A morte do ex-vice-presidente José Alencar, em 29 de março passado, deixou a cidade de  Muriaé (MG) triste e dividida. Foi nesse município, a 280 quilômetros de Belo Horizonte, que  o ex-vice-presidente nasceu e passou a infância.  Alencar chegou a se declarar torcedor do  Nacional Atlético Clube, principal time da cidade.  Em 2009, Alencar  enviou ao  uma carta ao ministro dos Esportes, Orlando Silva, pedindo contribuição financeira para o término da construção do estádio do time de seu coração.

O novo estádio, a 2 quilômetros do centro da cidade e à margem da Rodovia BR-356, que liga Muriaé a Campos dos Goytacazes (RJ), tem capacidade para 15 mil torcedores. Para arrecadar o dinheiro necessário para as obras, o Nacional precisou  vender 6.900 metros quadrados do terreno ocupado pelo antigo estádio a uma rede de supermercados. A nova arena ocupa uma área de 60 mil metros quadrados e deve ficar pronta até o fim do ano. Até lá, o time está licenciado das competições.

Se os 3 milhões de reais pedidos ao ministro saírem, o clube pretende homenagear Alencar. E aí é que a cidade se divide. Muitos querem que o novo estádio se chama José Alencar (já apelidado de “Alencarzão”). Mas outra parte da torcida deseja que o novo campo tenha o mesmo nome do antigo:  Estádio Soares de Azevedo, homenagem a Antônio Teodoro Soares de Azevedo. “Ele  foi o maior presidente que o Nacional já teve”,  afirma o secretário do clube, Jacy de Oliveira Filho, o “Jacy Jr.”, comentarista de futebol na Rádio Muriaé. Foi Soares de Azevedo quem comprou o terreno do primeiro estádio e, no leito de morte, fez seus filhos prometerem em frente ao testamenteiro que iam regularizar a situção do time. “O problema não é colocar o nome de Alencar, mas tirar o de Soares de Azevedo, que também foi importante para a história do clube”, diz o Jacy.  Existe a alternativa também de colocar o nome do ex-vice-presidente em outra  área interna do complexo.

Confira alguns casos de estádios de futebol que já mudaram de nome:

NABIZÃO

Em janeiro de 2009, o presidente do Bragantino, Marquinho Chedid, pediu ao Conselho Deliberativo para mudar o nome do estádio de Bragança Paulista. Tirou Marcelo Stéfani e colocou  Nabi Abi Chedid, nome de seu pai, que foi diretor do clube e também vice-presidente da CBF. Marcelo Stéfani, ex-jogador e ex- presidente do Braga, passou a ser homenageado pelo complexo esportivo que rodeia o Nabizão.

ESTÁDIO DOS AMAROS

Em Itápolis (SP), o Estádio Municipal dos Amaros, que abriga os jogos do Oeste, já tinha esse nome quando foi inaugurado em 1928. Até que,  em 1989, foi rebatizado de Ildenor Picardi Semeghini, o” Picardão”. Em 2010, a prefeitura decidiu retomar o antigo nome, que homenageia a família Amaro, dos fundadores da cidade.

ARENA DA BAIXADA

Joaquim Américo Guimarães, presidente do Internacional em 1914, foi quem comandou a construção do estádio na Baixada da Água Verde em Curitiba. Em 1924, quando o Atlético Paranaense herdou o local, batizou-o em homenagem a Guimarães. Em 1997, o palco esportivo foi demolido para dar lugar à Arena da Baixada, estádio moderno que, graças a um acordo com a Kyocera, em março de 2005 passou a se chamar Kyocera Arena. Em 2008, voltou a ter o nome anterior.

ESTÁDIO ROMILDO VITOR GOMES PEREIRA

O estádio de  Mogi Mirim (SP), inaugurado em 7 de setembro de 1991,  já teve quatro nomes. Na inauguração, ele  foi chamado batizado de Vail Chaves. Wilson Barros, presidente do clube, rebatizou a arena com o próprio nome. Depois Barros mudou de novo: passou a chamar o local de Estádio Papa João Paulo II. Agora, o jogador Rivaldo, atual presidente do Sapão, entrou na dança e escolheu o nome de seu próprio pai, transformando o estádio em Romildo Vitor Gomes Ferreira.

ESTÁDIO SANTIAGO BERNABÉU

O nome anterior era Nuevo Estádio Chamartín, por causa da arena Chamartín, que ficava no mesmo terreno e era usada pelo Real Madrid até 1947. Em 1955, passou a se chamar Estádio Santiago Bernabéu para homenagear o ex-jogador e ex-presidente do clube Santiago Bernabéu Yeste.

LA BOMBONERA

O estádio do Boca Juniors foi fundado em 1940 com o nome do presidente do clube à época, Camilo Cichero. No entanto, em dezembro de 2000, o então presidente Mauricio Macri decidiu mudá-lo para Estadio Alberto J. Armando, em homenagem a Alberto Jacinto/José Armando, ex-presidente do clube que faleceu em 1988.

MERCEDES-BENZ ARENA

Na inauguração, em 1933, o estádio de Stuttgart foi chamado de Adolf-Hitler-Kampfbahn, em homenagem ao  então chanceler da Alemanha. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, virou Century Stadium e Kampfbahn. Em 1949, aconteceu nova mudança. Foi escolhido o nome Neckarstation por causa do rio Neckar, que fica na região. O nome Gottlieb Daimler é uma homenagem ao inventor do primeiro automóvel de quatro rodas com combustão interna. Passou a se chamar Mercedes-Benz Arena em 2008 por causa do patrocínio da marca, que tem uma fábrica nas redondezas.

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