Curiosidades dos 100 anos de naufrágio do Titanic

Hoje o naufrágio do Titanic completa 100 anos. Nunca uma tragédia da humanidade ganhou tanto apelo popular quanto a do transatlântico que se chocou com um iceberg. A fracassada viagem chega a seu centenário repleta de mitos, fascínio, histórias, homenagens e curiosidades:

O livro “Futility” (em português, “Futilidade”), de Morgan Robertson, conta a história de um glamoroso navio, dito o maior do mundo, que nunca afundaria, atingia de 24 a 25 nós, media 244 metros e pesava 70 mil toneladas. Os passageiros faziam parte da elite social e não havia botes salva-vidas suficientes para todos. Numa noite gelada, o navio “inafundável” do romance bateu em um iceberg e sofreu um rasgo em seu casco. Mas a maior coincidência é o nome do transatlântico do livro: “The Titan”. O livro foi publicado 14 anos antes de o Titanic zarpar.

O R.M.S. Titanic começou a ser fabricado em 1909, na Irlanda do Norte. Media 286 metros, pesava 46.328 toneladas e navegava a uma velocidade média de 18 nós, podendo chegar a 23 nós. Seu comprimento era maior do que a altura do prédio mais alto de Nova York, na época. Era o maior navio do mundo. Confira a única filmagem existente do navio original:

A construção do transatlântico custou cerca de 7,5 milhões de dólares.

Era o segundo de três grandes cruzeiros construídos pela White Star Line para cruzar o Oceano Atlântico. O primeiro deles foi o Olympic, que fez a rota Southampton – Nova York (a mesma programada para o Titanic) em 1911.

Transatlântico Olympic

A sigla R.M.S. significa “Royal Mail Steamer”, algo como “navio a vapor de correspondência Real”.

Só o leme do Titanic tinha a altura de um prédio de sete andares e pesava cerca de 101 toneladas. Era, portanto, mais pesado que o navio Santa Maria, de Cristóvão Colombo.

Sua construção foi concluída em 31 de maio de 1911. No mesmo ano, o navio foi lançado ao mar pela primeira vez.

Em 1902, o milionário americano J. Pierpont Morgan comprou a empresa “White Star Line”, que construiu o transatlântico Titanic. Morgan deveria embarcar no navio na viagem inaugural, mas teve que cancelar na última hora. Ele tinha sua suíte particular, que nunca chegou a ser usada.

A viagem inaugural do Titanic aconteceu no dia 10 de abril de 1912. Havia 2.225 pessoas a bordo.

Titanic zarpando do porto de Southampton

Dos mais de 800 tripulantes do navio de luxo, 500 eram garçons, cozinheiros e músicos. Havia duas orquestras a bordo do Titanic.

Músicos do Titanic

Os bilhetes para viajar no Titanic custavam entre 7 e 870 libras (hoje esse intervalo corresponderia a 20 a 2.500 libras). Os bilhetes mais baratos davam direito a um colchão em um beliche. Os passageiros que pagavam mais caro ficavam em ambientes com dois quartos, área de estar, banheiro privativo, quarto de empregados e sacada.

Bilhete da 1a classe

O passageiro mais rico do transatlântico, John Jacob Astor IV, tinha uma fortuna estimada em 4,2 bilhões de reais, em valores ajustados pela inflação. Ele morreu no naufrágio.

O navio oferecia aos passageiros da 1ª e 2ª classes um bistrô e um café parisiense, que virou ponto de encontro dos jovens. O Titanic carregava um estoque de 34 toneladas de carne, 35 mil ovos, 40 toneladas de batatas, 453 quilos de sachês de chá e 15 mil garrafas de cerveja.

Café parisiense do Titanic

Não faltavam entretenimento e conforto no maior transatlântico do mundo: estavam disponíveis para os passageiros uma piscina, sauna, uma quadra de squash, três bibliotecas, elevadores elétricos, salas de recepção, restaurantes, salas de concerto e academias de ginástica equipadas com bicicletas, aparelhos de treino para o remo e um cavalo elétrico para os praticantes de hipismo.

Sala de ginástica do Titanic

Às 23 horas e 15 minutos de um domingo, 14 de abril de 1912, o navio colidiu com um enorme iceberg. Transmitiu sua última mensagem 40 minutos depois: “Afundamos”. Às 2h20 da manhã do dia 15, o Titanic já estava completamente submerso.

Há uma grande polêmica sobre o exato ponto onde o acidente ocorreu. Hoje, a carcaça do navio está na latitude 41º43’ Norte e na longitude 49º56’ Oeste. A última posição detectada em pedidos de socorro foi na latitude 41º46’ Norte e longitude 50º14’ Oeste.

Apenas 713 pessoas se salvaram. Calcula-se que cerca de 800 dos 1512 mortos foram devorados por tubarões. Só havia botes suficientes para metade dos passageiros do navio.

A equipe de salvamento chegou ao local no dia 15 de abril e recolheu quem ainda não havia morrido congelado. O número de botes salva-vidas era insuficiente para o número de passageiros. Além disso, muitos se recusaram a retornar ao local do naufrágio levando botes vazios com medo da reação de quem estava na água.

Foi apenas em 1985, no dia 1º de setembro, que os restos do navio foram encontrados. A descoberta foi feita durante expedições americanas e francesas, 73 anos depois do naufrágio.

