Dá para dizer que a paixão dos brasileiros por carros começou na década de 1950, quando o presidente Juscelino Kubitscheck iniciou os investimentos na indústria automobilística do país, permitindo o surgimento dos primeiros modelos fabricados por aqui. Como era um ramo novo e experimental, muitos carros circularam por poucos anos, saindo logo de linha. Ao longo dessa história, apareceram também carros curiosos, que hoje já são peças de museu.
O Blog do Curioso relembra de alguns:
Romi-Isetta

O primeiro carro fabricado em série no Brasil foi o compacto Romi-Isetta, lançado pela empresa Romi no dia 5 de setembro de 1956. Com apenas 2,28 metros de comprimento e 350 kg, o carrinho ficou conhecido por só ter uma porta, dois lugares e três rodas (isso mesmo: duas dianteiras e uma traseira). O Romi-Isetta atingia 85 km/h, uma boa velocidade para seu tamanho. Era produzido numa fábrica em Santa Bárbara D’Oeste (SP), que fechou as portas em 1961 por problemas financeiros.
Chambord
A fábrica brasileira da empresa francesa Simca instalou-se no Brasil em 1958, em São Bernardo do Campo (SP). Em março de 1959, foi lançado nas ruas do país o primeiro Chambord, carro espaçoso de carroceria resistente, que chegava a 135 km/h. Era o mais luxuoso do mercado brasileiro. Ficou tão popular que foi adotado pelo Inspetor Carlos, do seriado de TV “O Vigilante Rodoviário”. Em 1967, a Simca foi comprada pela Chrysler, que cessou a produção do Chambord.
Leia também: 10 curiosidades sobre “O Vigilante Rodoviário”
FNM JK 2000

Lançado em 21 de abril de 1960, o FNM JK 2000 foi o primeiro Alfa Romeo brasileiro. Batizado em homenagem ao presidente Juscelino Kubitscheck, o carro se destacou no mercado de luxo. Seu estilo seguia as tendências europeias de conforto: os encostos dos bancos dianteiros reclinavam até a horizontal. Em 1964, o regime militar exigiu a retirada da sigla JK do nome do carro. O então FNM 2000 atingiu seu pico de produção em 1970, deixando de ser fabricado somente em 1986.
Gordini
Em julho de 1962, a Willys Overland lançou o Gordini, carrinho compacto de apenas 4 metros de comprimento, que surpreendentemente exibia quatro portas. O carro foi um sucesso de crítica logo que chegou ao mercado, devido à sua potência (chegava a 130 km/h) e economia de combustível. Ganhou o apelido de “Teimoso” por vencer uma prova de resistência de 50 mil km no Autódromo de Interlagos. Mas também era chamado de “Leite Glória”, por ter baixa durabilidade (o slogan do leite em pó era “desmancha sem bater”). O último a ser fabricado foi o Gordini IV, em 1968, quando a empresa foi absorvida pela Ford.
Uirapuru

Chegou ao mercado em 1965. O modelo Uirapuru, um carro esportivo genuinamente brasileiro fabricado pela Brasinca, era um automóvel diferente, personalizado e com um desenho bem moderno para a época. Apenas algumas unidades foram fabricadas, mas o Uirapuru ficou marcado por ter atingido um feito até então inédito para carros populares no Brasil: chegou a 200 km/h no Autódromo de Interlagos (SP).
GTB

“Puma: o privilégio autenticamente brasileiro”. Era assim o slogan da fábrica que, em 1971, lançou no mercado do país o modelo de carro GTB, que combinava uma carcaça leve com uma mecânica sólida, atingindo até 170 km/h. O GTB marcou os anos 70 no Brasil, e ainda tem uma legião de fãs. A produção dos carros Puma sofreu um forte declínio na década de 1980, sendo totalmente interrompida em 1990.
SP2

Em 1969, Rudolph Leiding, presidente da Volkswagen do Brasil, deu início ao projeto genuinamente nacional de um carro esporte de carroceria leve. Lançado em junho de 1972, o resultado recebeu as iniciais da cidade de São Paulo, onde foi confeccionado. O SP, que também remetia à expressão inglesa “Sport Prototype” (“protótipo esportivo”), deu origem ao SP2, que atingia um máximo de 160 km/h, potência considerada fraca para a categoria. O SP2 foi o carro nacional de série mais baixo já produzido: media apenas 1,16 metros. Saiu de linha em 1976.
Fúria

