendida em doses de 500 ml, ao preço sugerido de R$ 3,90.

Tintura para pelos
Bichinhos de estimação com pelos tingidos já são comuns fora do país. No final do ano passado, a empresa brasileira Central Vet fechou parceria com a franco-japonesa Pet Esthé para a importação de tintas para pelos de cães. Os produtos, destinados exclusivamente ao uso profissional, estarão em breve disponíveis em pet shops que oferecem o serviço de banho e tosa. Além das coloridas e extravagantes, há as tintas que disfarçam os pelos brancos de cachorros mais idosos e as que, ao contrário, realçam a pelagem dos branquinhos que ficaram amarelados com o tempo. A Pet Esthé aposta também em uma linha de esmaltes para as cadelinhas brasileiras. Será que a moda pega?

Efeito da tinta Pet Esthé

Linha de esmaltes Pet Esthé

Cosméticos de ouro
A marca Pet Life oferece aos bichos de estimação uma linha de cosméticos que contêm ouro 18 quilates em sua composição. Segundo a fabricante, o metal proporciona benefícios à pele e pelagem de cães e gatos. O xampu de 500 ml sai por cerca de R$ 25,00. Também estão disponíveis perfume (R$ 15,00) e sabonete (R$ 10,00) feitos de ouro.

Linha ouro da Pet Life

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Posted in Animais at abril 10th, 2012. No Comments.

A trajetória histórica da Enciclopédia Britânica

A Enciclopédia Britânica, a mais antiga do mundo na língua inglesa, anunciou na última quarta-feira o fim de sua edição impressa. Depois de 244 anos de história, a empresa decidiu focar na versão online, para concorrer diretamente com a Wikipédia. Uma versão básica está disponível gratuitamente no site da Enciclopédia e, para os donos de iPhone e iPad, há um aplicativo oficial também de download grátis. Para ter acesso ao conteúdo completo, o usuário deve pagar uma taxa de 70 dólares anuais.

Tela de aplicativo da Enciclopédia Britânica para iPhone

A primeira Enciclopédia Britânica foi produzida em 1768, em Edimburgo (Escócia), por Andrew Bell, Collin Macfarquhar e William Smellie. Tinha 2.659 páginas, divididas em três volumes, que abrigavam um resumo de todo o conhecimento humano até a data. Com artigos de nomes hoje reconhecidos como Benjamin Franklin e John Locke, o contexto histórico era o auge do iluminismo, e as ideias antropocentristas transpareciam no conteúdo. Definia mulher, por exemplo, como “a fêmea do homem”.

Primeira edição da Enciclopédia Britânica

Primeira edição da Enciclopédia Britânica

Só na segunda edição, lançada em 1784, que tópicos de História e Biologia foram adicionados. Isso fez com que o número de volumes passasse para 10 e a quantidade de páginas atingisse pouco mais de 8.500.

A multiplicação da ciência no século XIX fez com que fossem lançadas cinco edições da enciclopédia. A última, de 1889, considerada uma das melhores coleções escolares de todos os tempos (tinha artigos de Charles Darwin e Karl Marx), disseminou-se pelos Estados Unidos de forma ilegal. Devido ao dano de muitas unidades pirateadas, em 1901 o controle da marca passou aos norte-americanos, que abrigavam um mercado promissor. A 11ª edição, de 1911, foi a primeira a ser replicada por uma gráfica de alta produção. A enciclopédia, impressa tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, foi dedicada ao presidente norte-americano e ao Rei da coroa britânica.

Folheto promocional da edição de 1911

Foi durante a 1ª Guerra Mundial, com a já esperada queda de vendas, que a Enciclopédia Britânica começou sua decadência. A edição de 1920 foi feita em folhas de papel mais baratas, para tentar alavancar as vendas. Quando a marca começava a mostrar sinais de estabilização, veio a Grande Depressão de 1929. Foi para contornar essa crise que a Enciclopédia Britânica bolou a estratégia de vendas porta a porta, que gerou a expressão popular “vendedor de enciclopédia”, que designa alguém chato, insistente.

Na década de 50, Dorita Barret de Sá Putch, norte-americana filha de um alto executivo da editora, veio morar no Brasil e conseguiu a exclusividade da Enciclopédia Britânica para a América Latina. Em 1957, ela lançou a Enciclopédia Barsa, na língua espanhola. A versão em português veio em 1963. O nome era uma combinação do seu primeiro sobrenome com o do marido já falecido. Dorita morreu em 1973, quando preparava a Enciclopédia Mirador, também uma combinação de uma sílaba de seu nome com o do segundo marido, Waldemiro Putch. O lançamento da Enciclopédia Barsa foi o pontapé para que a Britânica lançasse edições japonesa, chinesa, francesa, italiana e coreana.