Destroços submersos do Titanic

Foram lançados três filmes sobre a tragédia, todos com o nome de “Titanic“. O primeiro saiu em 1953, dirigido por Jean Negulesco e protagonizado por Barbara Stanwick e Robert Wagner. Em 1996, foi a vez do diretor Robert Lieberman, com o filme estrelado por Peter Gallagher, George C. Scott, Eva Marie Saint, Tim Curry, Marilu Henner e Catherine Zeta-Jones. No ano seguinte, foi lançada a versão de  James Cameron.

Cartaz do primeiro filme de Titanic

DiCaprio contracenou com Kate Winslet em “Titanic”, filme que os eternizou como o casal Jack e Rose, em 1997.  O ator só entrou para o elenco por causa da insistência do diretor James Cameron. Os estúdios queriam o ator Matthew McConaughey. Tom Cruise também foi cotado, mas o alto cachê afastou-o da produção.

Originalmente, as filmagens durariam 138 dias e custariam 150 milhões de dólares. A produção acabou sendo filmada em 150 dias, e teve o custo de 200 milhões de dólares. Foi a primeira da história do cinema a atingir esse investimento.

A equipe de “Titanic” (1997) visitou os destroços submersos do navio verdadeiro 11 vezes em 1995. Eles passaram mais tempo no transatlântico que seus passageiros reais.

Durante as filmagens submersas do Titanic original, um dos membros da equipe resolveu fazer uma brincadeira: colocou o alucinógeno fenilciclidina na sopa servida no jantar. James Cameron passou mal e vomitou a droga antes de ela surtir efeito.

O diretor contratou dois historiadores especializados no Titanic para acompanhar as gravações. Ele conseguiu plantas arquitetônicas originais do navio para construir sua réplica, e contratou a mesma fabricante de carpetes do Titanic. Os atores tiveram aulas de etiqueta para aprender a agir como em 1912 e todas as atrizes usaram espartilhos durante as filmagens.

A réplica do Titanic usada no filme de James Cameron foi construída no México dentro de um tanque de 236 metros de comprimento, com capacidade para 65 milhões de litros de água.

A cena em que Rose posa nua para Jack foi a primeira do filme a ser gravada. Como a réplica do Titanic ainda não estava pronta, eles tiveram que filmar primeiro as poucas cenas que não necessitavam do navio. Relembre a cena:

A atriz Gloria Stuart, que interpreta Rose aos 100 anos de idade, tinha 87 na época. Ela viveu exatamente até os 100, morrendo dois meses depois do centésimo aniversário.

Gloria Stuart em Titanic

Interpretado por Leonardo DiCaprio, Jack Dawson era um passageiro do Titanic apenas na ficção, até que se descobriu que um verdadeiro J. Dawson morreu a bordo do navio, em 1912.

Titanic é o filme mais comprado em DVD fora dos Estados Unidos. Em segundo lugar, está “Branca de Neve e os Sete Anões”, dos estúdios Disney.

O filme é um dos grandes recordistas do Oscar. Ao lado de “Ben Hur” (1960) e “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2004), levou 11 estatuetas. O filme também figura na lista dos que mais colecionam indicações. “Titanic” e “A Malvada” (1950) foram os únicos a disputarem o prêmio em 14 categorias.

Sandy e Júnior foram os únicos brasileiros que conseguiram a liberação dos direitos autorais para gravar a versão de “My Heart Will Go On”, música-tema do filme Titanic.

Titanic” arrecadou 3,4 bilhões de reais. Era a maior bilheteria da história do cinema até janeiro de 2010, quando “Avatar” – do mesmo diretor James Cameron – bateu o recorde.

No dia 13 de abril de 2012, estreou nos cinemas brasileiros a versão 3D de Titanic, em comemoração aos 100 anos do naufrágio e aos 15 anos do lançamento original do filme.

Cerca de 300 artistas de computação gráfica foram contratados para transformar aproximadamente 300 mil quadros da fotografia original do filme em dados digitais em três dimensões. Cada cena demorou de duas a três semanas para ser aperfeiçoada.

Em 2000, o corte de cabelo parecido com o de Leonardo DiCaprio foi proibido no Afeganistão. Os barbeiros que copiassem o estilo usado pelo ator no filme ”Titanic” seriam presos. A milícia Talibã prendeu 28 barbeiros em Cabul por fazerem o corte.

O corte de cabelo proibido

Em 31 de agosto de 2004, o jornal “Daily Mail” publicou que uma fita com imagens da chegada dos sobreviventes do naufrágio foi encontrada em um galpão na Inglaterra. A gravação, feita quatro dias depois da tragédia, foi exibida na época nos cinemas de East Anglia, na Inglaterra. Um recepcionista, que a comprou por meia coroa, a mantinha no galpão de seu jardim.

Um estudo feito pelo pesquisador australiano David Savage em 2008 concluiu que grande parte dos passageiros britânicos morreu durante o naufrágio do Titanic devido ao hábito de “fazer fila” para chegar até os botes salva-vidas. Já os americanos foram menos delicados e furaram seu caminho para a salvação. Resultado: 20% das pessoas que sobreviveram carregavam passaporte americano.