O carro esportivo Fúria foi criado em 1976 pela Bianco (carroceria) e a Volkswagen (motor). Logo virou sensação dos autódromos; não por ser muito potente, mas pelo design refinado para a época. Quem o projetou foi Toni Bianco, que assinou também o projeto do primeiro carro nacional de Fórmula 3. Na década de 80, a fábrica da Bianco fechou suas portas.
Santa Matilde

Lançado em 1977, o Santa Matilde foi projetado pela filha de Humberto Pimentel, dono de uma fábrica de componentes ferroviários. Em 1975, o governo brasileiro proibiu a importação de automóveis. Isso fez com que a procura pelo GTB aumentasse, influenciando Humberto a montar um automóvel próprio. O carro foi apresentado no Salão do Automóvel de 1978, tornando-se objeto de desejo da alta sociedade. Chegou a custar mais que um Landau e o dobro de um Opala Diplomata, o que lhe rendeu o título de mais caro carro nacional. A produção do modelo começou a cair na década de 80. Em 1989, poucas unidades foram produzidas e, em 1997, apenas uma – o último Santa Matilde.


Marcelo,
Faltou lembrar um dos mais emblemáticos, o VW 1600 (popular Zé do Caixão)
Foi totalmente desenhado e concebido no Brasil e ostenta uma série de particularidades que fazem dele um carro único.
* Primeiro Volkswagen no mundo a ser produzido com 4 portas.
* Primeiro Volkswagen no mundo a ter faróis quadrados.
* Primeiro Volkswagen de passeio com motorização 1600cc
Está no museu da VW na Alemanha (um branco)… e tem um verde na minha garagem!! rsrs
Olá Marcelo,
Gostei desse tema, mas tem que colocar aí também o Karmann Ghia e o Karmann Ghia TC.
Um grande abraço,
Ivan
Já tive a oportunidade de conhecer os modelos Romi-Isetta e JK. Para a época, me parecem projetos muito bacanas. Principalmente para a Romi-Isetta, que não deveria ter descontinuado a produção. Hoje vemos modelos de carros chineses e japoneses para entrega de lanches, poderíamos ver um modelo 100% brasileiro também.
Ótimo tema pro post.
ótimo post, mas só corrigindo, o romi-isetta não tinha só três rodas, tinha quatro, apenas com bitola bem menor na traseira.
Excelente post, Marcelo! Eu, como um bom brasileiro, tambem sou apaixonado por carros. E quando o assunto é veiculos fabricados no país, existe mais um que, mesmo nao fazendo tanto sucesso, vez em quando, se ve um de seus modelos rodando por ai. É o gurgel, cuja fabrica ficava na av. cursino, em são paulo.
Que tal reeditar o artigo e agregar carros que fizeram historia como a rural, o maverick, o toyota diesel, o ze do caixao e a veraneio.
sds
Essa Puma GTB é muito “estiloso”, até hoje seria uma carro de muitas vendas se fosse comercializado.
Achei uma foto aqui muito legal da Puma. http://parachoquescromados.wordpress.com/2012/06/24/um-heroi-brasileiro-o-puma-gtb-1978/
Concessionaria VW
Abs
PARABENS GOSTEI MUITO, SE ALGUEM PUDER ME AJUDAR O NOME DE UM CARRO QUE SERIA GENUINAMENTE NACIONAL MAS AS EMPRESAS NAO DEIXARAM IR PARA A FRENTE
SE NAO ME ENGANO O NOME DO FUNDADOR ERA FERNANDES NAO TENHO CERTEZA
O DESENHO DO CARRO ERA MUITO BONITO E ASSEMELHAVA AO SINCA.
NAO É GURGEL.
GRATO SE ALGUEM LEMBRAR DESSA PASSAGEM.
LEANDRO
Ótimo post, nos termos mesmo que valorizar toda a história Brasileira automobilísticas e suas obras de arte incríveis. Sou da década de 90, mas apaixonado por nossa cultura.
Temos que divulgar essas raridades cada vez mais.
FALTOU MAIS UM…O MIURA..! ESPORTIVO NACIONAL VALENTE…E MUITO ARROJADO PARA SUA EPOCA…
Uma pequena correção: o VW Prototype EA 97 de 1960 foi o embrião do nosso “Zé do Caixão” cujas estamparias ao serem enviadas ao Brasil afundaram junto com o navio (ver fotos no Google do carro).