Os anos de 1970 e 1980, que precederam a era da internet, marcam um pico no consumo de enciclopédias. Só em 1989, as vendas atingiram 120 mil unidades ao ano nos Estados Unidos, marca que nunca mais viria a ser alcançada.

Com a chegada da década de 1990, o mercado de enciclopédias voltou a se abalar. Em um ano, as vendas caíram para 51 mil unidades ao ano. O conteúdo online da Enciclopédia Britânica começou a ser disponibilizado em 1993, apenas para assinantes. A versão em CD-ROM veio só em maio de 1994, custando o surreal preço de 1.000 dólares. Com o fracasso de vendas, em 1999, parte do site passou a ser oferecida gratuitamente, como uma forma de atrair usuários fiéis que se interessassem em comprar o direito de acesso completo.

Primeiro CD-ROM da Enciclopédia Britânica

Desde que a internet começou a fazer parte do cotidiano do consumidor da Enciclopédia Britânica, elas empacam nas prateleiras. O preço de 1.400 dólares (aproximadamente 2.500 reais) pelo conjunto de 32 volumes, aliado à facilidade de pesquisa na web, fez com que o mercado ficasse restrito a colecionadores. A última edição, de 2010, vendeu apenas 8.000 cópias – número 15 vezes menor que os 120 mil vendidos em 1990, pouco antes do estouro da web. É menor até que as vendas da 3ª edição da enciclopédia, de mais de dois séculos antes – a de 1797 vendeu cerca de 10 mil cópias. Não é de se espantar que 99% da receita da marca vêm de outros investimentos.

Kodak e Polaroid já provaram que ser icônico não é suficiente para se sustentar neste século – a primeira anunciou o fim da produção de máquinas fotográficas no começo deste ano, e a segunda faliu em 2008, logo no início da expansão das câmeras digitais. Hoje, temos 10 vezes mais informações armazenáveis do que tínhamos no século XVIII. A edição de 2010 da Enciclopédia Britânica contava com 32 volumes, 30 mil páginas e cerca de 44 milhões de palavras. Na internet, cabe muito mais.

Última edição da Enciclopédia Britânica (2010)

O curioso é que a tendência de prezar pela praticidade em oposição ao tradicionalismo do papel ainda não chegou ao Brasil. A Enciclopédia Barsa está sólida em seu mercado, preservando a venda de 70 mil coleções ao ano – marca quase 9 vezes maior que a de sua irmã Britânica. Ficou curioso? O Blog do Curiocidade publicou uma matéria contando a situação da Enciclopédia Barsa no Brasil.

Edição recém-lançada da Enciclopédia Barsa (2012)

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Posted in livros at março 27th, 2012. 1 Comment.

500 episódios curiosos de Os Simpsons

No último domingo (19), estreou nos Estados Unidos o 500º episódio da série de animação “Os Simpsons”. Batizado de “At long last leave”, contou com a participação do jornalista australiano Julian Assange, o fundador do Wikileaks, que se envolveu em polêmicas no ano passado ao divulgar documentos secretos do governo norte-americano.  Como a nova temporada só estreia no Canal FOX do Brasil amanhã (domingo, dia 26) e o episódio 500 é o 14° da temporada, ele só será exibido por aqui no início de maio.

Ao longo de 23 anos de história, a série não poupou críticas ao estilo de vida americano, e não se acanhou ao brincar com tabus como drogas, política e homossexualismo. Veja abaixo 20 curiosidades sobre Os Simpsons que o Blog do Curioso preparou para você:

1. Os Simpsons foram criados em 1987, como um projeto piloto do estreante Matt Groening. No começo, eram segmentos de 20 segundos transmitidos no programa “The Tracey Ullman Show”. Em 17 de dezembro de 1989, estreava a primeira temporada oficial da série, com episódios de meia hora. Veja um dos episódios dos Simpsons antes de eles virarem uma série:

2. É a série de animação que ganhou mais Emmys na história: já levou 27.

3. Só as séries “Lassie” e “Gunsmoke” superam a marca de 500 capítulos.

4. Os produtores dos Simpsons têm contrato assinado com a Fox por pelo menos mais duas temporadas. Isso quer dizer que a série terá, no mínimo, 559 episódios.

5. Para que os roteiros assumam a identidade sarcástica da série, cada um deles passa por cerca de 20 escritores, que fazem o possível para que as tiradas atinjam públicos de diferentes regiões, culturas e idades. Além disso, a pintura e o intercalamento dos quadrinhos são feitos na Coreia do Sul, onde o custo é mais baixo. Por isso, cada episódio demora entre oito meses e um ano para ficar pronto.