Em outubro de 2008, a última sobrevivente do Titanic, Millvina Dean, anunciou um leilão de lembranças do naufrágio. Entre os artigos, estavam uma mala com roupas de 1912 e retratos raros do navio deixando as docas de Southampton. Millvina era a passageira mais jovem a bordo: tinha apenas nove semanas de vida quando o Titanic naufragou. A recém-nascida viajava na segunda classe com sua família para tentar a vida nos Estados Unidos. Com o acidente, Millvina ficou órfã de pai, mas sua mãe e sua irmã também se salvaram. Ela, que recebeu ajuda financeira de Leonardo DiCaprio e de Kate Winslet para pagar dívidas no asilo em que vivia, morreu em maio de 2009, aos 97 anos.

Millvina Dean

Foi inaugurado em março de 2012 o Titanic Belfast, museu na cidade da Irlanda do Norte onde o navio foi construído. A obra custou 282 milhões de reais. No mesmo mês, foram gastos 9,1 milhões de reais na expedição que, pela primeira vez, traçou um mapa completo da região no Atlântico Norte onde estão os restos do Titanic.

Museu Titanic Belfast

Na história do Brasil, também houve uma tragédia ao estilo Titanic. O navio Príncipe de Astúrias, apelidado de “Titanic brasileiro”, ia de Madri, Espanha, para Buenos Aires, Argentina, em 1916. Naufragou sob forte tempestade no litoral de Ilhabela (SP) depois de bater nas rochas. Morreram 477 pessoas.

Príncipe de Astúrias

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Posted in Baú, Cinema, Datas Comemorativas, Jornalismo, Viagem at abril 14th, 2012. 7 Comments.

Titanic: cinco mitos que foram por água abaixo

A tragédia do Titanic completa 100 anos hoje, dia 14 de abril. Hollywood usou a história do naufrágio para o cinema em três diferentes versões. Todas elas contribuíram para o desenvolvimento de um fascínio pelo transatlântico, ajudando a consagrar mitos e romantismos. Tem muita gente que pensa que o Titanic é uma fantasia inventada pelo cinema. O assunto foi pauta na rede social Twitter esta semana, que revelou muitos usuários surpresos com a constatação de que a tragédia foi real:

O site da BBC publicou na semana passada uma excelente reportagem derrubando alguns dos mitos envolvendo o Titanic. Confira-os aqui no Blog do Curioso:

Mito 1: O navio “inafundável”
No mais recente (e mais famoso) filme de Titanic (1997), os personagens não cansam de repetir: “Todo mundo está dizendo por aí que este navio é inafundável”. Mito! A White Star Line, fabricante do Titanic, nunca usou esse argumento em sua propaganda. A viagem do Titanic não era nem divulgada na mídia antes da tragédia. O transatlântico Olympic, que fez a mesma rota Southampton (Inglaterra)–Nova York (Estados Unidos) um ano antes do Titanic, ainda era o centro das atenções das elites. Algumas notícias sobre a tragédia do Titanic foram inclusive ilustradas com fotos do Olympic, dada a pouca importância dirigida ao navio pela imprensa mundial.

Transatlântico Olympic

Mito 2: A última música tocada pela orquestra
Todos os filmes que contam a história do Titanic mostram a orquestra do navio tocando uma canção enquanto o navio afunda. No cinema, os músicos são mostrados como heróis, que escolhem deixar de lado a salvação para acalmar os passageiros ao som de “Nearer, My God, To Thee”. As cenas não são infundadas: o jornal Daily Mail publicou na primeira capa de sua edição de 20 de abril: “Músicos heróis do navio Titanic tocam ‘Nearer, My God, To Thee’ enquanto o transatlântico afunda”. Testemunhas, no entanto, não confirmam ter sido esta a música tema do naufrágio. Segundo sobreviventes, os músicos tocaram canções ao estilo ragtime, gênero norte-americano muito popular nas primeiras décadas do século XX.

Mito 3: A morte do capitão Smith
O capitão Smith é historicamente retratado como um herói, apesar de haver indícios de displicência da parte dele quanto aos alertas de icebergs. Foi também ele quem permitiu que botes salva-vidas partissem com lugares vagos (o primeiro bote, com capacidade de comportar 65 pessoas, saiu com apenas 27). Além disso, o capitão não emitiu um sinal de alerta para os passageiros, fazendo com que muitos deles demorassem a perceber que o navio estava afundando. A imagem de herói, construída pela mídia logo depois do desastre, foi reforçada pelo cinema. Na última versão de “Titanic” (1997), a cena da morte do capitão Smith é grandiosa, digna da sustentação de um mito.

Mito 4: O empresário vilão
Presidente da companhia que construiu o Titanic, J. Bruce Ismay é retratado no cinema como um covarde que toma o lugar de mulheres e criancinhas no bote salva-vidas. Ele também é visto como o responsável por convencer o capitão a acelerar o navio (uma das causas do acidente). Testemunhas da cena, porém, afirmam que o empresário ajudou a salvar muita gente antes de garantir seu lugar nos botes. A degradação imagem de Ismay é, na verdade, fruto de uma rixa entre ele e William Randolph Hearst, magnata da imprensa norte-americana na época. Hearst distorceu as informações e conseguiu o que queria: até hoje, existe o mito da covardia de Ismay.

Mito 5: Os passageiros da 3ª classe
O Titanic de James Cameron mostra passageiros da 3ª classe do navio sendo impedidos de sair de seus andares para tentar se salvar. No entanto, não há evidência histórica que comprove isso. O que aconteceu foi que não havia botes salva-vidas disponíveis no deck da 3ª classe. Por isso, enquanto os passageiros da 1ª e 2ª classes estavam próximos aos botes, os da 3ª tinham de fazer um longo percurso, que incluía corredores, escadas e grandes saguões, para tentar um lugar nos botes. Não há como negar, no entanto, que a classe fez diferença no saldo de sobreviventes do Titanic: 62% dos passageiros da 1ª classe conseguiram se salvar, contra apenas 25% da 3ª classe.

