Você conhece a letra do hino de seu time?
Você conhece o hino oficial de seu clube? Muitos clubes brasileiros têm dois hinos: o oficial e aquele realmente cantado pelas torcidas. Os oficiais, bem mais antigos, são cheios de versos rebuscados e praticamente caíram no esquecimento.
O hino oficial do Flamengo, criado pelo ex-goleiro do clube Paulo Magalhães, começa assim: “Flamengo, Flamengo/Tua glória é lutar/Flamengo, Flamengo/Campeão de terra e mar”. Mas foi o hino composto por Lamartine Babo na década de 40 que pegou (“Uma vez Flamengo/Sempre Flamengo”). Em 1942, Lamartine Babo (torcedor do América) apresentava o programa Trem de Alegria, ao lado de Héber de Bôscoli (torcedor do Flamengo) e Iara Sales (Fluminense). Ele ia ao ar às segundas-feiras e os três faziam comentários bem-humorados sobre a rodada do final de semana. Para ilustrar o programa, Lamartine criou marchinhas para cada clube. Só que estes hinos foram adotados pelos torcedores e destronaram os antigos.
Hino de clube era coisa tão séria que poetas eram escalados para escrevê-los. O poeta Coelho Neto apresentou em 1915 o primeiro hino do Fluminense. A música era baseada em um sucesso inglês, It’s a long, long way to Tipperary, de H. Williams (ouça abaixo). A primeira estrofe dizia assim: “O Fluminense é um crisol/onde apuramos a energia/ao pleno ar/ao pleno sol”. Coelho Neto era pai de Preguinho, um dos maiores ídolos da história do Fluminense e autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, em 1930. O Tricolor das Laranjeiras teria ainda outro hino, com letra e música de Antônio Cardoso de Menezes Filho: “Companheiros de luta e de glória/na peleja incruenta e de paz/disputamos no campo a vitória/do mais forte, mais destro e sagaz”. E por aí vai.
Mais difícil ainda é o hino oficial do Vasco, composto pelo poeta Joaquim Barros Ferreira da Silva. Só mesmo levando o dicionário para a arquibancada. “Clangoroso, apregoa, altaneiro/ O clarim estridente da fama/Que dos clubes do Rio de Janeiro/ O invencível é o Vasco da Gama”.
Entre os paulistas, quem trocou de hino foi o Santos. “Sou alvinegro da Vila Belmiro/O Santos vive no meu coração/É o motivo de todo o meu riso/De minhas lágrimas e emoção”. Começava assim a música de Carlos Henrique Roma, criada em 1912. Mangeri Neto e Mangeri Sobrinho criaram o “Agora quem dá bola é o Santos” para festejar o título paulista de 1955.
No ano de sua fundação, em 1921, o Cruzeiro (ainda chamado de Palestra Itália) ganhou seu hino, com letra do poeta Tolentino Miraglia e música do maestro Arrigo Buzzachi. Os primeiros versos eram: “No campo da luta/Entramos contentes/Sentindo, freqüentes/As almas vibrar/E deste entusiasmo/Nos nasce a pujança/Na firme esperança/De sempre ganhar”. O hino atual (“Cruzeiro, Cruzeiro querido/Tão combatido, jamais vencido”) é de autoria de Jadir Ambrósio.
Letras cheias de mistério
Hino do Atlético Mineiro: (…) “nós somos campeões do gelo”
O autor Vicente Mota se inspirou nos hinos cariocas de Lamartine Babo para criar a música do “Galo mineiro”. De onde veio esse gelo? Numa excursão à Europa, em 1950, o Atlético Mineiro jogou debaixo da neve. O hino também fala de “Nós somos campeões dos campeões”. É que, em 1936, o clube disputou um campeonato interestadual de clubes, promovido pela Federação Brasileira de Futebol. O Atlético venceu a Portuguesa na final por 3 x 2, em São Paulo.
Hino do Botafogo: “Botafogo, Botafogo/campeão desde 1910″
Botafogo e Fluminense ficaram brigando na Justiça durante 89 anos por causa do título do Campeonato Carioca de 1907. Apenas em 1996, a Federação local decidiu proclamar os dois times campeões. Desse modo, o primeiro título do clube deixou de ser o carioca de 1910. A torcida botafoguense mudou a letra original do seu hino e agora canta “campeão desde 1907″.
Hino do Corinthians: (…) “campeão dos campeões”
Em 1930, o Corinthians venceu o Vasco por 4 x 2, no Rio. Como eles eram os campeões dos dois principais torneios do país, o clube paulista se autoproclamou “campeão dos campeões” do Brasil. O hino foi composto pelo radialista Lauro d’Ávila entre 1951 e 1952, substituindo outro, que dizia: “(…) lutar, viril, para a grandeza e glória do Brasil“. Veja abaixo o primeiro hino do time, de 1930, que nunca pegou.
Hino do Grêmio: (…) “até a pé nós iremos”
Uma greve dos transportes em Porto Alegre, no ano de 1953, inspirou a frase inicial do hino, criado por Lupicínio Rodrigues, um dos mais famosos compositores brasileiros. O Grêmio é o único clube que fala sobre um jogador em seu hino: (…) “Lara, o craque imortal/soube o teu nome elevar”. O goleiro Eurico Lara defendeu o clube de 1920 a 1935.
Hino do São Paulo: (…) “Do Paulistano imortal/Da Floresta também trazes/Um brilho tradicional”
É uma referência ao Clube Atlético Paulistano e à Associação Atlética Palmeiras, que deram origem ao novo clube. O hino foi criado pelo general Porfírio da Paz no dia em que ele não perdeu sua casa por falta de pagamento. Saiu pelas ruas para refrescar a cabeça e acabou criando uma letra em homenagem ao clube que ajudou a fundar.
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Jornalista e autor da série de livros “O Guia dos Curiosos”. É um dos “Loucos por Futebol” da ESPN-Brasil, apresenta o “Você é Curioso?” na Rádio Bandeirantes e escreve no Jornal da Tarde.
Na internet, atualiza diariamente o site www.guiadoscuriosos.com.br e comanda o programa “TV Curioso”. 



gostei muito de saber sobre mais sobre os hinos porque faço parte da produção de um programa na radio baganca fm, e estamos querendo falar mais sobre esse assunto.