6. Matt Groening batizou a cidade dos Simpsons de Springfield porque esse é o nome de cidade mais comum nos Estados Unidos (há 121 delas espalhadas pelo país). Em 21 de julho de 2007, foi feita uma eleição pela internet para decidir qual Springfield receberia o lançamento especial do filme dos Simpsons. A vencedora foi a do Estado de Vermont.

7. Também em julho de 2007, como parte da estratégia de promoção do filme dos Simpsons, foi instalada uma rosquinha gigante na tocha da Estátua da Liberdade, em Nova York.

8. A série é composta por cerca de 300 personagens. Os nomes dos protagonistas Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie foram baseados em familiares do criador Matt Groening.

9. No capítulo 467, o artista de rua anônimo Banksy criou a abertura do desenho para denunciar as condições de trabalhos nas fábricas de merchandising da série. Veja:

10. No episódio “Feitiço de Lisa”, da temporada 13, em 2002, a família Simpson viaja ao Brasil. Aqui, eles encontram taxistas pilantras, assaltantes, macacos pelas ruas e apresentadoras de TV vulgares. A crítica gerou atritos diplomáticos com o país, mas as piadas de mau gosto não pararam por aí. Em outro episódio, Homer ainda diz: “Gostaria de voltar ao Brasil, mas parece que o problema dos macacos está ainda pior”. E em “A Esposa Aquática”, Lisa diz que Barnacle Bay é o lugar mais nojento que já visitou – depois do Brasil (a frase foi cortada na versão dublada para o português). Veja um trecho da visita da família amarela ao país:

11. Já viraram personagens da série celebridades como Mel Gibson, U2, Ronaldo, Kim Basinger, Tony Blair, Rupert Murdoch, Nicolas Sarkozy, George Bush, Lady Gaga, Elizabeth Taylor, Michael Jackson, Magic Johnson, Sting, George Harrison, Aerosmith e Ramones.

12. A personagem Marge Simpson beijou uma amiga na boca no episódio “Como o Teste Foi Vencido”, em março de 2009. A cena se passou apenas na imaginação de seu marido, Homer Simpson. Veja a cena:

13. Você sabe a idade dos integrantes da família? Homer tem 35 e Marge, 34. O garoto Bart é o primogênito, com 10 anos; a estudiosa Lisa tem 8 e a pequena Maggie, apenas 1 aninho. Durante os 23 anos da série, nenhum deles envelheceu.

14. Apesar de Maggie ser novinha, ela não é nada boba. A caçula é conhecida por ter acertado um tiro no Sr. Burns, chefe de Homer, quando ele tentou roubar seu pirulito.

15. Na cidade de Springfield, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado desde o episódio número 10 da 16ª temporada. O episódio foi ao ar pela primeira vez no dia 20 de fevereiro de 2005 e causou polêmica entre as audiências mais conservadoras.

16. Na edição de novembro de 2009 da Playboy, Marge Simpson saiu na capa. Em três páginas de “fotos”, Marge não aparece nua em nenhuma delas. A foto mais picante é uma em que ela está vestida apenas com um baby-doll transparente.

17. Bill Oakley, um dos roteiristas da série, levou os fãs à loucura ao divulgar em sua conta do Twitter algumas sinopses descartadas de episódios. Entre as tramas, havia fantasias sexuais de Homer e a participação especial de Prince.

18. O episódio mais assistido de toda a história dos Simpsons nos Estados Unidos foi ”Bart Tira uma Nota Ruim”, de 1990. Ao todo, 33,6 milhões de pessoas viram esse episódio.

19. Os Simpsons estrearam na TV aberta brasileira em 1991, quando a Rede Globo comprou os direitos de exibição do desenho.

20. A série é a comédia há mais tempo no ar no horário nobre dos Estados Unidos. Os Simpsons desbancaram Os Flintstones, que, de 1960 a 1966, eram campeões absolutos.

Quer saber mais? O livro De Olho em Springfield, da Editora Panda Books, mostra tudo sobre Os Simpsons.

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Posted in Televisão at fevereiro 25th, 2012. No Comments.

Por que os foliões usam fantasias no Carnaval

Apesar de o Carnaval que conhecemos hoje ser chamado de brasileiro, a festa tem raízes europeias. Da Roma Antiga, vem a tradição de festejar nas ruas: as Saturnais eram comemoradas pelos escravos, que pediam dias mais quentes ao deus Saturno. Já os portugueses trouxeram ao Brasil o costume de sujar uns aos outros – nas festas do entrudo do século XVI, valia até atirar “limões-de-cheiro”, uma mistura da fruta com água e urina.

Ilustração da tradição do entrudo português

Marcados por excessos desde sua origem, os foliões escapavam das punições usando disfarces. Até a elite entrou no clima: na Itália do século XV, mascarados da nobreza escondiam a identidade e caíam na gandaia dos bailes da corte.