Escadarias que levavam para a 3a classe

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Posted in Datas Comemorativas, Viagem at abril 14th, 2012. 1 Comment.

Pratos à base de enguia: os londrinos adoram!

A carne de enguia começou a ser vendida na região leste de Londres no século 18. Fez tanto sucesso que, em um sábado comum, cerca de 500 vendedores da iguaria podiam ser vistos oferecendo o peixe pelas ruas. Um prato com seis pedaços de enguia era vendido a um centavo de libra, com direito ainda a uma dose de licor.

Mas a popularidade da enguia atingiu seu pico na era vitoriana (segunda metade do século 19), quando começaram a surgir lojas especializadas, acabando com as vendas nas ruas. As enguias eram pescadas no próprio rio Tâmisa, de onde eram transportadas vivas em barris para os estabelecimentos. A população passava por mudanças substanciais, como a migração dos camponeses para as cidades e a imigração de irlandeses refugiados. Essa situação, que gerou pobreza e fome, acabou alavancando as lojas de enguia, que vendiam seus produtos por um preço modesto. Em 1874, já se computavam 33 estabelecimentos de venda de enguia na cidade.

Vendedor londrino de enguias do início do século XX

Apesar de bastante nutritiva, 60% da carne da enguia é composta por gordura saturada, o que predispõe à obesidade. Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual esse peixe já não seja mais um alimento tão comum. Além disso, deve ser consumido fresco, o que é pouco prático na sociedade moderna atual. E, não menos importante, sua aparência física assusta um pouco: apesar de ser um peixe, parece uma serpente pegajosa.

Mas não pense que os ingleses esquecem suas tradições. Há 25 restaurantes e lanchonetes tradicionais em Londres que ainda preparam a iguaria. A primeira loja especializada em enguias funciona até hoje: a F. Cooke, localizada no bairro de Hoxton, vende pratos com enguia a turistas e clientes fiéis desde 1862. Lá, ela serve de acompanhamento a um prato típico chamado “pie and mash”, que nada mais é que uma torta de carne moída com purê de batata.

Pedaços de enguia acompanhando "pie and mash"

F. Cooke - a primeira londrina loja de enguias

A enguia vendida em Londres, no entanto, não é mais conterrânea de seus consumidores. A poluição do Tâmisa, aliada a mudanças climáticas e ao excesso da pesca, levaram à queda de 95% da população dos peixes do rio de 1980 a 2009. A enguia é hoje importada da Irlanda.

A receita de enguia atualmente mais popular entre os ingleses é ainda mais curiosa. Prato preferido do jogador de futebol David Beckham, a “jellied eel” (em português, “gelatina de enguia”) é composta por pedaços de enguia embebidos em um caldo apimentado feito da espinha do próprio peixe. A mistura é levada à geladeira, onde é criada a consistência de gelatina. A exótica comida já está disponível aos ingleses até na versão industrializada.

Gelatina de enguia

Gelatina de enguia industrializada

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Posted in Comes e bebes, Viagem at abril 11th, 2012. 1 Comment.

Produtos cada vez mais sofisticados para bichos

No Brasil, bichos de estimação já são considerados membros da família. Alguém duvida disso? Processo já vivido em outros países, como os Estados Unidos, essa integração à família acaba humanizando o animal. No último ano, foram lançados produtos no mercado que colocam cães e gatos no mesmo patamar de consumidores humanos. De água engarrafada a esmalte de unhas, confira as sofisticadas novidades que prometem ferver o mercado pet este ano:

Máscara hidratante
Os (donos de) cãezinhos de pelos crespos já não têm mais que se preocupar com ressecamento e fios embaraçados. A linha de cosméticos pet Eco Dog lançou no mercado uma máscara hidratante feita com castanha-do-pará para deixar a pelagem dos cachorros mais macia e fortalecida, própria para penteados e preparações para exposições. Indicado para aqueles que têm pelos longos e encaracolados, uma bisnaga de 400 ml sai por R$ 26,00.

Diamante de pelo
Usando apenas um pelo de cachorro, dá para fazer um diamante. Esse serviço já está disponível no Brasil e é oferecido pelo Pet Memorial – o primeiro crematório individual de bichos de estimação da América Latina – em parceria com a empresa santista Brilho Infinito, que já oferecia a mesma regalia a clientes humanos. Geralmente, os diamantes são encomendados como lembranças de animais recém-falecidos.

O pelo do bichinho é enviado a laboratórios espanhóis que, a partir dele, extraem carbono, usado na confecção da pedra preciosa. Os donos podem escolher o tamanho (0,1 a 0,5 quilate) e a cor (azul, dourada ou incolor) do diamante. A menor pedra, na variação incolor, sai por R$ 1.600,00. O Pet Memorial fica em São Bernardo do Campo (SP), no quilômetro 20 da Rodovia Castelo dos Imigrantes.

