Tomar ou não tomar café da manhã? Se fosse um dia normal, não teria saído de casa em jejum. Mas eu estava me preparando para ser um dos jurados do primeiro Campeonato de Pastel de Feira, hoje cedo, na Praça Charles Miller, em São Paulo. Eram 10 finalistas de 731 inscritos, escolhidos pelo voto popular entre os dias 15 de setembro e 4 de outubro. Cada região da cidade entrou com dois representantes (só a Zona Leste, pelo seu tamanho, escolheu  quatro competidores). Achei melhor ir bem preparado para a competição, ou seja, com muito espaço livre no estômago.

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O pastel de feira é a comidinha de rua número 1 dos paulistanos. São 2 milhões vendidos por semana. Daí a responsabilidade. Os 10 pasteleiros começaram a montar suas barracas às 8 da manhã. A barraca número 1 – Pastelaria Monte Castelo – levou até cartazes com fotos do açougueiro que fornece a carne para eles. Teve boca de urna, distribuição de brindes e torcida vinda de bairros distantes.

O público presente à final foi convidado novamente a dar notas. Cada pastel custava apenas 1 real. As barracas tinham cupons e duas urnas. Depois de comer, os clientes faziam uma avaliação da barraca que escolhessem. Os jurados tiveram duas horas para fazer o mesmo – só que deveriam percorrer as 10 barracas. Comecei a degustação às 10 horas e só fui terminar às 11h30.

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Como seria impossível comer os 10 pastéis inteiros, os jurados adotaram um sistema muito parecido. Eu fiz assim: a primeira mordida devia deixar o ar quente sair. A segunda servia para analisar o sabor e a textura da massa. Já a terceira mordida deveria acertar em cheio o recheio. Nós, jurados, tínhamos que observar oito itens, incluindo a higiene da barraca, o uniforme dos funcionários, o asseio na manipulação da comida e do dinheiro, a qualidade do óleo. Tivemos que degustar o pastel de carne em todas as barracas para que a avaliação fosse uniforme. Isso me fez lembrar dos tempos em que nossos pais não recomendavam comer pastel de carne fora de casa. Tinham medo da procedência da carne.

Terminados os 10 pastéis, resolvi fazer uma espécie de segundo turno e mata-mata. Voltei a experimentar os quatro que tinha achado melhor. Era o momento do desempate. É verdade que  já estava sentindo o estômago meio pesado.

Os votos do júri técnico e as avaliações populares foram somadas. O título de melhor pastel de feira de São Paulo foi conquistado pela barraca número 6: Pastel da Maria. Kuniko Yonaha, a Maria, de 57 anos, recebeu um cheque de 8 mil reais. Prometeu dividir 3 mil entre as funcionárias (todas estavam uniformizadas, sorridentes) e vai usar os outros 5 mil na reforma da barraca.  O Pastel da Maria era, com certeza, o mais recheado de todos. Ela faz questão de não revelar também os condimentos que usa na carne. “É feito com muito amor. Também precisa ter sexo para trabalhar bem humorada no dia seguinte”, declarou em entrevista à TV Bandeirantes.  Maria contou com uma leve vantagem por “jogar em casa”. É que, toda quinta-feira, ela bate ponto na feira livre da própria Praça Charles Miller. O segundo colocado, Yamashiro Pai, faturou 2 mil reais e o terceiro lugar, a Pastéis Gabi, ficou com 1 mil reais.

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Na saída, brindei à vitória de Maria com um bom caldo de cana, vendido ali a 1 real também. Pastel e garapa foi o cardápio de uma manhã muito divertida. A única coisa ruim é que perdi o apetite para o almoço…

Confira a relação de todos os pasteleiros que disputaram a final e seus endereços.

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