Representação teatral dos primeiros bailes de máscara

O que começou com o uso de máscaras e perucas é hoje uma das principais atrações do Carnaval. Mais em clima de farra do que de disfarce, a nossa festa de rua é cada ano mais repleta de fantasias criativas e curiosas. Veja o que foi visto por aí em 2012:

Cheio de "post-its", folião faz trocadilho com o jornal norte-americano "Washington Post" (Foto: portal R7)

Casal se produz e brinca com a expressão "Papagaio de Pirata" (foto: Blog do Curioso)

Fantasiado de "Bueiro Carioca", folião ironiza as frequentes explosões que aconteceram na cidade ao longo do ano (Foto: Blog do Curioso)

Na fantasia de "Anos 80", a cabeça dá lugar ao globo de discoteca (Foto: portal Terra)

Sósias de Lula e Dilma Roussef saem juntos pelas ruas do Recife (foto: portal Terra)

A fantasia de Google Maps é uma forma criativa que um grupo de amigos arrumou de não se perder na multidão (Foto: Blog do Curioso)

Google Maps passeia pelas ruas do Rio de Janeiro (Foto: Blog do Curioso)

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Posted in Datas Comemorativas at fevereiro 22nd, 2012. No Comments.

Dinheiro irlandês homenageia craque de futebol

George Best foi o Pelé do futebol irlandês. Brilhou no time do Manchester United e na Seleção da Irlanda do Norte na década de 1960. Best chegou no Manchester United em 1963, quando tinha apenas 17 anos. Durante seis temporadas, o craque disputou 370 jogos, marcando 179 gols. A média foi de 2,06 gols por jogo, sendo que ele chegou a marcar seis em uma única partida, contra o Northampton. George Best ajudou o time a ganhar dois títulos nacionais e um Campeonato Europeu. Em 1968, no auge da carreira, recebia 1 mil cartas de fãs por semana e foi eleito o “Jogador Europeu do Ano”.

George Best, na época do Manchester United.

Na Seleção da Irlanda do Norte, a passagem de Best foi mais discreta, mas não menos ilustre. Apesar de ter marcado nove gols nos 37 jogos disputados, sua simples presença nos gramados já eletrizava o público.

George Best jogando pela Seleção da Irlanda do Norte.

Falecido em 2005 de cirrose hepática em sua terra natal, é notável o reconhecimento post-mortem dado ao craque. Antes que se completasse um ano póstumo, o aeroporto Belfast City foi renomeado para George Best. E o Ulster Bank emitiu 1 milhão de notas comemorativas de 5 libras com imagens do jogador vestindo as camisas dos times em que foi imortalizado. Ao contrário do que acontece no Brasil, alguns bancos privados da Irlanda são autorizados a emitir dinheiro. A pouca burocracia exigida pelo processo acaba facilitando homenagens a ídolos recentes e de apelo mais popular.

Criada como um presente para a população irlandesa local, a cédula acabou se tornando uma febre em todo o Reino Unido. Com a exceção de duas notas – uma dada a Barbara McNarry, uma das irmãs do ídolo, e outra ao seu pai, Dickie Best –, todo o lote foi vendido em cinco dias. Hoje, ainda há várias delas sendo vendidas no site e-Bay, a preços que variam de 9 a 100 libras, mas virtualmente é difícil saber quais são verdadeiras. Apenas dois dias após o lançamento das notas na Irlanda descobriu-se a venda de centenas de cédulas falsas. O Ulster Bank recomenda que os compradores verifiquem o número de série das notas: todas as genuínas começam com GB.

Apesar de ser o país do futebol, o Brasil nunca homenageou um craque em suas cédulas. O que geralmente se vê por aqui é a estampa do rosto de políticos, intelectuais e outros personagens relevantes para a história do país. Nosso país não retrata personalidades vivas no dinheiro nacional. O brasileiro que mais rápido recebeu uma homenagem foi o poeta Carlos Drummond de Andrade, cuja cédula foi lançada apenas 15 meses depois de sua morte. As notas de 50 cruzados novos circularam de 1989 a 1992.

Homenagem a Drummond 15 meses depois de sua morte

A Irlanda foi o primeiro país do mundo a homenagear um jogador de futebol em seu dinheiro. O dinheiro brasileiro traz atualmente animais da fauna. É, portanto, difícil imaginar uma homenagem ao Rei Pelé como George Best recebeu em seu país. Nem adianta reclamar. Segundo o Banco Central do Brasil, a escolha dos homenageados em cédulas não prevê a participação do público. É o próprio órgão que define o design das notas e as envia ao Conselho Monetário Nacional para aprovação.

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Posted in Cotidiano, Esporte at fevereiro 14th, 2012. No Comments.