Variações de cor do diamante

Água da Amazônia
Uma das grandes novidades do mercado pet brasileiro é a Amazon Pet Water, lançada em outubro de 2011 pelo casal de ambientalistas André Lobato e Elida Braz. É isso mesmo: uma água especialmente engarrafada para animais. A bebida vem de uma região da Amazônia apelidada de “floresta encantada”, que fica no município de Benevides (PA). A população local e cientistas da Universidade Federal do Pará, que já fizeram pesquisa na região, alegam que os animais que bebem das águas de suas fontes parecem demorar a envelhecer. O líquido é ainda enriquecido com antocianina, um antioxidante celular – substância que ajuda o sistema imunológico e cardiovascular – presente no fruto do açaí. A fonte da juventude é vendida em doses de 500 ml, ao preço sugerido de R$ 3,90.

Tintura para pelos
Bichinhos de estimação com pelos tingidos já são comuns fora do país. No final do ano passado, a empresa brasileira Central Vet fechou parceria com a franco-japonesa Pet Esthé para a importação de tintas para pelos de cães. Os produtos, destinados exclusivamente ao uso profissional, estarão em breve disponíveis em pet shops que oferecem o serviço de banho e tosa. Além das coloridas e extravagantes, há as tintas que disfarçam os pelos brancos de cachorros mais idosos e as que, ao contrário, realçam a pelagem dos branquinhos que ficaram amarelados com o tempo. A Pet Esthé aposta também em uma linha de esmaltes para as cadelinhas brasileiras. Será que a moda pega?

Efeito da tinta Pet Esthé

Linha de esmaltes Pet Esthé

Cosméticos de ouro
A marca Pet Life oferece aos bichos de estimação uma linha de cosméticos que contêm ouro 18 quilates em sua composição. Segundo a fabricante, o metal proporciona benefícios à pele e pelagem de cães e gatos. O xampu de 500 ml sai por cerca de R$ 25,00. Também estão disponíveis perfume (R$ 15,00) e sabonete (R$ 10,00) feitos de ouro.

Linha ouro da Pet Life

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Posted in Animais at abril 10th, 2012. No Comments.

Os números curiosos da comida de avião

Em 1987, a empresa aérea American Airlines decidiu tirar uma azeitona de todas as refeições servidas em seus voos. A economia foi de 40 mil dólares naquele ano. Tudo por causa de uma mísera azeitona. O Blog do Curioso reuniu uma série de números e estatísticas que mostram que o lanchinho do avião é muito mais que uma simples cortesia.

O setor de serviço de bordo gira em torno de 13 bilhões de dólares ao ano e emprega cerca de 100 mil pessoas. O funcionário menos qualificado ganha 12 dólares por hora, o que totaliza cerca de 3.500 reais mensais. A LSG Sky Chefs é a maior empresa do setor.

São servidas todo ano cerca de 700 milhões de refeições aéreas no mundo.

Os pratos principais representam 60% dos custos de uma refeição aérea. Os aperitivos são 17%, as saladas somam 10% e as sobremesas, 7%.

Uma pesquisa conduzida pelo site www.dietdetective.com concluiu que as empresas Virgin America e Air Canada são as que oferecem refeições mais saudáveis a seus clientes. A norte-americana Spirit Airlines ficou em último lugar da lista.

Refeição da Air Canada

Refeição da Spirit Airline

O norte-americano The Wall Street Journal publicou os resultados de uma pesquisa que descobriu que as condições de pressão da cabine de um avião diminuem a sensibilidade das papilas gustativas em cerca de 30%. Essa pode ser uma explicação para as constantes reclamações de passageiros quanto ao gosto da comida servida a bordo.

O odor é responsável por 80% da capacidade gustativa do ser humano. É por isso que, quando estamos resfriados, não apreciamos muito o gosto das comidas. O mesmo acontece dentro do avião: em condições secas, como a da cabine, o muco nasal evapora, fazendo com que a eficiência de nossos receptores nasais diminua. Esse é mais um fato que pode explicar por que é tão difícil agradar consumidores de comida de avião.

Depois de encomendar uma pesquisa para descobrir por que seus clientes consumiam tanto suco de tomate durante os voos, a companhia alemã Lufthansa descobriu que, em altas altitudes, o gosto do tomate é menos ácido às papilas gustativas humanas. Isso faz com que o consumo da bebida no avião se iguale ao da popular cerveja.

O site Airline Meals reúne mais de 23 mil fotos de refeições a bordo de mais de 600 companhias aéreas ao redor do mundo (inclusive as brasileiras TAM, Gol, Azul e Avianca). É uma boa maneira de antecipar o cardápio de sua viagem.

Fotos disponíveis no site Airline Meals

O cardápio da brasileira TAM tem cerca de 500 opções – entre entradas, pratos principais e sobremesas – para atender às classes econômica, executiva e primeira classe.

Festival de Comida Regional na TAM

Em 2011, para divulgar seu cardápio a bordo, a companhia aérea Air France montou em terra – mais especificamente, no meio da Times Square, em Nova York – um trailer com comida de avião. Durante seis dias, foram distribuídas cerca de 600 refeições.

Trailer da Air France em Nova York

Para economizar gastos, as companhias aéreas têm investido menos em alimentos. Em 1990, uma refeição da American Airlines custava à companhia 6,89 dólares. O serviço a bordo correspondia a 4,6% de todas as despesas da empresa. Dez anos depois, esse valor havia caído para 5,48 dólares, implicando o investimento de 3,2% das despesas totais da companhia.

A Delta Airlines calculou que, tirando um simples morango das saladas servidas na primeira classe dos voos domésticos, pode economizar 210 mil dólares por ano.

Um reajuste de 0,01 dólar no preço do amendoim significaria um aumento de 610 mil dólares nos custos anuais da Delta Airlines.