Como curiosidade o VW EA 276 (Golf) tem a traseira idêntica a do VW Brasília 1600. (ver fotos no Google do carro).
Abraços.
Em tempo: A VW do Brasil chegou a testar a VW Variant 1600 antes do lançamento no mercado com os mesmos faróis redondos do protótipo alemão. Não foram totalmente concebidos no Brasil. Abraços.
O protótipo do VW EA 142, de 1966 foi o primeiro estudo da montadora alemã para faróis quadrados (na verdade mais para ovalados).
O amigo Leandro deve estar se referindo ao sr. Nelson Fernandes da IBAP (Indústria de Automóveis Presidente) que pretendia fabricar o Democrata, mas a mecânica era FIAT. Chegou a montar uma “fábrica” na via Anchieta. Ele construiu Hospital Presidente, num sistema semelhante ao de Preston Tucker (Tucker Torpedo – filme: Tucker, Um Homem e Seu Sonho). Abs.
Corrigindo: IBAP – Indústria Brasileira de Automóveis Presidente, e o sistema era de cotas. Agradecido pelo espaço cedido.
Uma observação: Na foto do Fúria na verdade é um Bianco S com mecânica VW a ar (Quatro Rodas. Janeiro de 1977 ed. nº 198). O Fúria (Quatro Rodas Novembro de 1971 ed. nº 136) usava mecânica FNM / Alfa Romeo e que aparece um pedaço dele atrás do Brasinca / Uirapuru GT 4.200. É só acessar o site da revista no acervo digital e conferir. Abraços e bom proveito!
Uma observação: Na foto do Fúria na verdade é um Bianco S com mecânica VW a ar (Quatro Rodas. Janeiro de 1977 ed. nº 198). O Fúria (Quatro Rodas Novembro de 1971 ed. nº 136) usava mecânica FNM / Alfa Romeo e que aparece um pedaço dele atrás do Brasinca / Uirapuru GT 4.200, na foto deste site. É só acessar o site da revista no acervo digital e conferir. Abraços e bom proveito!
O meu comentário foi que eu conseguir reconhecer alguns veículos destas fotos, ter dirigido alguns deles, mais nunca me esqueci foi o JK, um dos dois primeiros fabricados por a FNM, doados, um para o nosso ex/Presidente da republica JK, outro para ex/Ministro da Justiça, Alfredo Nasser, quem tive a honra de ser o primeiro motorista,destinado para dirigir, este excelente veiculo da época era muito veloz, colocava em 180/rpm por hora, só que indo diariamente de Brasília, para Goiânia, outras cidades do interior de Goiás,com alguns dos chefes de Gabinete do Sr. Ministro, o motor deste bravo JK, não aguentou fundi-o motor na ladeira para chegar em Alexânia, Goiás, deixei Gabinete, foi transferido para outro órgão fora de Brasília, em 1971 voltei, indo para Planaltina, consegui ver o JK no inicio do setor de oficina de Sobradinho, dei uma parada para ver o estado dele não estava muito bom, o cidadão que comprou me disse que ia reformar não tinha interesse em vender porque ele desejava tela como lembrança do Presidente JK, lá ficou ele por alguns anos, depois não consegui mais velas, só agora em foto reformado, as cores dos dois eram pretas, às caracteristas eram as mesmas desta foto.
Amigos, dêem uma olhada no VW EA 266 de 1969! A lanterna traseira é a do Gol até 1986…nada se cria, tudo se copia!
Faltou o Dauphine que foi lançado antes do Gordini….
Gostei, mais o único veículo 100% Brasil era o Presidente, da Democrata Veículo, nem os Gurgel era 100% Brasil! Um país rico e de pessoas muitos inteligentes não tem nada 100% Brasil.
Eu sempre observei que nem um destes É 100% Brasil ( detalhes de lanternas, para-brisas, e partes em geral era de outras montadoras que não são brasileiras; nem o Gurgel!
talvez o único fosse o Democrata, da Presidente que não sobrevive a pressão de montadoras estrangeiras