Mesmo contando com pelo menos uma refeição durante o voo, os passageiros costumam consumir alimentos nos aeroportos, antes do embarque. Em uma hora, o Aeroporto Internacional da Filadélfia (EUA) serve 327 pretzels, 53 sanduíches de filé, 950 xícaras de café e 184 fatias de pizza.

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Posted in Comes e bebes, Viagem at abril 4th, 2012. No Comments.

Tragédia do Titanic vende de tudo. Até salgadinhos

No próximo dia 14, a tragédia do transatlântico Titanic completa 100 anos. Apesar das 1552 vidas perdidas e da situação desesperadora dos outros 705 passageiros que vivenciaram o naufrágio, cultivou-se certo fascínio pela história do navio. O Titanic saiu do porto de Southempton, na Inglaterra, com destino a Nova York. Colidiu com um iceberg às 23h40 do dia 14, um domingo. Por culpa das produções cinematográficas que reproduziram o acidente, ter viajado no Titanic, ao longo do século, tornou-se mais romântico e heroico do que trágico. E há quem tenha lucrado com isso.

Uma exposição em curso no Ulster Folk and Transport Museum, na Irlanda do Norte – país onde o navio foi construído –, exibe, entre outras peças e atrações, uma série de produtos que já se beneficiaram da marca Titanic. O transatlântico já emprestou sua imagem a sachês de chá, garrafas de cerveja e uísque, fôrmas de gelo, camisetas, livros, chocolates, salgadinhos e revistas infantis, entre outros itens. Veja alguns produtos bem curiosos da marca Titanic que já circularam no mercado:

Quadrinhos infantis de 1980. O personagem Jonah cultivava o péssimo hábito de afundar navios

Sachês de chá

Cervejas da marca Titanic

Fôrma de gelo

Camiseta "Fracasso épico" Titanic

Livro de receitas servidas no Titanic

Chocolate Titanic

Réplica de brinquedo

Quebra-cabeça Titanic

Salgadinhos Titanic

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Posted in Baú, Viagem at abril 3rd, 2012. No Comments.

Comerciais de TV que são pura bizarrice!

O site norte-americano Adweek, que divulga diariamente notícias e vídeos relacionados à indústria da propaganda, lançou, no fim do ano passado, uma lista de 30 comerciais bem esquisitos lançados em 2011. O objetivo não era discutir o valor e eficiência da campanha, mas a forma bizarra escolhida para transmitir a mensagem ao consumidor.

Confira alguns vídeos bem curiosos que circularam na televisão no ano passado:

Dead Island Trailer

O trailer do jogo de videogame Dead Island também figurou na lista dos melhores comerciais de 2011, divulgada pelo Adweek. Mas o ataque de zumbis a uma família, mostrado de trás para frente, e o contraste das cenas de horror com a singela melodia de piano fazem dele um dos comerciais mais bizarros produzidos no ano passado.

Male Cancer Awareness Campaign

Esta campanha contra o câncer de testículo encontrou uma estranha forma de atrair a atenção dos homens. No comercial, a modelo Rhian Sugden usa a sensualidade para demonstrar como fazer o auto-exame.

Sausage Flan

Calma, esta não é uma propaganda de um pudim de salsicha. A ideia dos mentores da campanha foi criar um prato cujo gosto pode ser sentido ao se usar louça mal lavada. Por exemplo: comer um pudim num prato sujo de salsicha. Tudo para divulgar os poderes do detergente Ayudin, da marca Clorox. O clima dos anos 50 dá um tom especial à bizarrice do comercial.

Skittles

Uma chuva de balas Skittles cai de um arco-íris na cabeça de um japonês sentado no banco de uma praça. Imediatamente, homens-pomba são atraídos pelo fenômeno e disputam as balinhas entre si. Sem comentários!

Rocksmith

Bebês fazendo coisas de adultos são uma fórmula muito gasta. Neste comercial do jogo Rocksmith, concorrente do Guitar Hero, um nenê que não aparenta ter completado um ano de vida pega uma guitarra nas mãos e acompanha a música perfeitamente. E ainda fecha sua performance fazendo com a mão o sinal do rock ‘n roll.

Está rindo, é? Pois nós, brasileiros, também sabemos fazer coisas do gênero. Você se lembra do comercial do Prestobarba no Japão? Ou do medonho lobo mau da Cremogema? Não pode faltar nessa lista a propaganda do Anemokol, um xarope vendido no Brasil nos anos 80, que prometia vitalidade aos consumidores. E, para fechar com chave de ouro, a recente campanha de Gianecchini para o Pintos Shopping, outra que dispensa comentários.

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Posted in Propaganda at abril 2nd, 2012. No Comments.

Loja de sapatos oferece encontro a compradoras

Uma loja de sapatos femininos em Kuala Lumpur,  capital da Malásia, arrumou uma curiosa forma de atrair clientes – e ainda fazê-los felizes. Na Shoes Shoes Shoes, homens podem oferecer uma parte do custo de um sapato em troca de um encontro com a compradora.

A promoção, batizada de “Shoe Dating”, é uma parceria entre a loja e o site de namoro Lunch Actually.  O site, sediado em Hong Kong, é especializado em promover encontros entre garotas e homens atarefados, que reclamam de não ter tempo de conhecer pessoas novas. O serviço planeja e agenda almoços, happy hours e jantares em locais apropriados para cada perfil de casal.

A Shoe Dating funciona assim: homens cadastrados no Lunch Actually selecionam, dentro de uma coleção de 20 pares de sapatos, um que eles gostariam que fosse usado por seu par romântico. Depois eles decidem que porcentagem do preço (de 10% a 100%) estão dispostos a pagar para ter um encontro com a compradora. Quando uma mulher compra o sapato, a loja oferece a promoção. Se ela aceitar, o site  fica encarregado de selecionar, entre as que escolheram o modelo de sapato em questão, o pretendente mais parecido com a personalidade dela. No encontro, ela recebe o cupom de desconto, que vale para uma próxima compra na loja.

Sapato da coleção Shoe Dating

Sapato da coleção Shoe Dating

Sapato da coleção Shoe Dating

Sapato da coleção Shoe Dating

Apesar de cada homem só poder escolher um par de sapatos para representá-lo, as mulheres têm a chance de conhecer pretendentes de várias personalidades diferentes. Por exemplo: se ela comprar três pares, tem direito a encontros com um homem para cada tipo de sapato. Em sua página do Facebook, a loja garante que o sapatinho de algumas Cinderelas já rendeu um príncipe encantado.

Casal formado pela promoção

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Posted in Sites curiosos, moda at abril 1st, 2012. No Comments.

A trajetória histórica da Enciclopédia Britânica

A Enciclopédia Britânica, a mais antiga do mundo na língua inglesa, anunciou na última quarta-feira o fim de sua edição impressa. Depois de 244 anos de história, a empresa decidiu focar na versão online, para concorrer diretamente com a Wikipédia. Uma versão básica está disponível gratuitamente no site da Enciclopédia e, para os donos de iPhone e iPad, há um aplicativo oficial também de download grátis. Para ter acesso ao conteúdo completo, o usuário deve pagar uma taxa de 70 dólares anuais.

Tela de aplicativo da Enciclopédia Britânica para iPhone

A primeira Enciclopédia Britânica foi produzida em 1768, em Edimburgo (Escócia), por Andrew Bell, Collin Macfarquhar e William Smellie. Tinha 2.659 páginas, divididas em três volumes, que abrigavam um resumo de todo o conhecimento humano até a data. Com artigos de nomes hoje reconhecidos como Benjamin Franklin e John Locke, o contexto histórico era o auge do iluminismo, e as ideias antropocentristas transpareciam no conteúdo. Definia mulher, por exemplo, como “a fêmea do homem”.

Primeira edição da Enciclopédia Britânica

Primeira edição da Enciclopédia Britânica

Só na segunda edição, lançada em 1784, que tópicos de História e Biologia foram adicionados. Isso fez com que o número de volumes passasse para 10 e a quantidade de páginas atingisse pouco mais de 8.500.

A multiplicação da ciência no século XIX fez com que fossem lançadas cinco edições da enciclopédia. A última, de 1889, considerada uma das melhores coleções escolares de todos os tempos (tinha artigos de Charles Darwin e Karl Marx), disseminou-se pelos Estados Unidos de forma ilegal. Devido ao dano de muitas unidades pirateadas, em 1901 o controle da marca passou aos norte-americanos, que abrigavam um mercado promissor. A 11ª edição, de 1911, foi a primeira a ser replicada por uma gráfica de alta produção. A enciclopédia, impressa tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, foi dedicada ao presidente norte-americano e ao Rei da coroa britânica.

Folheto promocional da edição de 1911

Foi durante a 1ª Guerra Mundial, com a já esperada queda de vendas, que a Enciclopédia Britânica começou sua decadência. A edição de 1920 foi feita em folhas de papel mais baratas, para tentar alavancar as vendas. Quando a marca começava a mostrar sinais de estabilização, veio a Grande Depressão de 1929. Foi para contornar essa crise que a Enciclopédia Britânica bolou a estratégia de vendas porta a porta, que gerou a expressão popular “vendedor de enciclopédia”, que designa alguém chato, insistente.

Na década de 50, Dorita Barret de Sá Putch, norte-americana filha de um alto executivo da editora, veio morar no Brasil e conseguiu a exclusividade da Enciclopédia Britânica para a América Latina. Em 1957, ela lançou a Enciclopédia Barsa, na língua espanhola. A versão em português veio em 1963. O nome era uma combinação do seu primeiro sobrenome com o do marido já falecido. Dorita morreu em 1973, quando preparava a Enciclopédia Mirador, também uma combinação de uma sílaba de seu nome com o do segundo marido, Waldemiro Putch. O lançamento da Enciclopédia Barsa foi o pontapé para que a Britânica lançasse edições japonesa, chinesa, francesa, italiana e coreana.

Os anos de 1970 e 1980, que precederam a era da internet, marcam um pico no consumo de enciclopédias. Só em 1989, as vendas atingiram 120 mil unidades ao ano nos Estados Unidos, marca que nunca mais viria a ser alcançada.

Com a chegada da década de 1990, o mercado de enciclopédias voltou a se abalar. Em um ano, as vendas caíram para 51 mil unidades ao ano. O conteúdo online da Enciclopédia Britânica começou a ser disponibilizado em 1993, apenas para assinantes. A versão em CD-ROM veio só em maio de 1994, custando o surreal preço de 1.000 dólares. Com o fracasso de vendas, em 1999, parte do site passou a ser oferecida gratuitamente, como uma forma de atrair usuários fiéis que se interessassem em comprar o direito de acesso completo.

Primeiro CD-ROM da Enciclopédia Britânica

Desde que a internet começou a fazer parte do cotidiano do consumidor da Enciclopédia Britânica, elas empacam nas prateleiras. O preço de 1.400 dólares (aproximadamente 2.500 reais) pelo conjunto de 32 volumes, aliado à facilidade de pesquisa na web, fez com que o mercado ficasse restrito a colecionadores. A última edição, de 2010, vendeu apenas 8.000 cópias – número 15 vezes menor que os 120 mil vendidos em 1990, pouco antes do estouro da web. É menor até que as vendas da 3ª edição da enciclopédia, de mais de dois séculos antes – a de 1797 vendeu cerca de 10 mil cópias. Não é de se espantar que 99% da receita da marca vêm de outros investimentos.

Kodak e Polaroid já provaram que ser icônico não é suficiente para se sustentar neste século – a primeira anunciou o fim da produção de máquinas fotográficas no começo deste ano, e a segunda faliu em 2008, logo no início da expansão das câmeras digitais. Hoje, temos 10 vezes mais informações armazenáveis do que tínhamos no século XVIII. A edição de 2010 da Enciclopédia Britânica contava com 32 volumes, 30 mil páginas e cerca de 44 milhões de palavras. Na internet, cabe muito mais.

Última edição da Enciclopédia Britânica (2010)

O curioso é que a tendência de prezar pela praticidade em oposição ao tradicionalismo do papel ainda não chegou ao Brasil. A Enciclopédia Barsa está sólida em seu mercado, preservando a venda de 70 mil coleções ao ano – marca quase 9 vezes maior que a de sua irmã Britânica. Ficou curioso? O Blog do Curiocidade publicou uma matéria contando a situação da Enciclopédia Barsa no Brasil.

Edição recém-lançada da Enciclopédia Barsa (2012)

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Posted in livros at março 27th, 2012. 1 Comment.

Quando as companhias aéreas começaram a servir refeições

As companhias aéreas surgiram logo após a Primeira Guerra Mundial, criadas por ex-pilotos dos Exércitos. O propósito inicial era transportar correspondência – não passageiros. Como o transporte humano era ocasional (e não muito valorizado pelos donos das companhias), a preocupação com a fome e bem-estar dos clientes não era comum. O que costumava acontecer era os próprios funcionários dividirem um lanche ou uma garrafa de café com quem estivesse no voo.

Primeiro avião da Pan Am (Fokker F-VII de 1929): transporte de correspondências era mais forte que o de passageiros.

As norte-americanas foram pioneiras do hoje tradicional serviço de bordo. Em 1934, a United Airlines reconheceu que oferecer refeições durante voos era uma boa estratégia de marketing para atrair clientes. A iniciativa teve dois propósitos: enganar a fome e passar o tempo dos passageiros. A companhia montou uma cozinha própria em cada aeroporto onde atuava, e levava para dentro do avião os pratos já prontos para serem servidos. Dois anos depois, a mesma United foi a primeira a ter uma cozinha a bordo. O recém-lançado DC-3 não possuía força elétrica para que comidas e bebidas pudessem ser esquentadas ou resfriadas, então o jeito era usar recipientes térmicos para preservar a temperatura dos produtos. Como ainda não havia mesinhas nos assentos individuais, as bandejas eram apoiadas em um travesseiro no colo do passageiro.

Refeições de bordo sendo preparadas em recipientes térmicos (United Airlines - 1938)

Armazenamento de comida a bordo (anos 30)

Em 1937, a American Airlines contratou a empresa que viria a ser a primeira fornecedora de comida de avião. A rede de serviços Marriott, que tinha uma loja em frente ao aeroporto de Washington (Washington National Airport), passou a fornecer café e doces à companhia aérea, que abastecia a cozinha dos aviões todas as manhãs.

Pan American Airways inventou, ainda nos anos 30, uma forma de servir café quente a seus passageiros sem precisar de energia elétrica. A bordo do Boeing 317 foi montado um esquema de circulação de glicol, que era esquentado pelo próprio motor do avião, e então usado para ferver a água. Quanto à comida, a companhia optou por encomendá-la de restaurantes locais de renome. Em voos longos, entretanto, as más condições de armazenamento obrigavam a Pan Am a servir enlatados.

Armazenamento de comida antes do voo (United Airlines - 1941)

Em 1945, a Pan Am instalou em seus aviões um forno de convecção – que faz circular ar aquecido por meio de um ventilador –, onde cabiam apenas seis refeições de cada vez. É mérito da companhia a primeira refeição feita a bordo com comida congelada. Foi servida em 1946 e era composta por carne, batatas e vegetais. Dois anos depois, com a chegada dos fornos de micro-ondas, os de convecção foram deixados de lado e o problema de se esquentar comida a bordo foi finalmente resolvido.

Cozinha de bordo no fim dos anos 40 (United Airlines)

Em 1948, foram criadas a classe econômica e a primeira classe. A partir de então, os produtos oferecidos à classe econômica tiveram sua qualidade reduzida, enquanto os que pagavam mais caro podiam desfrutar de serviços luxuosos. A Pan American Airlines foi pioneira na diferenciação da comida de avião da primeira classe em relação à econômica.

Propaganda do serviço diferenciado da Pan Am para a primeira classe (1948)

Serviço de bordo para a primeira classe (Pan Am - anos 50)

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Posted in Comes e bebes at março 21st, 2012. 1 Comment.